{"id":9953,"date":"2013-11-07T14:13:00","date_gmt":"2013-11-07T16:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/excelencia-da-engenharia-brasileira-4\/"},"modified":"2013-11-07T14:13:00","modified_gmt":"2013-11-07T16:13:00","slug":"excelencia-da-engenharia-brasileira-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/excelencia-da-engenharia-brasileira-4\/","title":{"rendered":"Excel\u00eancia da Engenharia Brasileira"},"content":{"rendered":"<p>\n\t<span>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s afirma&ccedil;&otilde;es do Ministro-chefe da Secretaria de Avia&ccedil;&atilde;o Civil da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, o SOCI&Oacute;LOGO WELLINGTON MOREIRA FRANCO, no dia 31\/10, de que os atrasos nas obras de seis dos 12 aeroportos de cidades-sede da Copa de 2014 &ldquo;s&atilde;o fruto da falta de engenheiros e da m&aacute; qualidade da forma&ccedil;&atilde;o dos engenheiros que temos no pa&iacute;s&rdquo;, o Presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) vem se pronunciar&nbsp; na condi&ccedil;&atilde;o de representante de mais de um milh&atilde;o de&nbsp; profissionais registrados no Sistema Confea\/Crea e M&uacute;tua, na forma como se segue.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Pol&iacute;tico e soci&oacute;logo, o Ministro Moreira Franco tenta desmoralizar os engenheiros que atuam no desenvolvimento do pa&iacute;s ao mesmo tempo em que lan&ccedil;ou uma perigosa fagulha de desconfian&ccedil;a acerca da seguran&ccedil;a e confiabilidade das obras sob sua coordena&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Em seu infeliz pronunciamento, o Ministro entra em rota contr&aacute;ria &agrave; posi&ccedil;&atilde;o da Presidente da Rep&uacute;blica, Dilma Rousseff, que manifestou elogios &agrave; engenharia nacional durante recente pronunciamento na Assembleia Geral da ONU.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Cabe lembrar ao Senhor Ministro que a Copa do Mundo de Futebol de 2014 &eacute; um evento da Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Futebol (Fifa), que decide com bastante anteced&ecirc;ncia o pa&iacute;s a sediar o torneio. Com que objetivo? Permitir que o pa&iacute;s-sede da Copa se prepare, dotando-se da infraestrutura necess&aacute;ria, como est&aacute;dios, mobilidade urbana, aeroportos, rede hoteleira etc., para um evento dessa magnitude. Portanto, no dia 30 de outubro de 2007, a Fifa ratificou o Brasil como pa&iacute;s-sede da Copa do Mundo de 2014, momento em que o gargalo da infraestrutura para a realiza&ccedil;&atilde;o da Copa j&aacute; existia com rela&ccedil;&atilde;o aos aeroportos.&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>O atraso na execu&ccedil;&atilde;o das obras de infraestrutura do pa&iacute;s passa, evidentemente, pela falta de GEST&Atilde;O, PLANEJAMENTO e PROJETOS DE ENGENHARIA. Bons projetos de engenharia s&atilde;o aqueles que possuem todos os elementos e informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas, b&aacute;sicas e executivas.&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Com efeito, projeto b&aacute;sico somente n&atilde;o basta, s&atilde;o necess&aacute;rios projetos executivos e tamb&eacute;m os projetos complementares, de elevada complexidade. Por isso, h&aacute; uma demanda de tempo necess&aacute;rio para que se possa planejar e projetar. O planejamento de grandes obras ficou esquecido e somente aos 45 minutos do segundo tempo iniciou-se a execu&ccedil;&atilde;o das obras, ao arrepio das comezinhas regras que regem os procedimentos necess&aacute;rios para se realizar bons empreendimentos com qualidade, seguran&ccedil;a e economia, que justificam a palavra ENGENHARIA.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>O reconhecimento da Presidente Dilma Rousseff na ONU reflete a sabedoria de que as grandes obras do pa&iacute;s s&atilde;o planejadas, projetadas e executadas por engenheiros. Honrosamente, os engenheiros conduzem a transforma&ccedil;&atilde;o do Brasil ao longo de sua hist&oacute;ria: da Ferrovia Mamor&eacute;-Madeira, entre 1907-1912, passando pela Constru&ccedil;&atilde;o de Bras&iacute;lia e por projetos como a Ponte Rio-Niter&oacute;i, as hidrel&eacute;tricas nacionais, obras mais recentes como a Ferrovia dos Caraj&aacute;s, Rodovia dos Imigrantes, a Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, ou as pontes estaiadas de Bras&iacute;lia e S&atilde;o Paulo, entre terminais portu&aacute;rios, aeroportu&aacute;rios, metrovi&aacute;rios, e in&uacute;meras outras obras, como linhas de transmiss&atilde;o, esta&ccedil;&otilde;es de tratamento e as do setor petroqu&iacute;mico, inclusive, a descoberta do petr&oacute;leo na camada de pr&eacute;-sal.