“O principal objetivo é chamar a atenção para a necessidade de engajamento genuíno, desafio que todas as organizações desejam para a sua força de trabalho. Nos últimos anos houve uma grande transformação na compreensão das instituições em relação ao tema. Atualmente percebemos que vários assuntos correlacionados à humanidade invadiram as organizações, a exemplo da motivação, proposito, desafio da diversidade, sustentabilidade, confiança, empatia e ética. Temas recentes no enfoque das disciplinas da Administração de Empresas. A ideia é chamar atenção para essa mudança, mostrando que a transformação de uma organização é tão necessária e, não se dá apenas apertando um botão ou instalando um software. Comum e muito fácil a gente se transformar em profeta da mudança para fora, ou seja, querer que os outros e a realidade mudem, mas não existe uma transformação genuína sem um envolvimento mais profundo das pessoas”, explanou Zeca de Mello durante a sua palestra “ A Arte de Engajar Pessoa”, realizada quarta-feira, 09 de outubro aos colaboradores do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Maro Grosso (Crea –MT), no auditório Eng° Civil Rubens Paes de Barros do Crea Mato Grosso.

Durante a palestra Zeca de Mello citou as que considera as três melhores pedagogas da vida: as crises, as crianças e a empatia. E arrematou com a importância da inteligência emocional: “A pessoa emocionalmente inteligente é capaz de expressar ternura e afeto; de lidar com a inveja, o rancor e a angústia; de criar empatia e despertar confiança”. E deixou um exercício: “Nos próximos dias, visitem uma pessoa e conversem com ela, pessoalmente. Só usem recursos tecnológicos se a distância for muito grande”.

O palestrante Zeca de Mello, que é renomado professor de Administração na área de Humanidade e Gestão das Fundações Dom Cabral e Getúlio Vargas e palestrante com vasto conhecimento em liderança, educação humanística e engajamento corporativo, explicou que o tema dá ênfase ao comprometimento da força de trabalho. E isso não é feito só em troca de recompensas extrínsecas, que é a “cenourinha”. O engajamento genuíno é produzido por meio de pessoas autenticamente motivadas. É fato que a motivação não vem somente de fora, é claro que todo mundo quer ganhar melhor ter condições melhores de trabalho. As recompensas extrínsecas estão relacionadas a esses aspectos, a exemplo de salários, benefícios, ambiente de trabalho, o mesmo status que você tem. Muitas pesquisas de instituições sérias mostram que o engajamento mais genuíno se dá por meio de autonomia no trabalho, o ambiente onde a pessoa sente que ela está desenvolvendo excelência, por fim também um proposito que a gente vê como as empresas hoje estão preocupadas com seus valores, crenças, propósito e sua missão.

Ainda de acordo com o palestrante, as organizações conseguem de fato ter finalidade compartilhada. Isso resulta em extrair o melhor da energia das pessoas. Em um mundo acelerado, a inovação se faz necessária, isso é fruto da colaboração das pessoas. A inovação não vem de uma cabeça sozinha, ela sempre pede as diversas perceptivas, combinação da ideia das pessoas, a implementação de uma criatividade, necessitando da diversidade. É decisivo ajudar desenvolver um ambiente, por tanto uma cultura. A ideia de cultivo, é produzir o engajamento, considerado uma ferramenta fundamental. Não é algo que se faz de forma automática, mas responsabilidade compartilhada de todos. Portanto é necessário ajudar a criar e manter vivo um ambiente, na qual as pessoas desejam colaborar, a tarefa não é só da liderança, a última análise é de todas as pessoas, que fazem parte da equipe.

“Buscamos chamar a atenção à importância da aprendizagem continuo. De aprender, desaprender e reaprender. Conforme o pensador norte-americano Alvin Toffler (1928-2016): “O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender. Dei uma ênfase especial ao tema da desaprendizagem, mostrando que o assunto não é jogar fora o que aprendeu, e sim tomar distância, exercitar novas disposições ou perspectivas, aí entra a importância da empatia, se colocando no lugar do outro. Criar um ambiente e cultura de confiança, requer a transformação pessoal, exigindo não só reflexão, também exercícios práticos.

