{"id":7368,"date":"2007-01-10T00:00:00","date_gmt":"2007-01-10T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/podemos-triplicar-a-producao-de-graos-sem-desmatar\/"},"modified":"2007-01-10T00:00:00","modified_gmt":"2007-01-10T02:00:00","slug":"podemos-triplicar-a-producao-de-graos-sem-desmatar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/podemos-triplicar-a-producao-de-graos-sem-desmatar\/","title":{"rendered":"Podemos triplicar a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os sem desmatar"},"content":{"rendered":"<p><B>&#8216;Podemos triplicar produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os sem derrubar mais uma \u00e1rvore&#8217;<\/B><\/p>\n<p>Marina diz que n\u00e3o pode ser a \u00fanica no governo a pensar na quest\u00e3o ambiental e alerta para riscos comerciais<\/p>\n<p>Em seu gabinete na Esplanada dos Minist\u00e9rios, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, guarda uma foto da \u00e9poca em que entrava na floresta, acompanhada de dezenas de pessoas, para tentar evitar, mesmo sem armas, a derrubada ilegal da mata.  &#8216;Algu\u00e9m como eu, que nessa \u00e9poca s\u00f3 tinha a vida para lutar contra o desmatamento, hoje poder descer numa \u00e1rea com 480 policiais federais, \u00e9 uma oportunidade que s\u00f3 posso agradecer&#8217;, diz.  Ela evita falar no assunto, mas \u00e9 poss\u00edvel perceber que Marina tem vontade de ficar no posto no segundo mandato do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>Marina diz que n\u00e3o pode ser a \u00fanica no governo a pensar na quest\u00e3o ambiental.  Afirma que, se o Brasil n\u00e3o tiver cuidado, pode come\u00e7ar a ter os problemas de meio ambiente usados por outros pa\u00edses como justificativa para erguer barreiras comerciais.  &#8216;Esse pensamento estrat\u00e9gico n\u00e3o precisa estar apenas no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.  Tem de estar na Agricultura, em Minas e Energia, na Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio&#8217;, avalia, nesta entrevista ao Estado.  &#8216;A bola est\u00e1 cada vez mais nas m\u00e3os dos setores que lidam com a agenda do desenvolvimento.&#8217;<\/p>\n<p><B>Nas \u00faltimas semanas, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, ao falar dos entraves ao crescimento do Pa\u00eds, mencionou v\u00e1rias vezes os problemas ambientais.  Chegou-se a alguma conclus\u00e3o nesse debate dentro do governo?<\/B><\/p>\n<p>Foi um debate bastante intenso, real e necess\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o do desenvolvimento e \u00e0 necessidade de prote\u00e7\u00e3o ambiental.  Com certeza, o que ficou desse debate foi que a sociedade disse claramente que quer ver o Pa\u00eds crescer, mas quer que isso aconte\u00e7a sem preju\u00edzo para os avan\u00e7os alcan\u00e7ados com a legisla\u00e7\u00e3o ambiental, quanto a sua implementa\u00e7\u00e3o e efic\u00e1cia, e a prote\u00e7\u00e3o dos recursos naturais.<\/p>\n<p><B>Mas o que ficou desse debate?  Como ser\u00e1 o trabalho neste segundo mandato?<\/B><\/p>\n<p>No meu entendimento as bases est\u00e3o dadas.  O processo que foi acumulado durante os quatro primeiros anos incorporou crit\u00e9rios de sustentabilidade no planejamento das a\u00e7\u00f5es dos outros setores de governo.  Foi a primeira vez que se teve experi\u00eancia de tratar meio ambiente no planejamento de empreendimentos.  O debate \u00e9 intenso, mas \u00e9 a \u00fanica forma de lidarmos com essas complexidades.  O grande desafio \u00e9 dar continuidade a esse processo.<\/p>\n<p><B>E os licenciamentos ambientais para obras de infra-estrutura, de que tanto se reclama que s\u00e3o lentos?<\/B><\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o do licenciamento talvez seja o que mais avan\u00e7ou nos \u00faltimos quatro anos.  Em 2006, inclusive, batemos um recorde.  S\u00e3o 272 licen\u00e7as para um pa\u00eds em que at\u00e9 2003 a m\u00e9dia era de 145 licen\u00e7as por ano.  Chegamos a mais de 220 licen\u00e7as por ano em m\u00e9dia.  Gra\u00e7as \u00e0 op\u00e7\u00e3o que foi feita de que n\u00e3o far\u00edamos processos atabalhoados e ir\u00edamos reestruturar o setor ambiental.  