Do Vira-Lata ao Pitbull
26 de agosto de 2026, às 16h47 - Tempo de leitura aproximado: 1 minuto
Como a ciência e o trabalho transformaram o antigo Jeca Tatu no motor forte que alimenta o mundo

Nelson Rodrigues estava errado. Pelo menos no que diz respeito às cercas que delimitam o interior deste país, o tal “complexo de vira-latas” foi atropelado pelo ronco dos motores. Durante décadas, a imagem que o Brasil urbano cultivava do próprio campo era moldada pela caricatura: o Jeca Tatu, de pés descalços, olhando o horizonte com desânimo. Um vira-lata resignado à própria pobreza.
Mas o tempo passou. O Jeca entrou na faculdade, aprendeu química e dominou os computadores. Trocou a enxada cega pelo satélite e a superstição pela biotecnologia. Nessa metamorfose, o vira-lata deu lugar a outro animal. O setor rural brasileiro transformou-se em um portentoso Pitbull.
Há quem olhe para essa figura com medo, fruto do desconhecimento. Mas quem conhece a lida sabe o que esse bicho representa: força pura, capacidade técnica e uma organização que funciona com precisão. O agro brasileiro hoje não pede licença; ele dita o ritmo. Tornou-se o motor que carrega nas costas uma parcela expressiva da economia nacional. Quando o país ameaça parar, é esse gigante que puxa o peso para a frente.
Ver o Cerrado produzir de forma fabulosa não é milagre, é o triunfo da ciência. O Brasil deixou de ser o primo pobre que recolhe migalhas. Tornou-se líder mundial em importantes cadeias do agronegócio, como soja, carne bovina e aves, garantindo alimentos para bilhões de pessoas ao redor do planeta. Cada grão exportado é um latido forte de quem sabe o seu valor.
A discriminação contra o campo virou miopia. Quem critica o agro no conforto do asfalto esquece que o prato chega cheio graças à obstinação do produtor. Está na hora de o Brasil aceitar a própria musculatura. Chega de complexo. O nosso agro é forte, é técnico e tem orgulho da sua linhagem. O outrora vira-lata agora é o líder da matilha global.