Com que roupa?
21 de agosto de 2012, às 15h12 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos
Ênio Padilha, engenheiro eletricista, especialista em Marketing para Engenharia. Site:www.eniopadilha.com.br
Em maio do ano passado escrevi um artigo chamado “Carta ao Engenheiro Recém Formado”, no qual me atrevo a apresentar meia dúzia de “recomendações” para o marketing pessoal e profissional dos colegas recém-formados. (o artigo está disponível no site www.eniopadilha.com.br)
Uma dessas recomendações é justamente com relação aos cuidados com a aparência física. Vestir-se bem, cuidar do cabelo, barba, mãos, sapatos… essas coisas do dia-a-dia.
O que deveria ser a recomendação mais óbvia (a mais indiscutível) acabou sendo a que tem sido a mais combatida. Vira e mexe e eu estou recebendo e-mails de leitores (a maioria estudantes, é bom que se diga) questionando essa sugestão. A maioria sob o mesmo argumento: “uma pessoa não deve ser avaliada pelas roupas que veste (ou como se veste) e sim pelo que ela sabe ou o que ela faz… Não importa como o engenheiro se veste ou como ele se apresenta. O que importa é a qualidade do serviço que ele faz…”
Lindo! Eu mesmo adoraria se as coisas fossem assim.
Eu também gostaria que o mundo fosse diferente, neste particular. Eu próprio seria muito mais feliz se as pessoas fossem avaliadas, julgadas e tivessem suas oportunidades dimensionadas apenas pelo seu valor interior. Pelo que sabem, pelo que dizem, pelo que fazem. E que o aspecto externo não tivesse nenhuma importância.
Porém, as coisas são diferentes no planeta Terra. E é aqui que vivemos. E, se queremos mudar algumas coisas no mundo precisamos aceitar algumas coisas como ponto-de-partida.
Um leitor, estudante de uma importante universidade brasileira, escreveu: “Quando concordamos com o que o Senhor escreveu, estamos valorizando cada vez mais este preconceito existente em nosso país.”
Escrevi um e-mail para ele com a minha resposta, que, na verdade é uma frase que eu uso insistentemente nos meus cursos e palestras: “Marketing, meu amigo, nada mais é do que administração de preconceitos”.
O marketing lida com a mente das pessoas. A mente das pessoas é um manancial interminável de preconceitos. Alguns são relevantes, outros apenas circunstanciais.
Essa questão de avaliar uma pessoa pela maneira como se veste é, sim, um preconceito. E daí?
Temos de lidar com esse preconceito. E, para lidar com ele, a primeira coisa a fazer é dimensionar a sua importância em relação aos nossos objetivos (estou partindo do pressuposto que o seu objetivo seja desenvolver uma boa carreira profissional de engenheiro…).
No dia-a-dia temos que enfrentar muitas coisas (algumas são manifestações de preconceitos sociais). Precisamos aceitar algumas, rejeitar outras, atacar algumas, contornar outras…
Quem faz uma faculdade de Moda, Filosofia, Antropologia ou qualquer outro curso da área social, pode e deve se vestir do jeito que bem entender, pois essa questão de “como se vestir” é uma coisa central no seu modo de transformar o mundo. É uma questão que precisa ser enfrentada.
Porém, quando você enfrenta cinco anos de uma faculdade de engenharia eu imagino que o seu objetivo prioritário não seja discutir a moda. Seu objetivo não é revolucionar a maneira de vestir das pessoas. Existem outras coisas que, para um engenheiro, importam muito mais.
Portanto, quando o assunto for moda (uma questão menos importante, para nós) sigamos o que rezam os preconceitos sociais vigentes. Esse é um preconceito a ser aceito e contornado, pois não se trata de uma questão central. Assim teremos espaço para as transformações que nos interessam: na engenharia e na nossa carreira profissional.