Esse minist\u00e9rio existe h\u00e1 14 anos e, dos 900 funcion\u00e1rios que temos aqui, s\u00f3 75 eram efetivos.  Agora, vamos deixar uma estrutura de Estado que, independentemente de quem \u00e9 o gestor, vai saber dar continuidade.  E chegar ao fim do ano com 272 licen\u00e7as e sem nenhuma a\u00e7\u00e3o suspensa na Justi\u00e7a \u00e9 algo que o empreendedor, a sociedade e o pr\u00f3prio governo t\u00eam de preservar.<\/p>\n<p><B>E fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental?  Muitas das cr\u00edticas ao governo s\u00e3o exatamente sobre a falta de estrutura para fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/B><\/p>\n<p>Na \u00e1rea de fiscaliza\u00e7\u00e3o avan\u00e7amos muito.  Tivemos uma queda de 75% no desmatamento da mata atl\u00e2ntica nos \u00faltimos 5 anos.  Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia, temos hoje um plano de preven\u00e7\u00e3o e combate ao desmatamento, estruturado corretamente, sem a\u00e7\u00f5es pontuais e pirot\u00e9cnicas, que prev\u00ea a parte de ordenamento fundi\u00e1rio, apoio \u00e0s atividades produtivas sustent\u00e1veis e toda uma a\u00e7\u00e3o integrada com 13 minist\u00e9rios.  J\u00e1 tivemos os primeiros resultados, 52% de queda no desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><B>Mas h\u00e1 gente suficiente para dar conta da fiscaliza\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds todo?<\/B><\/p>\n<p>N\u00f3s fizemos um concurso, aumentamos em 33% o efetivo do Ibama.  Vamos fazer uma chamada de mais 300 concursados.  O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente trabalha com a necessidade de um concurso para mil novos analistas ambientais e isso vai ser um desafio para a pr\u00f3xima gest\u00e3o.  O trabalho integrado com a Pol\u00edcia Federal, o Ex\u00e9rcito, a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal e, em alguns casos, fiscais do Minist\u00e9rio do Trabalho tem feito a diferen\u00e7a.  Fazemos trabalho conjunto com pol\u00edcias ambientais de diversos Estados.  Voc\u00ea otimiza recursos financeiros, humanos e, principalmente, resultados.  Ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que se tem de agigantar o Ibama.  H\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que tem cada vez mais de estruturar o sistema nacional de meio ambiente e fazer com que cada um cumpra com suas compet\u00eancias.<\/p>\n<p><B>A prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente \u00e9 uma prioridade para o governo federal?  N\u00e3o se fala pouco em meio ambiente?<\/B><\/p>\n<p>Eu acho que nos \u00faltimos quatro anos tem se falado bastante em meio ambiente.<\/p>\n<p><B>Mas n\u00e3o \u00e9 mais na sociedade em geral?  No governo n\u00e3o se fala pouco?<\/B><\/p>\n<p>Dentro do governo tamb\u00e9m.  Eu desconhe\u00e7o que tenha acontecido em qualquer \u00e9poca tanto envolvimento do setor ambiental nas decis\u00f5es de governo nos v\u00e1rios assuntos ligados ao desenvolvimento como aconteceu nos \u00faltimos quatro anos.  Temos v\u00e1rios exemplos importantes.  Hoje temos uma agenda intensa com 16 minist\u00e9rios &#8211; sem contar aqueles com que j\u00e1 trabalhamos juntos regularmente, como Educa\u00e7\u00e3o, Cultura, Sa\u00fade &#8211; em mais de 40 grandes a\u00e7\u00f5es.  N\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o em que vamos ali dizer &#8216;olha, tem de ter cuidado, tem de ver&#8217;, mas vamos concretamente oferecer solu\u00e7\u00e3o.  Envolve capacidade de gest\u00e3o, de se saber o que estamos fazendo.<\/p>\n<p><B>A senhora acredita que o Pa\u00eds realmente avan\u00e7ou nos \u00faltimos quatro anos?<\/B><\/p>\n<p>Em que pesem os problemas, fico feliz porque o Pa\u00eds avan\u00e7ou muito em termos de opini\u00e3o p\u00fablica e tamb\u00e9m em termos de processo.  O Brasil tem 45% de sua matriz energ\u00e9tica renov\u00e1vel.  Que pa\u00eds pode dizer isso?  Tem 81% de sua matriz el\u00e9trica renov\u00e1vel.  Mesmo assim, sabemos que ainda h\u00e1 muito o que fazer.  E temos um potencial de energia renov\u00e1vel fant\u00e1stico, os biocombust\u00edveis, toda essa agenda.  