O Panorama da Produção de Frutíferas no Brasil e em Mato Grosso, desde os grandes problemas a pequenos desafios na Bananicultura, bem como a produção orgânica de frutas e hortaliças no estado, além da importância de rastreabilidade de frutas e hortaliças no contexto nacional e soluções nutritivas foram um dos principais temas abordados no 1º Simpósio de Horticultura realizado nos dias 30 e 31 de março, em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso(Crea-MT) , e outras instituições,  por meio da modalidade online, onde alcançou mais de mil e trezentos participantes durantes os dois dias do evento.

A palestra Panorama da Produção de Frutíferas no Brasil foi ministrada pelo Prof. Dr. Almy Júnior Cordeiro de Carvalho, Eng. Agrônomo e professor titular na Universidade Estadual do Norte-Fluminense Darcy Ribeiro(UENF), que destacou sobre as potencialidades da fruticultura brasileira e seus pontos mais importantes. “A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cada pessoa deve consumir 400 gramas de frutas e hortaliças por dia. Já o consumo de frutas no país é estimado em 150 gramas por pessoa, ao dia. Porém é necessário triplicar o consumo atual, já que o aumento do consumo de frutas e hortaliças é o eixo da promoção de saúde e segurança alimentar no mundo”, explicou o prof. Almy.

Para o prof. Almy de maneira geral, o país está parado no tempo, principalmente para as frutas nativas brasileiras, o palestrante explicou que existem aproximadamente 50 milhões de hectares de área plantada no país. E a área da fruticultura no Brasil é de aproximadamente 2,2 milhões de hectares, ou seja, 4,3% do total, com uma produção de 43 milhões de toneladas, 8% da produção mundial de frutas. O setor emprega 5,6 milhões de pessoas, contabilizando 27% da mão de obra agrícola. O Brasil representa em torno de 1% das exportações de frutas frescas do mundo. “Isso significa que produzimos e consumimos muito pouco. No país mais de 48% das frutas vão para a indústria e 52% para o mercado natural. É praticamente quase 50% de ambos. A laranja e banana, por exemplo, representam quase 65% da produção, do volume total de frutas no país”, disparou Almy.

O Dr. Luciano Gomes Ferreira, agrônomo da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários (SEAF), conduziu a palestra: “Panorama da Produção de Frutíferas em Mato Grosso”. Segundo ele, de acordo com levantamento sistemático da produção agrícola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019, em Mato Grosso, a área cultivada está próximo de 16 mil hectares e uma produção de 196,265 mil toneladas de frutas, distribuída em todo estado. Na oportunidade, o palestrante mostrou os municípios com maiores áreas cultivadas. “Como por exemplo: Colniza, Terra Nova do Norte, Tangará da Serra, Novo Mundo, Matupá, Peixoto de Azevedo, Guarantã do Norte, Juína, Cáceres, Cotriguaçú e outras. Já em termos de volume produzido, o gráfico mostra as cidades acima de 900 toneladas de frutas, como a banana, melancia, abacaxi, cacau, coco para água, caju para castanha entre outras”, disse Luciano.

Já o Prof. Glaucio da Cruz Genuncio, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), administrou a palestra sobre a importância de rastreabilidade de frutas e hortaliças no contexto nacional. Para ele, existem algumas vertentes em torno do tema, uma é a exigência de produtos certificados e garantidos e essa garantia no monitoramento do sistema produtivo e na cadeia é saber, de onde vem, como foi produzido, quais foram os insumos utilizados, para sanar as exigências do varejista e do mercado consumidor. Se for pensar em termos de rastreabilidade, antes dela se tornar uma exigência a partir da instrução normativa conjunta 02/2018, já era praticada por uma grande atacadista estabelecida no mercado, onde todos os fornecedores de frutas, legumes verduras entram para o fornecimento, e o portfólio tinha que adotar a prática de rastreabilidade. “A rastreabilidade tem ganhado forças nesses últimos dez anos. A partir dessa existência foi criado alguns protocolos, que estão em função das boas práticas, a partir da identificação de lotes, confecção de caderno de campo, que é atrelado a uma assessoria técnica, ou seja, a uma necessidade de contratação de um agrônomo, para fazer toda a organização do caderno de campo devido a aplicação de defensivos, uso de insumos para manejo nutricional. Isso tudo está interligado ao preenchimento do caderno de campo.

A rotulagem é de extrema importância para a identificação do produto. Tudo isso gera uma fiscalização pelos órgãos responsáveis. Bem como fluxo de rastreabilidade, vantagens para o produtor”, explanou Gláucio.

