Eu, enquanto engenheira mecânica, sempre ouvi essa pergunta: “o que um engenheiro mecânico faz?” e eu sempre respondi: “faz um pouco de tudo!”.

Para mim, isso sempre fez sentido, considerando que essa é uma das engenharias mais completas, já que esse profissional está apto a fazer serviços nas áreas térmicas, de materiais, de estruturas metálicas, de segurança e saúde do trabalho, de motores e equipamentos e de refrigeração, por exemplo.

Com esse tanto de área de atuação, todo mundo pode pensar que existe bastante emprego para engenheiros mecânicos, mas, infelizmente, não é a realidade. Há muitas “subatividades” dentro da engenharia mecânica que algumas empresas usam para não ter esse profissional no seu corpo de funcionários, como a vaga de “supervisor de manutenção” que pode ser ocupada por um engenheiro mecânico, com conhecimento profundo em manutenção de máquinas e na determinação mais exata da vida útil delas; porém, normalmente, ela é ocupada por uma pessoa sem essa graduação, mas que tenha anos de experiência naquelas máquinas específicas.

Apesar disso, ainda há funções que necessitam obrigatoriamente de um engenheiro mecânico como na realização de projetos, de laudos e de inspeções nas áreas de atuação que comentei acima.

Quem define se uma empresa precisa ou não ter um engenheiro mecânico é o Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) que é o órgão definido pelo governo federal para ser o responsável por realizar resoluções com as definições claras das funções de engenheiros e agrônomos. E os Crea’s (Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia) são os responsáveis por fiscalizar o que o Confea determinar.

Agora imaginem o trabalho que dá para um fiscal do Crea chegar em uma indústria ou uma fazenda ou, ainda, um hospital e ter que se atentar a todas essas atividades? Ele deve analisar, por exemplo, se nesses locais tem um plano de manutenção dos sistemas de condicionadores de ar (e se está sendo executado); se tem inspeções adequadas às normas em caldeiras e vasos de pressão, se as centrais de GLP têm armazenamento e distribuição bem dimensionados; se os elevadores e equipamentos de elevação e transporte tem projeto comprovando que a carga máxima descrita em alguma placa de aviso é a mesma que ele realmente suporta; e se os geradores de energia seguem todas as normas de segurança.

Após eles verificarem tudo, as empresas que tiverem alguma irregularidade devem contratar um profissional adequado para cumprir com as exigências. Sendo assim, realizando sua função primária, o Crea, indiretamente, auxilia na geração de demanda de projetos para os profissionais de engenharia e agronomia.

A fiscalização dentro do Crea-MT é tão importante que conta com 30 fiscais espalhados pelo Mato Grosso e que possuem anos de experiência e bastante treinamento nas normas de segurança do trabalhador e naquelas desenvolvidas pelo Confea, além disso, uma das missões de todos eles é auxiliar as empresas em como se regularizar e em como buscar ajuda para isso.

A mais nova atividade complexa que essa equipe está realizando é a de fiscalizar os 156 hospitais em 84 municípios do estado desde agosto desse ano. Já foram realizadas fiscalizações em 18 hospitais em 15 municípios da região do Araguaia e em 30 hospitais de 25 municípios da região Noroeste do Estado. Até o início de dezembro deste ano, mais 12 unidades hospitalares serão fiscalizadas.  E muitos dos aspectos que eles analisam na parte de engenharia mecânica são os que mencionei acima.

Então esteja preparado, colega engenheiro mecânico, para novos projetos que possam surgir e não esqueça de atualizar suas redes sociais para que essas empresas consigam te encontrar!

 

 

Priscila Bernardi Rockenbach-  conselheira suplente do Crea-MT e engenheira mecânica e de Segurança do Trabalho