O Brasil tem de se apropriar estrategicamente dela.  E n\u00e3o apenas para viabilizar os biocombust\u00edveis, mas os processos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><B>Que benef\u00edcios o Pa\u00eds pode ter a partir dessa agenda renov\u00e1vel, como a senhora diz?<\/B><\/p>\n<p>Se n\u00e3o tivermos cuidado, nossos produtos v\u00e3o come\u00e7ar a ser barrados por interesses comerciais n\u00e3o revelados usando argumentos n\u00e3o-tarif\u00e1rios.  Esse pensamento estrat\u00e9gico n\u00e3o precisa estar apenas no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.  Tem de estar na Agricultura, nas Minas e Energia, na Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio.  Tem de ser parte da nossa vis\u00e3o de Pa\u00eds, porque o Brasil pode se transformar numa pot\u00eancia que junta a vis\u00e3o, o conceito, o produto.  Esse \u00e9 um diferencial que n\u00e3o podemos perder.  Se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos reduzido o desmatamento em 52%, tenho absoluta certeza de que hoje o agroneg\u00f3cio brasileiro estaria em uma grande saia-justa.  S\u00f3 n\u00e3o v\u00ea isso quem n\u00e3o quer.<\/p>\n<p><B>Mas essa discuss\u00e3o est\u00e1 sendo feita dentro do governo?  Os demais minist\u00e9rios tamb\u00e9m est\u00e3o vendo essa possibilidade de diferenciar o Pa\u00eds por meio do cuidado com o meio ambiente?<\/B><\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o foi feita dentro do plano de combate ao desmatamento nos quatro anos de governo.  A bola da vez est\u00e1 ficando cada vez mais agora nas m\u00e3os dos setores que lidam com a agenda do desenvolvimento, porque voc\u00ea n\u00e3o tem como trabalhar apenas com ferramentas de comando e controle.  Tem um momento em que as coisas t\u00eam de se conformar.  N\u00f3s temos 575 mil quil\u00f4metros quadrados de \u00e1reas desflorestadas abandonadas.  O pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Agricultura confirma que podemos triplicar a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os sem derrubar mais uma \u00e1rvore.  Quer not\u00edcia melhor que essa?  \u00c9 s\u00f3 usarmos a tecnologia que temos para fazer isso e darmos um diferencial aos nossos produtos.<\/p>\n<p><B>A senhora est\u00e1 satisfeita com seu trabalho no minist\u00e9rio?  A experi\u00eancia como ministra foi gratificante?<\/B><\/p>\n<p>Eu sou imensamente agradecida a Deus por essa e por v\u00e1rias oportunidades.  Senti-me muito honrada pelo convite que me foi feito pelo presidente Lula.  Sabia que n\u00e3o seria f\u00e1cil.  Se fosse para ser f\u00e1cil talvez fosse melhor ter ficado como senadora.  Eu sabia que o grande desafio da gest\u00e3o seria implementar a legisla\u00e7\u00e3o.  A op\u00e7\u00e3o de fazer pol\u00edtica de governo, n\u00e3o de minist\u00e9rio, e que a pol\u00edtica de governo fosse de Pa\u00eds, de dialogar com todos os setores.  \u00c9 preciso saber que existe um pre\u00e7o que muitas vezes voc\u00ea tem de arcar com ele para fazer o que \u00e9 certo, correto.  Eu me alimento de f\u00e9, determina\u00e7\u00e3o e desafios.<\/p>\n<p><B>A senhora j\u00e1 conversou com o presidente sobre sua perman\u00eancia no governo neste segundo mandato?<\/B><\/p>\n<p>N\u00e3o conversamos ainda.  Nenhuma conversa sobre isso, mas n\u00e3o tenho uma ansiedade em rela\u00e7\u00e3o a isso.<\/p>\n<p><B>Lisandra Paraguass\u00fa<\/B><br \/>\n<B>Fonte:<\/B> O Estado de S.Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Podemos triplicar produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os sem derrubar mais uma \u00e1rvore&#8217; Marina diz que n\u00e3o pode ser a \u00fanica no governo a pensar na quest\u00e3o ambiental e alerta para riscos comerciais Em seu gabinete na Esplanada dos Minist\u00e9rios, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, guarda uma foto da \u00e9poca em que entrava na floresta, acompanhada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7368","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7368"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7368\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}