{"id":7338,"date":"2007-01-15T00:00:00","date_gmt":"2007-01-15T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/banco-do-brasil-concede-perdao-bilionario-para-usineiros\/"},"modified":"2007-01-15T00:00:00","modified_gmt":"2007-01-15T02:00:00","slug":"banco-do-brasil-concede-perdao-bilionario-para-usineiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/banco-do-brasil-concede-perdao-bilionario-para-usineiros\/","title":{"rendered":"Banco do Brasil concede perd\u00e3o bilion\u00e1rio para usineiros"},"content":{"rendered":"<p>Num dos per\u00edodos mais lucrativos para os usineiros de cana-de-a\u00e7\u00facar no pa\u00eds, o Banco do Brasil concedeu ao setor perd\u00e3o de d\u00edvidas superior a R$ 1 bilh\u00e3o, segundo documentos obtidos pela Folha. O benef\u00edcio foi garantido em repactua\u00e7\u00f5es de d\u00e9bitos fechadas no governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, sobretudo entre 2004 e 2006, referentes a empr\u00e9stimos e financiamentos contra\u00eddos ou renegociados na d\u00e9cada de 90.<\/p>\n<p>De 2003 para c\u00e1, o banco selou acordo com pelo menos 20 produtores, a maior parte do Nordeste. Apenas em quatro casos, a redu\u00e7\u00e3o no valor alcan\u00e7a cerca de R$ 400 milh\u00f5es. Dois advogados ouvidos pela Folha com v\u00e1rios clientes nessa situa\u00e7\u00e3o, que pediram para n\u00e3o ter seus nomes divulgados, disseram que o perd\u00e3o para os 20 usineiros ultrapassa facilmente R$ 1 bilh\u00e3o. O grupo pernambucano Uni\u00e3o, por exemplo, pagou apenas 1,77% (R$ 3,7 milh\u00f5es) dos R$ 208,63 milh\u00f5es que devia originalmente.<\/p>\n<p>Segundo o diretor de Reestrutura\u00e7\u00e3o de Ativos Operacionais do BB, Ricardo Flores, a partir de 2003 o banco tomou a iniciativa de procurar os usineiros porque o setor entrara numa boa fase com o aumento do consumo de \u00e1lcool por conta do lan\u00e7amento de carros bicombust\u00edveis. &#8220;Com o &#8220;boom&#8221; no setor, come\u00e7aram a surgir as oportunidades para o banco recuperar o cr\u00e9dito&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O setor sucroalcooleiro aumentou seu faturamento de R$ 2,02 bilh\u00f5es em 2002, em n\u00fameros aproximados, para R$ 7,9 bilh\u00f5es no ano passado, de acordo com dados levantados pela Tend\u00eancias Consultoria. Segundo Flores, cada caso \u00e9 analisado individualmente. &#8220;O objetivo \u00e9 recuperar o maior valor poss\u00edvel de cr\u00e9dito&#8221;. Nos acordos fechados at\u00e9 agora, os usineiros t\u00eam pago um pequeno percentual do total devido. Na m\u00e9dia, os desembolsos feitos pelos produtores para zerar suas obriga\u00e7\u00f5es com o BB t\u00eam girado ao redor de 5% do total cobrado pelo banco.<\/p>\n<p>&#8220;Pode parecer um valor pequeno, mas \u00e9 uma grande vit\u00f3ria para o banco&#8221;, disse Flores. Segundo ele, a grande diferen\u00e7a entre o que os usineiros t\u00eam pago e o total devido decorre do uso, no passado, de indexadores para corrigir as d\u00edvidas considerados irreais diante da estabilidade econ\u00f4mica a partir do Plano Real (1994). Flores n\u00e3o nega nem confirma que os abatimentos ultrapassam R$ 1 bilh\u00e3o. Apesar de afirmar que nada tem a esconder sobre as negocia\u00e7\u00f5es e que todas as repactua\u00e7\u00f5es s\u00e3o p\u00fablicas, ele n\u00e3o fala sobre o n\u00famero global do perd\u00e3o de d\u00edvidas alegando quest\u00f5es estrat\u00e9gicas e de sigilo banc\u00e1rio.<\/p>\n<p><B>Exemplos:<\/B><\/p>\n<p>No caso do grupo Uni\u00e3o, eram duas escrituras de confiss\u00e3o de d\u00edvida e duas c\u00e9dulas rurais hipotec\u00e1rias que somavam R$ 208,63 milh\u00f5es. Pelo acordo, pagou R$ 3,7 milh\u00f5es ao BB, mais o compromisso de repassar ao banco 25% de um cr\u00e9dito que tenta receber do Incra. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, no entanto, contestou o direito dos controladores da Uni\u00e3o ao suposto cr\u00e9dito devido pelo Incra, tendo obtido liminar suspendendo o processo de execu\u00e7\u00e3o. Se o BB quiser se empenhar para receber esses recursos (cujo valor n\u00e3o foi revelado), as custas processuais ficam por conta do banco.<\/p>\n<p>Os outros tr\u00eas grupos s\u00e3o as destilarias Outeiro e Ba\u00eda Formosa, do Rio Grande do Norte, pertencentes a Eduardo Jos\u00e9 de Farias, as usinas Cruangi, Maravilhas e Iplanor, em Pernambuco, de Jos\u00e9 Guilherme de Azevedo Queiroz, e a Companhia A\u00e7ucareira do Vale do Cear\u00e1 Mirim, tamb\u00e9m no RN. Os tr\u00eas grupos conseguiram abatimento total, em n\u00fameros aproximados, de R$ 189 milh\u00f5es a R$ 255 milh\u00f5es. De uma d\u00edvida de cerca de R$ 265 milh\u00f5es, em valores da \u00e9poca em que os acordos foram fechados, entre 2004 e 2006, pagaram pouco mais de R$ 10 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>No caso da Companhia A\u00e7ucareira, a empresa n\u00e3o desembolsou nada. Cedeu o direito ao BB, no valor de R$ 66 milh\u00f5es, de uma causa contra a Uni\u00e3o que j\u00e1 teria transitado em julgado. O banco, no entanto, ainda n\u00e3o recebeu o dinheiro.<\/p>\n<p><B>Fonte :<\/B> Folha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num dos per\u00edodos mais lucrativos para os usineiros de cana-de-a\u00e7\u00facar no pa\u00eds, o Banco do Brasil concedeu ao setor perd\u00e3o de d\u00edvidas superior a R$ 1 bilh\u00e3o, segundo documentos obtidos pela Folha. 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