{"id":9945,"date":"2013-08-12T12:17:00","date_gmt":"2013-08-12T15:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/infelizmente-um-artigo-sobre-mediocridade-2\/"},"modified":"2013-08-12T12:17:00","modified_gmt":"2013-08-12T15:17:00","slug":"infelizmente-um-artigo-sobre-mediocridade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/infelizmente-um-artigo-sobre-mediocridade-2\/","title":{"rendered":"INFELIZMENTE, UM ARTIGO SOBRE MEDIOCRIDADE"},"content":{"rendered":"<p>\n\tTemos assistido nos &uacute;ltimos dias um pren&uacute;ncio do que, parece, ser&aacute; a rotina nos pr&oacute;ximos tempos, no que tange ao relacionamento entre o Confea e o CAU. O Conselho de Arquitetura baixou uma resolu&ccedil;&atilde;o estabelecendo a exclusividade para os arquitetos em diversas atividades t&eacute;cnicas. O Confea e os Creas reagiram e provavelmente isso vai virar uma a&ccedil;&atilde;o a ser decidida na justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>\tSou engenheiro, mas n&atilde;o estou no exerc&iacute;cio t&eacute;cnico da minha forma&ccedil;&atilde;o, portanto n&atilde;o estou sendo afetado diretamente nessa briga. Estou dizendo isso para deixar claro que apesar de n&atilde;o conseguir ser 100% isento, n&atilde;o porque n&atilde;o queira, mas por n&atilde;o conseguir me distanciar o suficiente para ser completamente isento, minhas opini&otilde;es aqui n&atilde;o s&atilde;o uma defesa de interesses pessoais. Vou apenas tentar analisar o mais friamente poss&iacute;vel e sob a &oacute;tica da raz&atilde;o e da justi&ccedil;a esses acontecimentos.<\/p>\n<p>\tE para come&ccedil;ar e deixar bem clara minha posi&ccedil;&atilde;o, acho essa briga uma mediocridade sem tamanho. Envergonha-me, como membro de um desses organismos, ver o que e como as coisas est&atilde;o acontecendo. Para poder embasar essa minha afirma&ccedil;&atilde;o, vou explicitar alguns pressupostos dos quais parto para minha an&aacute;lise:<\/p>\n<p>\t1 &ndash; N&oacute;s da engenharia (e quando digo engenharia, para n&atilde;o ter que nominar todas as profiss&otilde;es sob o guarda-chuva do sistema Confea\/Crea, a fa&ccedil;o representante das demais) temos uma forma&ccedil;&atilde;o cartesiana, l&oacute;gica. Entendemos boa parte do mundo sob a &oacute;tica causa-efeito. Em muitos momentos e situa&ccedil;&otilde;es isso &eacute; apresentado como defeito, quando quer dizer que somos frios, insens&iacute;veis. Mas na maior parte das vezes entendemos como virtude. Somos meticulosos, nossas conclus&otilde;es s&atilde;o baseadas em pressupostos l&oacute;gicos, racionais. Conseguimos nos isentar um pouco (um pouco) das discuss&otilde;es intempestivas e emocionais.<\/p>\n<p>\t2 &ndash; Os arquitetos, al&eacute;m das caracter&iacute;sticas e forma&ccedil;&atilde;o iguais aos dos engenheiros, porque tamb&eacute;m precisam da matem&aacute;tica, da l&oacute;gica para seus c&aacute;lculos e projetos, ainda se gabam de que, al&eacute;m desse vi&eacute;s, possuem tamb&eacute;m uma forma&ccedil;&atilde;o human&iacute;stica. Afirmam categoricamente que n&atilde;o s&atilde;o da &aacute;rea de exatas, mas da de humanas. Com isso querem dizer que t&ecirc;m um olhar diferenciado. Que v&ecirc;em a realidade n&atilde;o somente como uma equa&ccedil;&atilde;o a ser resolvida, mas a v&ecirc;em atrav&eacute;s do prisma do bem estar do ser humano.