O crescimento e a tecnologia utilizada na aviação agrícola no Brasil foram discutidos na reunião quarta-feira, 11 de setembro na Câmara Setorial Temática (CST) de Engenharia e Agronomia. O assunto foi conduzido pelo engenheiro agrônomo e diretor executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Gabriel Colle.

O presidente da CST, conselheiro do Crea Mato Grosso, agrônomo Marcelo Capelotto, vai propor para a equipe técnica da câmara, propostas para trabalhar sobre a regulamentação e segurança dentro da agricultura alimentar e para o agronegócio mato-grossense.

“A partir dessa reunião, temos que mostrar e, ainda criar, junto com essas instituições que estão participando, uma solução imediata para a população. Também vou levar essas informações para alguns parceiros do Estado para que possamos começar algumas ações urgentes em cima desses fatores”, explicou Capellotto.

Durante a palestra, Gabriel explicou como funciona a atividade da aviação agrícola, que segundo, ele mostra um setor altamente regulado e trabalha com tecnologia. Colle destacou ainda a evolução do setor para que as pessoas tenham segurança na contratação da aviação agrícola.

“Atualmente há muita segurança da aviação agrícola, porém, as pessoas ainda sentem falta de informações sobre essa atividade. Essa demonstração é para mostrar também que essa tecnologia é muito regulada, principalmente, fiscalizada na esfera municipal, estadual e federal”, apontou Colle.

“Nos últimos dez anos, o Brasil teve um crescimento de 700 aviões agrícolas chegando ao montante de 2.200 aeronaves, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Desse total, são utilizados pelo Ibama 98 capacitadas ao combate a incêndios, que precisam seguir as normas e regulamentação do órgão”, afirmou o agrônomo.

A aviação agrícola passou a ser utilizada no Brasil em 1947, na região de Pelotas (RS), devido ao ataque de gafanhotos. Na década de 80 houve redução significativa na frota agrícola no país, porém, na década seguinte, aconteceu um reaquecimento que trouxe crescimento nos trabalhos de aplicação aérea de agroquímicos, acompanhando o desenvolvimento das culturas de soja e do algodão no cerrado dos estados de Mato Grosso e Goiás.

“Nestes 72 anos de existência no Brasil, a aviação agrícola tem mostrado vantagens com a sustentabilidade, como por exemplo, a preservação com o meio ambiente. Esse setor colabora na economia de água em até 8% em relação à aplicação terrestre”, ressaltou o palestrante.

Outro ponto abordado durante a reunião foi quanto à regulamentação do setor. Colle disse que a aviação agrícola é regulamentada por um decreto de 1969, depois referendado por outro decreto lei de 1981 que estabelece todas as regras que as empresas de aviação agrícolas devem cumprir para poder operar.

“É possível rastrear 100% de suas atividades, isso é cruzado com os receituários agronômicos também. Mato Grosso é o estado que possui o maior número de aviões agrícolas em fazendas. Isso implica que os produtores rurais precisam cumprir algumas regras como a instrução normativa 02 do Ministério da Agricultura, que prevê, enviar mensalmente as informações do que a aeronave está fazendo na sua propriedade”, detalhou.

Na ocasião, o agrônomo também destacou que os principais sistemas de aplicação de defensivos agrícolas utilizados no Brasil são de uso terrestre ou aéreo, sendo respectivamente encontrados neste âmbito pulverizadores de arrastro e aeronaves específicas preparadas para a operação de pulverização.

Dados da Aviação Agrícola Brasileira:

Têm 548 operadores privados, 2.100 aeronaves, 240 empresas e é o segundo maior em frota do mundo. “A aviação agrícola atende as culturas de arroz, laranja, café, eucalipto, trigo, soja, milho, banana, cana e algodão, onde elas devem crescer em torno de 9%. O Brasil é um grande produtor mundial de alimentos, estimativas do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), deve crescer cerca de 20% até 2.022”, revelou Colle.

Texto e fotos: Cristina Cavaleiro/Equipe de Comunicação do Crea-MT com assessoria da AL/MT