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Devemos lembrar ao Senhor Ministro a excel&ecirc;ncia da engenharia brasileira, uma profiss&atilde;o &agrave;s v&eacute;speras de completar 80 anos de regulamenta&ccedil;&atilde;o, no pr&oacute;ximo dia 11 de dezembro, data de anivers&aacute;rio do Sistema Confea\/Crea. Tanto &eacute; verdade o elevado know-how alcan&ccedil;ado, que as empresas de engenharia nacionais v&ecirc;m atuando e construindo a infraestrutura de pa&iacute;ses de todos os continentes: no Iraque (ferrovias Bagd&aacute;-Akashat e Expressway, hot&eacute;is, rodovias); Maurit&acirc;nia (rodovias e aeroporto); Arg&eacute;lia (conjuntos residenciais, universidades, complexos industriais); Angola (hidrel&eacute;trica); Rep&uacute;blica Dominicana (rodovias); Chile (metr&ocirc; de Santiago, hidrel&eacute;trica, rede de transmiss&atilde;o); Venezuela (hidrel&eacute;trica de Guri, metr&ocirc; de Caracas, projetos de Engenharia Agr&iacute;cola e de Agronomia), entre tantos outros pa&iacute;ses onde a engenharia brasileira realiza obras.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Tamb&eacute;m n&atilde;o faltam excelentes escolas de engenharia.&nbsp; Sabemos que existem, como no Direito, na Medicina e em outras &aacute;reas do conhecimento t&eacute;cnico e cient&iacute;fico, as boas e as m&aacute;s escolas, resultado do com&eacute;rcio em que se deixou transformar a Educa&ccedil;&atilde;o Superior em nosso pa&iacute;s. Mas cabe ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC) a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade do ensino-aprendizagem, e o Confea tem participado desse processo, ao colaborar na an&aacute;lise da grade curricular, em busca do aprimoramento dos cursos ofertados na &aacute;rea tecnol&oacute;gica.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Na oportunidade, relembramos ao Senhor Ministro que n&atilde;o nos faltam engenheiros, pois contamos com profissionais suficientes para projetar e construir tudo de que o pa&iacute;s necessita, tendo em vista que as proje&ccedil;&otilde;es de crescimento do PIB da ordem de 4,5% ao ano, feitas nos &uacute;ltimos anos, n&atilde;o se concretizaram, ou seja, n&atilde;o houve o d&eacute;ficit de profissionais que poderia vir a ocorrer. Os registros de 40 mil novos profissionais por ano, em m&eacute;dia, nos Conselhos Regionais de Engenharia atendem &agrave; necessidade do mercado, exceto em &aacute;reas espec&iacute;ficas, como, por exemplo, minera&ccedil;&atilde;o, g&aacute;s e petr&oacute;leo.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Pesquisa do Instituto de Pesquisa&nbsp; Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), divulgada ontem (5\/11), confirma essa an&aacute;lise sustentada pelo Confea, no &uacute;ltimo ano. O estudo contesta a teoria de escassez de engenheiros, ao apontar que, apesar do aumento do percentual de engenheiros exercendo ocupa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas, de 29%, em 2000, para 38%, em 2009, est&aacute; descartado o risco de um &ldquo;apag&atilde;o&rdquo; de m&atilde;o de obra de engenheiros, porque&nbsp; n&atilde;o se confirmou o crescimento do PIB &ldquo;em n&iacute;veis indianos&rdquo;, conforme previsto.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>J&aacute; no &acirc;mbito governamental, al&eacute;m da car&ecirc;ncia de gest&atilde;o, planejamento e projetos, falta o reconhecimento das atividades exercidas pelos profissionais de Engenharia e de Agronomia ocupantes de cargo efetivo no servi&ccedil;o p&uacute;blico, como carreiras essenciais e exclusivas, t&iacute;picas de Estado, haja vista a posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica com que essas &aacute;reas devem ser tratadas, para alavancar o segmento nacional de servi&ccedil;os e obras p&uacute;blicas.&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>H&aacute; pouco mais de um ano, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira condenou, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, a incapacidade de formula&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o de projetos do Governo Federal, atribu&iacute;da &agrave; aus&ecirc;ncia de engenheiros no Estado brasileiro. &ldquo;Enquanto mais de 80% da alta burocracia chinesa &eacute; formada por engenheiros, no Brasil n&atilde;o devem somar nem mesmo 10%&rdquo;, disse, chamando aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia da profiss&atilde;o para o desenvolvimento do pa&iacute;s. Formular projetos de investimento e encarregar-se da gest&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o atribui&ccedil;&otilde;es da Engenharia, minimizadas pelo Estado brasileiro, conforme Pereira. &ldquo;Fortalecer a Engenharia brasileira nos tr&ecirc;s n&iacute;veis do Estado &eacute; prioridade&rdquo;, conclui.