<\/p>\n<p>\t3 &ndash; Os conselhos profissionais s&atilde;o autarquias federais, portanto, s&atilde;o &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos. Isso quer dizer que t&ecirc;m como atribui&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica o servi&ccedil;o &agrave; sociedade, ou seja, direcionar toda sua compet&ecirc;ncia, recursos, energia e vontade em atender a sociedade nas necessidades em que est&aacute; ao seu alcance faz&ecirc;-lo. Medidas corporativistas, de prote&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o dos profissionais ligados a esses conselhos t&ecirc;m uma estreita margem de possibilidades, exatamente por sua natureza p&uacute;blica.<\/p>\n<p>\t<span>&Agrave; vista disso vamos analisar o que tem acontecido.<\/span><\/p>\n<p>\tO CAU baixou uma resolu&ccedil;&atilde;o definindo algumas atividades t&eacute;cnicas como atribui&ccedil;&otilde;es exclusivas de arquitetos, ou seja, somente eles podem executar essas atividades. Pois bem, raciocinemos: se eles querem, por lei, garantir essa exclusividade, &eacute; porque sentem ou sabem que existem outras profiss&otilde;es que se acham no direito de execut&aacute;-las tamb&eacute;m( ou acham que sabem). Como o CAU &eacute; um conselho que s&oacute; regula a vida dos arquitetos e urbanistas, obviamente essa resolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; para regulamentar a distribui&ccedil;&atilde;o de mercado entre eles, querem impedir outras profiss&otilde;es de participar. Mas quais seriam essas outras profiss&otilde;es? Obviamente profissionais do sistema Confea\/Crea, que &eacute; o outro &uacute;nico sistema que possui profiss&otilde;es t&eacute;cnicas nessa &aacute;rea. Resumindo, os arquitetos querem impedir os engenheiros de exercer algumas atividades que eles acham que s&oacute; eles t&ecirc;m compet&ecirc;ncia para tal.<\/p>\n<p>\tO problema &eacute; que a lei que criou o CAU, e que foi escrita por eles pr&oacute;prios, tem um artigo que deixa bem claro que qualquer decis&atilde;o que implique decis&otilde;es de atribui&ccedil;&otilde;es entre as profiss&otilde;es dos dois conselhos devem ser tomadas em conjunto. Est&atilde;o descumprindo claramente uma lei que eles mesmos criaram. Ap&oacute;s diversas rea&ccedil;&otilde;es soltaram um nota explicando as raz&otilde;es &eacute;ticas, morais e mesmo legais que, dizem, embasam a elabora&ccedil;&atilde;o da resolu&ccedil;&atilde;o. Balela. N&atilde;o existe raz&atilde;o moral ou interpreta&ccedil;&atilde;o legal que legitime a viola&ccedil;&atilde;o de um artigo, que n&atilde;o d&aacute; margem &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o, de uma lei que eles consideraram boa, tanto que a escreveram. Isso, a meu ver, s&oacute; pode ser motivado ou por m&aacute; f&eacute;,ou por uma op&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica. Prefiro pensar que &eacute; a segunda op&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o teria que pensar que uma classe t&atilde;o importante, de profissionais s&eacute;rios e competentes estaria nas m&atilde;os de pessoas com esse n&iacute;vel &eacute;tico. N&atilde;o. Prefiro pensar que &eacute; uma estrat&eacute;gia em que com isso testam os limites e poder de rea&ccedil;&atilde;o do advers&aacute;rio (por que fica claro que consideram o sistema Confea\/Crea advers&aacute;rios e n&atilde;o parceiros). A&iacute; n&atilde;o seria uma quest&atilde;o de &eacute;tica, apenas de uma enorme mediocridade.<\/p>\n<p>\tQuerer garantir mercado por estabelecimento de exclusividades, al&eacute;m de ir frontalmente contra a natureza p&uacute;blica do conselho que deve servir a sociedade e n&atilde;o a uma classe profissional, ainda &eacute; um movimento contra a correnteza. Cheira a reserva de mercado, protecionismo, etc.