{"id":75476,"date":"2026-08-26T16:47:57","date_gmt":"2026-08-26T20:47:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=75476"},"modified":"2026-09-03T16:48:46","modified_gmt":"2026-09-03T20:48:46","slug":"do-vira-lata-ao-pitbull","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/do-vira-lata-ao-pitbull\/","title":{"rendered":"Do Vira-Lata ao Pitbull"},"content":{"rendered":"<p><em>Como a ci\u00eancia e o trabalho transformaram o antigo Jeca Tatu no motor forte que alimenta o mundo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-site-padrao wp-image-75515\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-17.53.10-847x565.jpeg\" alt=\"\" width=\"847\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-17.53.10-847x565.jpeg 847w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-17.53.10-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-17.53.10-543x362.jpeg 543w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-17.53.10-336x224.jpeg 336w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-08-24-at-17.53.10.jpeg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 847px) 100vw, 847px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nelson Rodrigues estava errado. Pelo menos no que diz respeito \u00e0s cercas que delimitam o interior deste pa\u00eds, o tal &#8220;complexo de vira-latas&#8221; foi atropelado pelo ronco dos motores. Durante d\u00e9cadas, a imagem que o Brasil urbano cultivava do pr\u00f3prio campo era moldada pela caricatura: o Jeca Tatu, de p\u00e9s descal\u00e7os, olhando o horizonte com des\u00e2nimo. Um vira-lata resignado \u00e0 pr\u00f3pria pobreza.<\/p>\n<p>Mas o tempo passou. O Jeca entrou na faculdade, aprendeu qu\u00edmica e dominou os computadores. Trocou a enxada cega pelo sat\u00e9lite e a supersti\u00e7\u00e3o pela biotecnologia. Nessa metamorfose, o vira-lata deu lugar a outro animal. O setor rural brasileiro transformou-se em um portentoso Pitbull.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem olhe para essa figura com medo, fruto do desconhecimento. Mas quem conhece a lida sabe o que esse bicho representa: for\u00e7a pura, capacidade t\u00e9cnica e uma organiza\u00e7\u00e3o que funciona com precis\u00e3o. O agro brasileiro hoje n\u00e3o pede licen\u00e7a; ele dita o ritmo. Tornou-se o motor que carrega nas costas uma parcela expressiva da economia nacional. Quando o pa\u00eds amea\u00e7a parar, \u00e9 esse gigante que puxa o peso para a frente.<\/p>\n<p>Ver o Cerrado produzir de forma fabulosa n\u00e3o \u00e9 milagre, \u00e9 o triunfo da ci\u00eancia. O Brasil deixou de ser o primo pobre que recolhe migalhas. Tornou-se l\u00edder mundial em importantes cadeias do agroneg\u00f3cio, como soja, carne bovina e aves, garantindo alimentos para bilh\u00f5es de pessoas ao redor do planeta. Cada gr\u00e3o exportado \u00e9 um latido forte de quem sabe o seu valor.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o contra o campo virou miopia. Quem critica o agro no conforto do asfalto esquece que o prato chega cheio gra\u00e7as \u00e0 obstina\u00e7\u00e3o do produtor. Est\u00e1 na hora de o Brasil aceitar a pr\u00f3pria musculatura. Chega de complexo. O nosso agro \u00e9 forte, \u00e9 t\u00e9cnico e tem orgulho da sua linhagem. O outrora vira-lata agora \u00e9 o l\u00edder da matilha global.<\/p>\n<h3>Texto: Luiz Omar Pichetti<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a ci\u00eancia e o trabalho transformaram o antigo Jeca Tatu no motor forte que alimenta o mundo &nbsp; &nbsp; Nelson Rodrigues estava errado. Pelo menos no que diz respeito \u00e0s cercas que delimitam o interior deste pa\u00eds, o tal &#8220;complexo de vira-latas&#8221; foi atropelado pelo ronco dos motores. 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