A entrevista deste mês de julho destaca o trabalho desenvolvido pelos profissionais    que estudam a dinâmica das florestas e seus ecossistemas e desenvolvem projetos de exploração dos recursos florestais com o objetivo de minimizar os impactos ambientais. Para homenagear os engenheiros florestais do Sistema Confea/Crea pelo dia, comemorado em 12 de julho, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT) entrevistou dois profissionais da área da engenharia florestal que fazem parte da Associação Mato-Grossense dos Engenheiros Florestais (Amef-MT).

ENTREVISTA 01 – O primeiro entrevistado é o vice-presidente do Crea Mato Grosso, Joaquim Paiva de Paula. Formado em engenharia florestal pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em julho de 1983, o vice-presidente do Regional Mato-Grossense, trabalhou no Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) e na Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) quase 30 anos, atualmente aposentando como servidor público da Sema-MT.   Nos dois órgãos, Paiva atuou na área de defesa, com recursos naturais, pesqueiro, madeireiro, climático fauna e fiscalização florestal.

Gecom- O que levou a escolher o curso de Engenharia Florestal?

Joaquim-  nasci e cresci na zona rural. Meu pai era pequeno agricultor e me levava sempre nas matas quando era criança, e isso me fez inspirar pelas grandes arvores. Desde pequeno, gostava de plantar culturas perenes, como manga e laranja.

Foi dessa forma que decidi pelo curso de engenharia florestal em 1976 no Colégio Agrícola. Só depois foi implantado o curso de Engenharia Florestal na UFMT.

Gecom- Quais seguimentos esse profissional pode atuar?

Joaquim- A engenharia florestal é uma profissão bastante ampla. Não é só planejar a exploração da floresta, que é uma atividade. Podemos trabalhar desde o clima, ecologia, na parte de recuperação de áreas degradadas, além da recomposição da floresta e levantamento florístico. Existe um conjunto de atividades ligado a profissão. O curso está direcionado diretamente a floresta, ou seja, qualquer ação desenvolvida tem que está ligada ao meio.

Gecom- O que faz um engenheiro florestal?

Joaquim-Atualmente um engenheiro florestal em Mato Grosso trabalha com licenciamento ambiental em toda atividade passiva licenciada, conforme a resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

Para licenciar uma usina hidrelétrica, por exemplo, aquela   mata em volta do rio precisa ser literalmente dizimada. Então é preciso fazer o levantamento florístico, saber quais espécies existem ali e medir esse material para ser retirado, onde essa área será alagada. Depois na própria recuperação da margem, saber quais espécies irão se comportar.

O engenheiro florestal também estuda mata na transformação de pecuária  para o plantio de soja, algodão e outras culturas. Essa é uma atividade de responsabilidade do profissional da engenharia florestal. Lembrando que qualquer licenciamento que trata da parte rural é de nossa responsabilidade.

ENTREVISTA 02- O conselheiro do Crea-MT e coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Florestal do Crea-MT, Benedito Carlos de Almeida formou Engenharia Florestal na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em setembro de 1999 e mestrado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Sempre atuou em instituições, órgãos públicos e empresas particulares no Estado de mato Grosso.

Exercendo a função de consultor Técnico em atividades ligadas ao meio ambiente, como realização de censo florestal, elaboração de projeto de manejo florestal, condução das atividades de campo, planejamento de exploração florestal, elaboração de relatório técnico e de Licenciamentos Ambientais.

Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (Ibama), por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), desenvolveu projetos como: Jamanchim de Manejo Florestal Sustentado, do  Projeto de Apoio ao Manejo Florestal Sustentável na Amazônia (ProManejo) e o Programa Piloto de Proteção das Florestas Tropicais (PPG7).

Gecom- O que o levou a escolher Engenharia florestal como curso de graduação?

Benedito- Fazer um curso do qual iria me possibilitar fazer parte do processo de recuperação do meio ambiente, por meio de práticas sustentáveis e do desenvolvimento de tecnologias que garantam o abastecimento da indústria e a preservação da natureza me fascinou, despertando interesse pelo curso.

Gecom – O que faz um Engenheiro florestal?

Benedito- O profissional da Engenharia Florestal é preparado para implantar técnicas de exploração sustentável de recursos florestais dos mais diversos biomas. Ele também pode atuar em atividades de recuperação de áreas degradadas, licenciamento ambiental, conservação, geotecnologia e em indústrias que utilizam recursos naturais.

Gecom- Em quais segmentos este profissional pode atuar?

Benedito-O profissional Engenheiro Florestal pode atuar nas seguintes áreas: Gestão Ambiental onde desenvolve atividades no     Gerenciamento de unidades de conservação e preservação ambiental, Manejo integrado de bacias hidrográficas, Elaboração e execução de projetos de arborização e paisagismo, Manejo da Fauna Silvestre,        Estudo de impactos ambientais, Elaboração de relatórios de impactos ambientais, Zoneamento ambiental, Planejamento de propriedades rurais, Silvicultura, onde desenvolve atividades em Desenvolvimento de tecnologias referentes à produção de sementes e mudas florestais, ornamentais e medicinais, Aplicação de técnicas de florestamento e reflorestamento, que é a implantação e conservação de florestas Desenvolvimento de tecnologias ligadas ao melhoramento florestal.

Bem como Proteção Florestal, Desenvolvimento de técnicas de sistemas silviculturais em geral. Desenvolvimento de sistemas agrossilvipastoris. Tecnologia de produção de culturas regionais – Silvicultura Regional, Tecnologia de aproveitamento/produção de produtos não madeireiros (secundários) da floresta. Geotecnologia – onde desenvolve atividades em: Gerenciamento de programas (“software”) ligados às áreas florestais e ambientais.

Gerenciamento de Cadastros Multifinalitários, Mensuração Florestal, onde desenvolve atividades em   quantificação de produtos florestais madeireiros e não-madeireiros, quantificação da biomassa florestal, Modelagem e simulação florestal.              Monitoramento do crescimento e produção florestal. Quantificação e avaliação técnica-econômica de usos múltiplos da madeira, Desenvolvimento e avaliação de instrumentos empregados em medições florestais. Desenvolvimento e avaliação de métodos estatísticos empregados na quantificação dos recursos florestais.

Manejo Florestal – onde desenvolve atividades na Política e Legislação Florestal e Ambiental – licenciamento de projetos, Organização e administração de empresas e projetos florestais. Organização Florestal, planejamento e gerenciamento da produção florestal em florestas naturais e plantadas e em áreas com sistemas agroflorestais, colheita e transporte de produtos florestais, tecnologia de Produtos Florestais na qual desenvolve atividades de Identificação e caracterização da madeira, processamento mecânico da madeira, propriedades físicas e mecânicas da madeira, secagem e preservação da madeira. Processamento industrial da madeira e seus derivados de construções Florestais.

 

Texto: Cristina Cavaleiro, Fotos: Igor Bastos/Equipe de Comunicação Crea-MT