O presidente do Regional Mato-grossense, João Pedro Valente, ressaltou que a palestra faz parte de ações que vêm sendo desenvolvidas para o desenvolvimento humano e das boas relações, no sentido de buscar o acolhimento e trabalhar aproximação da nossa família “Crea”. “ Estamos em um momento na nossa vida e de convivência no Conselho, e isso está nos exigindo aprender e a desaprender. Passamos por um momento em que a sociedade está nos questionando a todo o tempo os modos operantes do Crea-MT, e o tema abordado pelo Zeca de Mello veio como uma luva. Em utilização da analogia da palestra com a nossa realidade, ficou muito aprendizado para todos, que amanhã serão pessoas diferentes”, explanou João Valente.

A gerente do setor de Gestão de Pessoas do Crea-MT, Francielle Oliveira, informou que na atual gestão do Presidente João Pedro Valente, com intuito de valorizar as pessoas que compõem o quadro funcional, a Gestão de Pessoas foi implantada no primeiro ano do mandato, a partir de então, estamos todos empenhados em trazer uma nova abordagem de gestão, a gestão por competências. Neste primeiro ano de gestão foi intenso e com muitas oportunidades aos empregados públicos do Crea-MT. Em nosso primeiro projeto de capacitação corporativa, foram realizados 6 cursos, com temas variados, da Ética e Marketing Pessoal e Organizacional, Comunicação Assertiva, Gestão de Rotinas com Foco em Resultados e outros e, ainda um Curso especial, para Formação de Líderes. Nesta fase, finalizamos o primeiro Programa de Capacitação Corporativa –PTCC, com a Palestra magna do Professor Zeca de Mello “ A Arte de Engajar Pessoas”. Sempre vislumbrando o desenvolvimento humano: pessoal e profissional. Encerramos o primeiro projeto de capacitação corporativa, que foi realizado, por meio do Convênio com o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Sistema Confea/Crea e Mútua (Prodesu). O projeto foi aprovado em dezembro de 2018, tendo iniciado em fevereiro.

O superintendente Operacional do Regional Mato-grossense, Giovani Marcos Bertol, avaliou a palestra como mais uma ferramenta que será utilizada no dia a dia, tanto na vida pessoal como profissional. “ Enfrentei muitos desafios, positivos e negativos durante a vida. Tanto pessoal como profissional, usei as dificuldades e enfrentamentos como aprendizado. Ninguém é melhor que ninguém mas sou o que sou hoje, por superar esses objetivos e levar para o lado bom da situação, relatou Giovani.

Para a assessora técnica do Crea-MT, Engª sanitarista Sara Suely Atílio Caparossi, esse é o momento para refletir e desaprender. “ Não estamos acostumados com isso. Como diz a costumeira síndrome popular da Gabriela. “ Eu nasci assim, eu sou assim e vou morrer assim”. E na verdade não é assim. O homem satisfeito não é feliz, por ficar na zona de conforto. Ele não busca aprender, para o homem está bom, a partir daí viverá uma tristeza, até chegar ao tédio. Com esse exemplo, é necessário o engajamento.

A estagiária do setor jurídico do Conselho, estudante Heayun Pereira Correia, disse que a prática da pessoa mostrará que realmente não só aprendeu, mas testemunhou, que aquilo que se pratica é real e tem grande diferença. “ O meu pai é haitiano, tenho duas culturas dentro de mim, a brasileira e Haitiana. Uma das coisas que sempre aprendi quando era criança, como tenho que agir, não só falar, mostrar atitude através da prática”, simplificou a estudante.

O evento teve o apoio do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG-Cuiabá). A instituição de ensino sorteou alguns brindes e um voucher de curso rápido com bolsa 100% para os colaboradores que assistiram a palestra.

Currículo do palestrante: Zeca de Mello é um renomado professor das Fundações Dom Cabral e Getúlio Vargas e palestrante com vasto conhecimento em liderança, educação humanística e engajamento corporativo. Zeca de Mello dedicou 12 anos de sua vida como sacerdote, período em que estudou filosofia e fez doutorado em teologia na Universidade Gregoriana de Roma. Após deixar a batina, o ex-padre decidiu continuar engajando pessoas com sua visão ímpar de perceber as pessoas e o mundo, mas, dessa vez, nas salas de aula e palcos empresariais por todo o país.

 

Texto: Cristina Cavaleiro/Fotos: Igor Bastos/Equipe de Comunicação do Crea-MT