Trabalhos técnicos revelam interesse em fruticultura
28 de agosto de 2014, às 18h51 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos
Em pouco mais de dois meses, 1,5 mil trabalhos técnicos foram inscritos para serem expostos e avaliados durante o XXIII Congresso Brasileiro de Fruticultura, realizado em Cuiabá (MT), de 24 a 29 de agosto.
Do total, 970 foram aprovados para apresentação oral ou em pôsteres – a maior parte veio de São Paulo e Mato Grosso – e todos os apresentados durante os seis dias de evento passaram pelo crivo de mestres e doutores – avaliadores e consultores ad hoc– convidados pela organização do congresso, comandada por João Pedro Valente, professor da Universidade Federal de Mato Grosso, no evento promovido pela Sociedade Brasileira de Fruticultura (SBF).
Tanto para a organização quanto para a SBF, o congresso com a adesão de 600 participantes, a grande maioria estudantes, profissionais, pesquisadores, empresários, e professores, não teria sido possível sem as parcerias feitas com empresas privadas e órgãos públicos, como o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MT), e a Mútua, que instalaram dois estandes entre os dez reunidos pela Feira Tecnológica, montada no Pavilhão das Feiras do Centro de Eventos do Pantanal, local de todas as atividades do congresso.
“Caminho sem volta”
“Sem a ajuda de todos não teríamos conseguido realizar um evento que reúne e compartilha conhecimentos visando melhorar a produtividade do setor, que é uma alternativa promissora principalmente para os pequenos e médios produtores rurais”, afirma João Pedro.
Para Abel Rebouças São José, presidente da SBF – entidade que incentiva a pesquisa científica e conta com 700 associados –, o desafio futuro e sempre atual da entidade é disseminar conhecimentos para ativar o interesse pelo setor. "E isso só é possível com a participação de entidades de classe, academia, setor empresarial, governos federal e estadual por meio de ministérios e secretarias, e órgãos de regulação. O Congresso sempre é resultado da força de um grupo com um mesmo objetivo. E esse caminho não tem volta”.
Olhares atentos
Dez minicursos, seis conferências, sete mesas-redondas debatendo diversos assuntos afetos à fruticultura, e quatro sessões orais que se estenderam por todas as tardes com a apresentação oral de trabalhos técnicos sobre os mais diversos aspectos de mais de uma dezena de cultivares – da qualidade dos frutos do morangueiro à conservação da lichia com o uso de revestimento e refrigeração – nada parece escapar do olhar atento de uma juventude que se revela interessada, apaixonada pela profissão e especialização que escolheu.
Tensão, expectativa e foco
Entre os estudantes com trabalhos expostos em pôsteres, Paulo Augusto Pereira Lopes era um dos que na manhã da quarta-feira (27/8) anexava seu trabalho num dos pôsteres fixados na Feira Tecnológica.
Estudante do 10º período de agronomia na Universidade Estadual de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, Paulo pôde desenvolver parte do trabalho do professor Eugênio Coelho, professor e pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, “Avaliação de genótipos de bananeira sob irrigação em condições semiáridas do Norte de Minas Gerais”. Paulo está preocupado em combater o Mal do Panamá, criando espécies resistentes como Princesa que é, segundo o formando, uma boa opção de mercado em relação à banana prata, e ajuda a desenvolver genótipos para vários cultivares.
A expectativa de ter seu trabalho avaliado é uma oportunidade única, uma experiência de vida que valoriza a formação profissional. “Desenvolvi o trabalho, que sofreu correções para uma nova avaliação”, diz Paulo, ainda tenso com a aprovação que aconteceu poucos minutos antes de ele receber a autorização para instalar o resumo de seu trabalho entre os reconhecidos pela importância da pesquisa realizada.
Um dos 18 formandos de sua turma, Paulo dá as medidas para que uma boa formação profissional dê frutos: “É preciso 100% de atenção, mais 100% de atenção, mais 100% de atenção. Se não focar, não se forma”.