Em homenagem ao Dia do Engenheiro Florestal, comemorado em 12 de julho, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), conversou com o presidente da Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (Amef-MT) e conselheiro do Crea-MT, Benedito Carlos de Almeida, sobre o trabalho  desse profissional e da Entidade de Classe que compõe o Plenário do Regional. Benedito Carlos é formado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na década de 90 e possui mestrado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Atua na área há 18 anos e além de conselheiro do Crea-MT, trabalha no setor de licenciamento de propriedades e de indústria madeireira. Desenvolve atividade de manejo florestal, na qual capacita a equipe técnica de alguns empreendimentos na área de extração de madeira.

Gecom- Há quanto tempo existe a Amef-MT e quantos filiados possui a entidade?

Benedito Carlos– Atualmente a Associação é composta por mais de 400 profissionais da Engenharia Florestal filiados. Com 39 anos de existência, o principal objetivo da Amef-MT é capacitar os profissionais que fazem parte do processo de desenvolvimento da entidade. A engenharia mato-grossense está passando por um processo de transformação. O foco dos profissionais da área florestal era trabalhar com o manejo em floresta nativa, porém a realidade de Mato Grosso atualmente é outra. O manejo está restrito, e, esses engenheiros florestais acabam se adaptando em um mercado de trabalho ligado aos outros setores da área florestal.

É, dessa forma que vemos a necessidade de capacitar esses profissionais através de cursos, palestras e workshops. Para fortalecer ainda mais a entidade, é preciso criar mecanismos de atração, ou seja, a oferta de qualificação através da Amef-MT, para atrair o profissional que ainda não se filiou a entidade.  Esse é o melhor caminho da valorização dos profissionais. Eles precisam estar informados com as atualizações das gestões ambientais. Hoje a lei exige uma coisa e amanhã já muda.  Por isso a Amef, promove essa atualização, e mantêm os profissionais informados das mudanças exigidas pelo mercado de trabalho.

Gecom- Como o senhor avalia a relação entre Crea-MT e as entidades de classe, a exemplo da Amef-MT?

Benedito Carlos–  O Conselho é formado pelas entidades de classe e os conselheiros vêem delas para formar o Plenário. Os Conselheiros também integram a máquina do Crea-MT e ajudam o presidente a fazer uma gestão transparente. Entendo que não é somente o Crea-MT que deve ser cobrado pela qualidade dos serviços prestados, as entidades também têm sua responsabilidade.  Por isso devemos andar juntos.

Em abril, deste ano por exemplo, o presidente do Crea-MT reuniu com representantes de várias entidades  que  compõem  o Conselho para debater sobre o chamamento público e parcerias que o Regional pode realizar de forma corresponsável para contribuir conosco.  Além de pacificar o entendimento da representatividade do Crea-MT em eventos ligados ao Sistema Confea/Crea e Mútua. O encontro mostrou que o presidente do Crea-MT está preocupado com as atividades realizadas pelas entidades. E que o objetivo é de aproximar as necessidades e reivindicações das mesmas, tanto no suporte financeiro, como na participação efetiva do Crea-MT, com as entidades de classe, já que elas fortalecem o Conselho.

Gecom- Qual a importância de um engenheiro florestal para a sociedade moderna e o que faz esse profissional?

Benedito Carlos-  Com a diversidade das engenharias, pode ser um tanto complicado identificar a importância de um engenheiro florestal. Para responder esse tipo de questionamento, precisamos considerar o cenário em que o mundo vive hoje. Com a intensa exploração de recursos naturais, torna-se cada vez mais necessária a atuação de um profissional que coordene a extração de matérias-primas na demanda industrial, de modo que a ação humana traga o mínimo de impacto à natureza. Há tempos, a atuação do engenheiro florestal restringia-se às indústrias de madeira, carvão e celulose. Com o passar dos anos, a humanidade passou a entender a importância de um engenheiro florestal em demais áreas ligadas ao meio ambiente. Com noções sobre ecossistema e sustentabilidade, esse profissional propõe mudanças que buscam a harmonização entre o homem e a natureza. Por exemplo no auxílio à agricultura de subsistência, na fiscalização de desmatamentos e queimadas ilegais, na consultoria ambiental para empresas, no trabalho em silvicultura ou no manejo florestal, entre outros.

Gecom- Quais os trabalhos que a Amef-MT pode destacar neste primeiro semestre de 2018?

Benedito Carlos- A Amef-MT vem desenvolvendo trabalhos junto à Sema-MT, a Seaf-MT, ao Crea-MT e à Assembleia Legislativa. Como a Câmara Setorial Temática (CST) em favor do Desenvolvimento da Engenharia, através de debates sobre a proposta de criação da lei de Valoração para Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e Áreas de Preservação Legal (ARL), com base na metodologia de valoração de serviços ecossistêmicos no estado estabelecida pelo TEEB (sigla em inglês para “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade”). A Associação também está presente na Câmara Técnica Florestal (CTF) da Sema-MT, além do MT Floresta que define a forma de compensar os danos ambientais de compra de reposição florestal. E, na implantação de viveiros com diversas mudas de espécies florestais.

*Equipe de Comunicação do Crea-MT