Desastres Naturais: Quem mais sofre é quem tem menos!

15 de março de 2017, às 12h21 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

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Neste artigo de opinião abordarei um comparativo didático entre situação de desastres naturais que ocorram no Japão, Chile e no Haiti, além de abordar alguns exemplos relacionados ao estado de Mato Grosso, e a realidade Brasileira. Para começar o debate, coloco uma pergunta provocativa:

 

Por é tão importante o estado desenvolver políticas corretas de uso e ocupação do solo e políticas de prevenção e mitigação de desastres naturais?

 

Além de evitar danos econômicos, evitar perdas de vidas, o desenvolvimento de políticas corretas pode auxiliar na proteção e desenvolvimento social, pois quem mais sofre e mais demora a se recuperar de uma situação de calamidade são as pessoas de baixa renda e que mais precisam de amparo do estado.

 

Em 2010 no Haiti, um terremoto catastrófico de magnitude 7,0 graus na escala Richter abalou o país causando a morte de ao menos 230 mil pessoas, deixando outras 300 mil feridas e mais de 1,5 milhão de haitianos desabrigados. No mesmo ano no Chile, um terremoto de 8.8 graus foi seguido de um tsunami deixando mais de 500 mortos que atingiu o centro e sul do país. Por fim, um terremoto de 9,0 graus de magnitude, também seguido de um tsunami, causou a morte ou desaparecimento de 18.000 pessoas no Japão em 2011. Além das vítimas, o fenômeno causou danos irreversíveis ao sistema de resfriamento de três reatores nucleares localizados na cidade de Fukushima, causando um desastre radioativo.

 

As três situações envolvem desastres naturais, entretanto a forma como os desastres ocorreram em cada país, e como cada um deles conseguiu reagir à tragédia, depende muito da condição econômica da nação, das medidas realizadas de prevenção a desastre e da capacidade de assistência nos momentos mais críticos.

 

No Brasil e em Mato Grosso a realidade não é diferente, principalmente quando se trata de inundações e deslizamentos. Devido à ausência de estudos técnicos adequados e em virtude de problemas graves nas políticas de usos e ocupação do solo e de habitação, muitas moradias são construídas em áreas de risco. Na maioria dos casos, são residências de pessoas humildes.

 

Embora seja comum nos períodos de chuva assistirmos notícias – locais ou nacionais – falando de famílias que perderam tudo em uma chuva ou um deslizamento,  vemos, infelizmente, os desastres naturais levar a construção de uma vida inteira de algumas pessoas definitivamente por água abaixo. Da mesma forma que os países pobres demoram a se recuperar dos desastres, as pessoas de baixa renda também possuem uma dificuldade maior em recuperar o que perderam durante as adversidades da natureza. Por isso, é tão importante o estado fazer seu papel de desenvolver políticas de habitação e de uso e ocupação do solo adequadas e, fundamentalmente, embasada em estudos técnicos.

 

 

Caiubi Kuhn

caiubigeologia@hotmail.com

Geólogo e Mestre em Geociências;

Docente do Instituto de Engenharia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); 

Conselheiro-Titular do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-MT); 

Diretor de Benefícios e Relações Sindicais do Sindicato dos Geólogos do Estado de Mato Grosso (SINGEMAT); 

Presidente da Associação de Geólogos de Cuiabá (GEOCLUBE);