&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>A luz no final desse t&uacute;nel se vislumbra por meio do PLC 13\/13, que tramita em car&aacute;ter terminativo de vota&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional, a ser posteriormente sancionado pela Presidente Dilma Rousseff.&nbsp; A partir do manifesto na ONU, de reconhecimento e valoriza&ccedil;&atilde;o da Engenharia para o pa&iacute;s, espera-se a breve aprova&ccedil;&atilde;o e san&ccedil;&atilde;o desse projeto. Refor&ccedil;a essa expectativa a determina&ccedil;&atilde;o da Presidente da Rep&uacute;blica, de fazer cumprir uma das fun&ccedil;&otilde;es fundamentais do Estado:&nbsp; prover a infraestrutura de que o Brasil necessita.<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Outra fragilidade existente na esfera p&uacute;blica adv&eacute;m da Lei n&ordm; 8.666\/93 e de mecanismos que permitem a modalidade de preg&atilde;o eletr&ocirc;nico para a licita&ccedil;&atilde;o de projetos de engenharia.&nbsp; Aqui destacamos uma demanda por conhecimento intelectual relacionada ao not&oacute;rio saber t&eacute;cnico-cient&iacute;fico e que n&atilde;o pode ser avaliada por tal procedimento. A utiliza&ccedil;&atilde;o do Regime Diferenciado de Contrata&ccedil;&atilde;o (RDC), por sua vez, s&oacute; vem comprovar que n&atilde;o houve planejamento para a aquisi&ccedil;&atilde;o e contrata&ccedil;&atilde;o, em tempo h&aacute;bil, dos projetos e da realiza&ccedil;&atilde;o das obras necess&aacute;rias, por meio de procedimentos t&eacute;cnicos e adequados.&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>&Eacute; lament&aacute;vel o tom de ofensa expresso pelo Ministro, que joga a culpa nos engenheiros pelos atrasos nas obras, e consideramos que a nota de esclarecimento publicada com data do dia 3\/11 buscou justificar o injustific&aacute;vel, ao imputar tamb&eacute;m desqualifica&ccedil;&atilde;o &agrave;s pequenas e m&eacute;dias empresas de projetos. At&eacute; porque, enquanto o pol&iacute;tico em sua campanha eleitoral apresenta planos e propostas de Governo, os engenheiros trabalham em projetos de Estado, necess&aacute;rios para o crescimento e o desenvolvimento do Brasil.&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<span>Nesse cen&aacute;rio, o Sistema Confea\/Crea se coloca, juntamente com seus profissionais e as empresas de engenharia registradas, &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Governo brasileiro, para contribuir com a expans&atilde;o dos n&iacute;veis de qualidade dos projetos e da execu&ccedil;&atilde;o das obras, visando ao desenvolvimento e ao progresso do Pa&iacute;s e &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos internacionais que se aproximam. Desse modo, expressamos a nossa disposi&ccedil;&atilde;o para que o Brasil, al&eacute;m do legado de infraestrutura da Copa do Mundo de 2014 e das Olimp&iacute;adas de 2016, deixe tamb&eacute;m para as gera&ccedil;&otilde;es futuras um legado com a marca de gest&atilde;o p&uacute;blica competente e eficiente.&nbsp;<\/span><br \/>\n\t<b>&nbsp;<br \/>\n\t*Jos&eacute; Tadeu da Silva &eacute; engenheiro civil, professor e advogado, Presidente do Confea para o tri&ecirc;nio 2012-2014, Presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Associa&ccedil;&otilde;es de Engenheiros (Febrae),&nbsp; Presidente eleito da Uni&atilde;o Pan-americana de Associa&ccedil;&otilde;es de Engenheiros (Upadi) e membro da World Federation of Engineering Organizations (WFEO).<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s afirma&ccedil;&otilde;es do Ministro-chefe da Secretaria de Avia&ccedil;&atilde;o Civil da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, o SOCI&Oacute;LOGO WELLINGTON MOREIRA FRANCO, no dia 31\/10, de que os atrasos nas obras de seis dos 12 aeroportos de cidades-sede da Copa de 2014 &ldquo;s&atilde;o fruto da falta de engenheiros e da m&aacute; qualidade da forma&ccedil;&atilde;o dos engenheiros que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-9953","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9953"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9953\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}