<\/p>\n<p>\tA natimorta Resolu&ccedil;&atilde;o 1010 do Confea partia de um princ&iacute;pio que trazia todo o sistema para a modernidade: faz quem sabe fazer. Quem souber comprovadamente executar uma tarefa t&eacute;cnica tem atribui&ccedil;&atilde;o para execut&aacute;-la. E entenda-se saber n&atilde;o apenas como experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica, mas com saber formal necess&aacute;rio. A atribui&ccedil;&atilde;o &eacute; dada n&atilde;o pelo t&iacute;tulo mas pelo que o profissional realmente aprendeu a fazer. E a resolu&ccedil;&atilde;o 1010 n&atilde;o conseguiu se implantar at&eacute; agora no sistema Confea\/Crea, exatamente pela mesma mediocridade que existe no lado de c&aacute;.<\/p>\n<p>\tSe antes a preocupa&ccedil;&atilde;o era dar atribui&ccedil;&atilde;o a quem n&atilde;o tinha conhecimento suficiente, com a resolu&ccedil;&atilde;o do CAU o problema se inverte, &eacute; tirar atribui&ccedil;&atilde;o at&eacute; de quem sabe fazer. Puro corporativismo.<\/p>\n<p>\tUma proposta interessante &eacute; que se alguma profiss&atilde;o quer garantir exclusividade de atua&ccedil;&atilde;o, que fa&ccedil;a gest&atilde;o junto ao MEC e garanta a exclusividade na formula&ccedil;&atilde;o dos cursos. A profiss&atilde;o que quiser ter exclusividade que garanta que a escola que forma seus profissionais seja a &uacute;nica a fornecer esse conte&uacute;do.<\/p>\n<p>\tA rea&ccedil;&atilde;o a essa iniciativa ou vai ser uma troca de resolu&ccedil;&otilde;es de um lado e de outro tentando garantir o espa&ccedil;o no mercado de cada um, ou a&ccedil;&otilde;es a serem decididas na justi&ccedil;a. E em qualquer caso fica evidente a mediocridade da situa&ccedil;&atilde;o. Ou vai ficar parecendo uma briga de meninos se engalfinhando para decidir quem &eacute; o dono da bola, ou vai criar a seguinte situa&ccedil;&atilde;o: vamos pagar uma pessoa que estudou direito durante cinco anos para explicar a uma outra pessoa que tamb&eacute;m estudou direito durante cinco anos, e depois estudou um pouco mais at&eacute; se tornar juiz, para decidir para n&oacute;s aquilo que n&oacute;s sabemos e podemos fazer, porque n&oacute;s que estudamos engenharia ou arquitetura durante cinco anos n&atilde;o sabemos decidir. &Eacute; isso? N&atilde;o seria mais simples e barato elegermos os presidentes do CAU e do Confea, advogados? Se nos declaramos incompetentes para decidir e delegamos a eles, passemos o poder a eles de vez. (ao inv&eacute;s de invejarmos tanto os advogados como sempre ouvimos quando fazemos essas compara&ccedil;&otilde;es, ao contr&aacute;rio, dever&iacute;amos ser admirados e agradecidos por eles, pois afinal, parece, que somos n&oacute;s quem mais valoriza suas profiss&otilde;es).<\/p>\n<p>\tPara terminar, gostaria apenas de deixar um apelo &agrave;s lideran&ccedil;as dos dois conselhos: senhores, procurem outra coisa para brincar e deixem os profissionais trabalhar, afinal temos um pa&iacute;s a construir.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p>\n\t<b>*WILSON XAVIER DIAS<\/b><br \/>\n\t<a href=\"mailto:wxdias@gmail.com\"><b>wxdias@gmail.com<\/b><\/a><font color=\"#ff0000\">&nbsp;|&nbsp;<\/font><font color=\"#777777\">engenheiro Eletricista formado pela Universidade Federal de Itajub&aacute;, em 1981. Foi presidente da Associa&ccedil;&atilde;o dos Engenheiros, Arquitetos e Agr&ocirc;nomos de Sumar&eacute;, SP, assessor do Confea e, atualmente &eacute; assessor da presidencia do Crea-DF<\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temos assistido nos &uacute;ltimos dias um pren&uacute;ncio do que, parece, ser&aacute; a rotina nos pr&oacute;ximos tempos, no que tange ao relacionamento entre o Confea e o CAU. O Conselho de Arquitetura baixou uma resolu&ccedil;&atilde;o estabelecendo a exclusividade para os arquitetos em diversas atividades t&eacute;cnicas. 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