Geól. e eng. civ. Fábio Reis, presidente da Febrageo

No início deste mês,  lideranças profissionais das áreas de Geologia e Engenharia de Minas trocaram ideias sobre gargalos e a importância do setor mineral para o país na live “A mineração como ator de desenvolvimento e o papel do Sistema Confea/Crea e Mútua”, promovida durante reunião da Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Geologia e Engenharia de Minas.

Primeiro debatedor, o presidente da Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), geól. e eng. civ. Fábio Reis, ressaltou a importância de se setorizarem as políticas públicas para os diferentes tipos de minério, para que o Brasil consiga promover um desenvolvimento sustentável e de longo prazo. “O setor mineral é muito diverso. As realidades são diferentes a depender da substância mineral com que se trabalha. Vemos muitas políticas públicas tentando trabalhar o setor como uma coisa só”, explicou, ao mencionar o ferro, o ouro, as rochas ornamentais, a argila, a areia e a brita como produtos diferentes uns dos outros. Fábio também lamenta a falta de mapeamento geológico no país. “Segundo dados do CPRM (Serviço Geológico do Brasil), na escala 1:250.000, temos 69% do território mapeado. Na escala 1:100.000, temos 25%. Mas na escala 1:50.000, que é a mais adequada para planejar o desenvolvimento sustentável do território, só temos 3% mapeado. O Brasil não conhece seu território”.

Eng. civ. Osmar Barros Júnior, presidente em exercício do Confea

Em seguida, o diretor de Legislação Profissional da Associação Brasileira de Engenheiros de Minas (Abremi), eng. minas Nilo Schneider, lamentou o fato de o Brasil ser grande importador de insumos minerais. “Nossas exportações de minérios são da ordem de R$ 50 bilhões. Contudo, importamos metade disso em praticamente dois ramos: carvão metalúrgico, para siderurgia, e insumos agrícolas. Nesta semana nos tornamos o maior produtor de soja do mundo e 75% dos insumos agrícolas – potássio e enxofre – são importados”, afirmou. Para Schneider, as políticas públicas devem priorizar a pesquisa mineral nos setores que o Brasil já importa (potássio e enxofre) e no que ele considera ser o futuro da tecnologia – lítio e cobalto. Schneider também pontuou a importância de se pensar formas de agregar valor ao que é exportado. “Um desafio, por exemplo, é desenvolver pesquisas sobre como melhor utilizar as lascas de quartzo. Não precisamos exportar blocos brutos, podemos exportar em forma de placas, com valor agregado”.

Participante do encontro, o presidente em exercício do Confea, eng. civ. Osmar Barros Júnior, apresentou o Sistema Confea/Crea e Mútua aos dois parlamentares que estavam presentes. “Nosso objetivo é zelar pela defesa da sociedade, com base em princípios éticos, em sintonia com os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU)”, esclareceu. Após apresentar alguns dados sobre a fiscalização em 2019 e ressaltar que mesmo em tempos de pandemia as profissões do Sistema continuam produzindo, Barros ressaltou a importância da Geologia e da Engenharia de Minas: “A área da mineração é protagonista no desenvolvimento nacional: equilibra a balança comercial e gera empregos. A extração de minério sempre foi considerada vetor de crescimento”.

 

Deputado federal Dr. Leonardo

O deputado federal Paulo Ramos (PDT-RJ) compartilhou sua experiência como deputado constituinte e ressaltou a atuação da Febrageo (então chamada Coordenação Nacional dos Geólogos – Conage) para a construção da Constituição de 1988. “Se houve um dispositivo comemorado na constituinte foi a nacionalização do subsolo – que significa que só empresa brasileira pode explorar o subsolo – não é estatização, é nacionalização”, comentou.

O deputado federal Dr. Leonardo (Solidariedade-MT), integrante da Frente Parlamentar da Mineração, lamentou que formadores de opinião normalmente abordem a mineração sob ótica negativa. “Em cidades onde há atividades do setor mineral, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) costuma ser maior. Somos um país em desenvolvimento. Como falar de saneamento, siderurgia e indústria sem falar de mineração?”, indagou, ao ressaltar que o país perde ao não incentivar pesquisa na área.

Coordenador das Câmaras Especializadas de Geologia e Engenharia de Minas, geól. Caiubi Kuhn

Mediador da mesa, o coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Geologia e Engenharia de Minas, geól. Caiubi Kuhn, avaliou que a necessidade de mapeamento geológico, o incentivo à pesquisa e a perspectiva de geração de empregos no setor foram os aspectos fundamentais dos debates. “Mapeamento é importante, inclusive para gestão dos municípios”, ressaltou, antes de finalizar os trabalhos.

 

Assista à live na íntegra:

 Mediador da mesa, o coordenador nacional das Câmaras Especializadas de Geologia e Engenharia de Minas, geól. Caiubi Kuhn, avaliou que a necessidade de mapeamento geológico, o incentivo à pesquisa e a perspectiva de geração de empregos no setor foram os aspectos fundamentais dos debates. “Mapeamento é importante, inclusive para gestão dos municípios”, ressaltou, antes de finalizar os trabalhos.

Vídeo da live: https://www.youtube.com/watch?time_continue=2372&v=Yu5TlmtGmEk&feature=emb_title

 

Fonte: Comunicação do Confea

 

 

 

 


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