O tema Bananicultura foi ministrado pelo professor Eng. Agr. André Luiz de Andrade fitotecnista do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus São Vicente. Abordando desde os grandes problemas aos pequenos desafios, “Costumo dizer que Banana não é tudo igual, e não é do mesmo cacho”,  existem subgrupos, onde os materiais são divididos em características comuns em relação a portes, sabor, botânicas e genotípicas, e os principais subgrupos que temos no Brasil, são: Inseridas tipo nanica, grande naine, nanicão, nanica e outras.

“Classificadas como cultivares, temos a Prata anã, Catarina, Rio, subgrupo maçã, que são as legítimas, Terra, Cavendish. Cada um desses grupos tem particularidades, ou já tem problemas e desafios específicos. O grande problema que afeta a bananicultura mundial, atinge todos os grupos. O aparecimento da raça Fusarium oxysporum f. sp. Cubense e a raça quatro tropical. E a sustentabilidade de cultivares de bananeira às raças do fungo Fusarium oxysporum f. sp agente causal do mal do panamá”, relatou ele. Na oportunidade, mostrou um vídeo da evolução da raça quatro tropical no mundo, mostrando o ano, a localização do fungo, além dos desafios pensando na bananicultura de Mato Grosso.

“O estado já teve, segundo dados do IBGE, no ano de 1995, em torno de 57 mil hectares de banana e atualmente temos 7 mil hectares. Os produtores de banana de Mato Grosso tem como desafio o alto custo, com o aumento do adubo, defensivos, além de mão-de-obra cada vez mais escassa em quantidade e qualidade. Ou seja, um desafio é reduzir custo e produzir com maior eficiência”, explicou.

A Drª em Agronomia, Ciência do Solo e Pós Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Agricultura Tropical (PPGAT) na UFMT, Profª Elisamara Caldeira do Nascimento explicou sobre a Produção orgânica em Mato Grosso: cadeia em potencial. “Afinal o que são produtos orgânicos?…Nem todos sabem e têm oportunidade de consumir e conhecer o processo produtivo deles. Temos que entender que existe uma legislação envolvida com esse sistema de produção, como a lei 10.831/2003, que considera produto da agricultura orgânica ou produto orgânico, seja in natura ou processado e aquele obtido em sistema orgânico de produção agropecuário ou oriundo do processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local”, a mesma salienta que na produção orgânica existem uma infinidade de metas. Como ofertar produtos saudáveis isentos de contaminantes, preservar a diversidade biológica dos ecossistemas naturais e recompor a diversidade biológica dos ecossistemas modificados, bem como, adotar práticas para reduzir ao mínimo todas as formas de contaminação e desperdício de água, do solo e do ar. Utilizar produtos e processos que mantenham ou incrementem a fertilidade do solo. Incentivar a integração entre os diferentes participantes da rede de produção orgânica e a regionalização da produção.

Já o Eng. agrônomo, Dr. Pedro Roberto Furlani, relatou as soluções nutritivas, assim como manejo e cultivos hidropônicos sob condições tropicais. De acordo com ele, a solução nutritiva pode ser classificada como um sistema homogêneo, onde os elementos químicos inorgânicos essenciais as plantas estão disponibilizadas, geralmente na forma iônica prontamente absorvíveis e em proporções adequadas. Além dos nutrientes, pressupõem que a solução contenha oxigênio e esteja na temperatura ideal para a absorção dos nutrientes.

“Segundo o Dr. Furlanim a definição de hidropônica pode ser dada por uma técnica de cultivo em ambiente protegido, na qual o solo é substituído por solução nutritiva, onde estão contidos todos os elementos minerais essenciais ao desenvolvimento das plantas. Também conhecida como cultivo sem solo. Bem como tipos de cultivos hidropônicos, sistemas de circulação da solução nutritiva, vantagens e boa possibilidade de aeração das raízes na fase inicial do cultivo e uma maior duração das raízes em fases posteriores, “relatou ele.

Nos dias 30 e 31 de março, também fizeram parte das palestras: Valentin Martinotto (Produtor rural), Lázaro Avelino dos Santos (Produtor rural), Prof. Dr. Marco Antônio da Silva Vasconcellos (UFRRJ), Prof. Dr. Willian Krause (UNEMAT), Profª Drª Celice Alexandre Silva (UNEMAT), Aline Ferreira Ramos, Profª Drª Maressa Caldeira Morzelle (UFMT), Prof. Dr. Santino Seabra Júnior (UNEMAT), Eng. Agrônomo Leonardo da Silva Ribeiro (SEAF); Willian Gustavo dos Santos (Produtor rural), Egon Nord (Produtor rural), Profª Drª Simone da Costa Mello (ESALQ/USP), Eng. Agrônomo Wanderlei Aparecido dos Santos (SMATDE) e Prof. Dr. Rafael Campagnol (UFMT).

 

Texto: Cristina Cavaleiro/ Gerência de Relações Públicas, Marketing e Parlamentar (GEMAR)