De acordo com alguns dicionários e estudiosos da língua portuguesa, a terminação “eiro” costuma ser usada em adjetivos e substantivos que designam profissões, como por exemplo: Quem explora atividade de garimpo é garimpeiro; quem explora madeira é madeireiro; quem explora petróleo é petroleiro e quem explora floresta de pau-brasil… Desta forma, devemos ser “brasileiros” em função deste termo, que durante o período colonial, designava aquele que explorava florestas com o pau-brasil, fosse com sua extração ou com sua comercialização.

    Sobre consumir recursos florestais, me remete ao fato que historicamente o “Dia da Árvore” se iniciou no estado norte-americano de Nebraska. Em 1872, John Stirling Morton, que se acredita ter sido um lenhador, percebendo a escassez de matéria prima florestal, convenceu a população a dedicar um dia do ano à plantação ordenada de diversas árvores. Tal fato justificou que nos Estado Unidos fosse adotado o dia 23 de setembro como Dia da Árvore, coincidindo com o dia do nascimento de John Morton.

    Atentem que a proposta desse dia não é para fazer poemas, não é para fotografar, não é para idolatrar nem declarar amor às musas árvores, não é para fazer discursos políticos ou ideológicos, o dia teve um objetivo pragmático… Um dia do ano em que todas as pessoas se dedicassem a efetivamente a ação de plantar árvores.

    No Brasil, em função da escassez de água que assolava a cidade do Rio de Janeiro, D. Pedro II ordenou o plantio da Floresta da Tijuca, em 1861, considerada atualmente a maior floresta urbana do mundo, sendo considerada uma das primeiras políticas públicas florestais de recuperação ambiental com espécies nativas. Depois disso, não me lembro de outra ação que efetivamente tenha resultado semelhante na nossa política florestal. Política Florestal, conforme o pesquisador Gron (1947) escreveu em seu trabalho “The Economic Foundations of Forest Politics”, é “o conjunto de medidas que o Estado ou as coletividades locais podem tomar para salvaguarda o interesse geral na gestão e exploração das florestas”.

    No Brasil, o Decreto nº 55.795, de 24 de fevereiro de 1965 instituiu, em todo território nacional, a Festa Anual das Árvores, em substituição ao chamado “Dia da Árvore”. Este Decreto definia que a “Festa Anual das Árvores” deveria ser comemorada no final do mês de março nos estados da Região Norte e Nordeste e, na semana do dia 21 de setembro, nos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste.

    Depois, o Novo Código Florestal de 1965 (Lei 4771 de 15/09/1965, que se encontra atualmente revogada) instituía, em seu artigo 43, a Semana Florestal, que deveria ser comemorada, obrigatoriamente, nas escolas e estabelecimentos públicos, através de programas objetivos em que se ressaltassem os valores das florestas, face aos seus produtos e utilidades, bem como, sobre a forma correta de conduzi-las e perpetuá-las.

    Quase um século depois da iniciativa de John Stirling Morton, em 1971, vislumbrando sensibilizar as pessoas acerca da importância da existência das florestas para a manutenção da vida e a necessidade de conservá-las, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) propôs o Dia Mundial das Florestas. Dessa maneira, em 21 de março de 1972 (início da Primavera no Hemisfério Norte) foi comemorado o primeiro Dia Internacional (ou Mundial) da Floresta em vários países do mundo.

    A Lei 12.651, de 25/05/2012, que atualmente trata de proteção as floresta no Brasil e substituiu o Código Florestal, não faz mais referências a comemorações do dia da árvore ou floresta.

    Atualmente nós brasileiros poderíamos ter outras denominações como cedreiros, copiubeiros, cambarazeiros, etc (as árvores de cedrinho, copiúba e cambará foram as três espécies mais comercializadas nos últimos 5 anos, oriundas da floresta amazônica, em especial no Estado de Mato Grosso). Lembremos que a maior floresta tropical do mundo, não obstante, ocupe áreas em nove países sul americanos, cito, Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, não é a maior floresta do mundo.

    Chegamos onde queria, na Taiga Siberiana, a maior cobertura florestal do planeta que ocupa uma área de mais de 11 milhões e 300 mil quilômetros quadrados (área maior que todo o território brasileiro), que se localiza principalmente na Rússia, mas com extensões em outros países, constitui a maior floresta contínua da Terra. Nela a diversidade biológica é pequena se comparada com a Amazônia, mas o fato que muito nos interessa é o seguinte: a Taiga foi plantada, teoricamente, como uma barreira natural aos ventos gelados da Sibéria.

    Voltando ao Brasil, uma curiosidade acerca da espécie de árvore que exploramos sem plantar, que deu nome ao nosso país, o Pau-Brasil (Caesalpinia echinata), foi declarada nossa árvore nacional, conforme a Lei nº 6.607, de 7 de dezembro de 1978, que ainda institui, mas não diz quando, o dia do Pau-Brasil. Existiu ainda projeto de lei PL 3380/61 que pretendia declarar o pau-brasil e o ipê-amarelo (Tabebuia alba atualmente Handroanthus albus), respectivamente, Árvore e Flor Nacionais, porém este projeto não foi aprovado. Existiram ainda os projetos de lei nº 2293/74 e 882/75 objetivando tornar o Ipê Amarelo como flor nacional, também sem sucesso, daí vem a confusão do ipê amarelo ser por vezes declarada (equivocadamente) árvore símbolo do Brasil.

    Coincidentemente ou não, o dia 21 de março, além de marcar o Dia Mundial das Florestas, também é o dia em que ocorre o Equinócio, termo de origem latina aequus (igual) e nox (noite), indicando dia do ano quando o dia e a noite têm mesma duração (de 12 horas). Além de 21 de março, o equinócio ocorre também em setembro (22 de setembro este ano), quando há mudança de estações. Talvez tenha sido essa a intenção, aguardando também, além da mudança de estações, uma mudança de atitude das pessoas: a de sair da inércia da adoração as árvores e, partir para a ação de plantar árvores.

    O dia Internacional ou Mundial da Floresta ou da Árvore, 21 de março, foi criado pelo convencimento da necessidade que temos de que toda pessoa deve dedicar um dia por ano para plantar. A proposta deste dia é ativa, pegar pá, enxada e regadores e o mais importante, dedicar tempo para cuidar posteriormente do que se plantou.

 

*Marcos Antônio Camargo Ferreira, Bacharel em Engenharia Florestal e Mestre em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela a UFMT; Doutor em Ciências Florestais / Manejo Florestal pela Universidade de Brasília.  Servidor Público do Estado de Mato Grosso, ocupa atualmente o cargo de Superintendente de Educação Ambiental da SEMA-MT