O quinteto do desenvolvimento racional

21 de agosto de 2012, às 15h12 - Tempo de leitura aproximado: 2 minutos

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Sátyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Em 06/09/2004

Esta é uma semana onde o país tenta analisar o seu nível de independência em relação ao contexto mundial. Essencial ressaltar que o Brasil, nos últimos meses, vem obtendo vitórias importantes no cenário internacional no setor agropecuário. O Brasil atua fortemente contra a política de subsídios agrícolas dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. Também procura liderar um movimento de países em desenvolvimento para fortalecer caminhos alternativos de comércio. São iniciativas interessantes, mas é preciso um pouco mais.

Independentemente de posição política, importante realçar que o presidente Lula é um hábil negociador, desde os tempos das greves no ABC. Tanto que conseguiu ter como ministros duas lideranças empresariais: Luiz Fernando Furlan e Roberto Rodrigues, das pastas da Indústria e da Agricultura, respectivamente. E são ministros fortes, que conseguem trabalhar distantes das reentrâncias do poder. Por outro lado, Lula dá amplo espaço para a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, para que – com seu perfil técnico – consiga buscar saídas para a crise de energia que assombra o Brasil. Juntam-se a esses três os ministros Ciro Gomes e Marina Silva, que cuidam da Integração Nacional e do Meio Ambiente, e temos um quinteto que precisa de tranqüilidade para trabalhar e buscar a independência que o país almeja.

Penso que da ação desses cinco ministros deverá vir a principal contribuição do atual governo, gerando resultados inclusive para as demais áreas. Todo governo deixa contribuições positivas e negativas ao país. Fernando Henrique Cardoso será reconhecido pela História como o presidente que conseguiu garantir a estabilidade econômica. A definição sobre o reconhecimento ao presidente Lula, penso, virá da conjugação desses cinco ministros.

Desenvolvimento racional, com respeito ao meio ambiente e valorização das diferenças regionais: esse é o conceito que o grupo Furlan, Rodrigues, Ciro, Marina e Dilma tem a responsabilidade de analisar. Certamente, possuem diferenças entre eles, mas todos têm conseguido dialogar mesmo em assuntos árduos, como sobre a política de transgenia ou sobre o peso do licenciamento ambiental nas atividades econômicas. Se os ingredientes que cada um desses ministros oferecem ao país seguir a dosagem do debate amadurecido, certamente o Brasil poderá degustar um bolo de progresso sócio-econômico, mesmo com as dificuldades econômicas inerentes a um país da América Latina.

Certamente, há outros ministros importantes para o país, mas não com tamanha ligação ao tronco central da racionalidade de desenvolvimento. Logicamente, o trabalho do quinteto depende do sucesso da equipe econômica. Mas de nada adiantaria a vitória da equipe econômica se nas pastas que envolvem o quinteto estivessem pessoas outras com capacidade aquém do que queremos. Resta-nos portanto aguardar e torcer para que a capacidade técnica desse quinteto não seja atrapalhada pelas nervuras do poder.
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