O extrativismo
21 de agosto de 2012, às 15h12 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos
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Rubem Mauro Palma de Moura, engenheiro civil e sanitarista, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental. E-mail: rubemauro@bol.com.br. Artigo veiculado no jornal A Gazeta – MT
O extrativismo é uma opção econômica, altamente rentável, independente do bem extraído da natureza, porém em todas as suas modalidades, lesivas ao meio ambiente. A pesca comercial, praticada em águas interiores, a assim chamada “pesca profissional”, é com certeza, altamente degradante.
Em nenhum país do mundo onde ela foi ou continua sendo praticada, que não tenha levado a um grande transtorno ambiental. No Brasil, a bacia Amazônica, que tem dimensões oceânicas, já tem apresentado provas da exaustão da fauna ictiológica, com diminuição do número de indivíduos nos cardumes, diminuição do número de cardumes, e a prova inconteste dessa destruição é a predominância de elementos jovens na sua composição.
Há muitos anos, o meu saudoso e inesquecível pai, Clovis Pitaluga de Moura, empunhou a bandeira da defesa do nosso Pantanal, tendo como uma de suas maiores lutas a tentativa sempre frustrada de se acabar de vez com a pesca profissional que na maioria das vezes é predatória. Os dados quanto a isso estão dispostos nos órgãos afins, como por exemplo, Fema e Ibama, onde 95% da apreensão recai sobre a categoria dos pescadores profissionais.
Essa exaustão dos cardumes que já se vislumbra sobre a bacia Amazônica, na bacia do Alto Paraguai, há muito tempo, infelizmente já ocorreu. Os peixes em abundância em todos os nossos rios são lembrança do passado. A pesca profissional e a amadora turística ainda têm encontrado alguma resposta positiva, quando praticada no baixo Pantanal, na região de Porto Jofre. No caminhar da saga destruidora com que os predadores atuam, lá também será a exemplo da região de Barão de Melgaço destruída em breve.
A imprensa nacional mostrou-nos os desastres ambientais ocorridos na baia de Paranaguá, pela explosão de um navio. O ministro da Pesca determinou de imediato o pagamento de um seguro, em contrapartida, pela impossibilidade da atividade da pesca pelos profissionais da região. Muito justo.
Aqui, ao contrário, todos os anos, durante o período de defeso, os pescadores profissionais são agraciados com essa benesse, mesmo sabendo-se que uma grande maioria deles são contraventores reincidentes. É a única categoria profissional que recebe seguro na entressafra, em uma atividade extrativista altamente degradante. Se tudo isso não bastasse, a última do Ministério da Pesca é fortalecer essa atividade, dando-lhes estruturas necessárias para que possam fazer com mais força a destruição dos nossos rios. Com financiamento público estão aparelhando as colônias de pescadores profissionais com novas embarcações, câmaras frigoríficas, sonares e outras parafernálias que possam facilitar o extrativismo e portanto a aceleração da degradação ambiental, em vez de investir com tecnologia na criação em cativeiro, dando a esses profissionais meios de se manterem sem agredir a natureza e de maneira mais digna.
É triste constatar que pessoas que bradavam pela preservação ambiental são hoje incentivadores da sua destruição.
Essa atividade, fortalecida pelos incentivos proporcionados, com certeza acelerará a exaustão dos cardumes, hoje tão fragilizados, inviabilizando de vez a atividade do turismo da pesca esportiva e a vida dos ribeirinhos que vivem da pesca da subsistência, assim como o acesso às futuras gerações.