{"id":7309,"date":"2007-01-19T00:00:00","date_gmt":"2007-01-19T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/pinta-preta-ou-mancha-preta-dos-citros\/"},"modified":"2007-01-19T00:00:00","modified_gmt":"2007-01-19T02:00:00","slug":"pinta-preta-ou-mancha-preta-dos-citros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/pinta-preta-ou-mancha-preta-dos-citros\/","title":{"rendered":"Pinta preta ou mancha preta dos citros"},"content":{"rendered":"<p>Pinta preta ou mancha preta dos citros \u00e9 uma doen\u00e7a causada pelo fungo Guignardia citricarpa, que afeta todas as variedades de laranjas doces, lim\u00f5es verdadeiros, tangerinas e h\u00edbridos. Nunca foram observados sintomas da doen\u00e7a em frutos de lima \u00e1cida Tahiti.<\/p>\n<p>Disseminada por meio de mudas, restos de material vegetal, \u00e1gua da chuva e vento, a doen\u00e7a n\u00e3o provoca altera\u00e7\u00f5es no sabor dos frutos, que podem ser comercializados para a ind\u00fastria de suco, mas, devido \u00e0 apar\u00eancia, tornam-se impr\u00f3prios para o mercado de fruta fresca.<\/p>\n<p>Em ataques severos, a pinta preta causa a queda acentuada dos frutos.<\/p>\n<p><B>Ocorr\u00eancia<\/B><\/p>\n<p>A doen\u00e7a foi constatada pela primeira vez em pomares comerciais brasileiros em 1980, no Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><B>Ciclo da doen\u00e7a<\/B><\/p>\n<p>1 &#8211; Nas folhas infectadas em decomposi\u00e7\u00e3o no solo, forma-se os asc\u00f3sporos (esporos sexuais do fungo), que levados pelo vento, podem infectar folhas, frutos e ramos. <\/p>\n<p><B>Ciclo da Pinta Preta<\/B><\/p>\n<p>2 &#8211; Nos frutos, forma-se les\u00f5es onde s\u00e3o produzidos picnidi\u00f3sporos (esporos assexuais), que levados a curta dist\u00e2ncia pela \u00e1gua (chuva, orvalho, irriga\u00e7\u00e3o), podem infectar frutos, ramos e folhas. <\/p>\n<p>3 &#8211; As folhas infectadas quando caem no solo formam novos asc\u00f3sporos, dando continuidade ao ciclo. <\/p>\n<p>Em folhas, a suscetibilidade ao fungo ocorre at\u00e9 cerca da metade do seu tamanho final (quatro semanas de idade). <\/p>\n<p>Fatores que provoquem queda de folhas ou debilitem a planta, como pragas e doen\u00e7as, abandono dos tratos culturais e desequil\u00edbrios nutricionais, favorecem o desenvolvimento da pinta preta.<\/p>\n<p><B>Sintomas<\/B><\/p>\n<p>Uma das principais caracter\u00edsticas da pinta preta \u00e9 que os frutos podem estar contaminados, sem apresentarem os sintomas t\u00edpicos da doen\u00e7a. O aparecimento de sintomas pode demorar at\u00e9 um ano, dependendo da variedade e das condi\u00e7\u00f5es ambientais. O aparecimento \u00e9 favorecido pela luminosidade combinada com altas temperaturas, sendo comum encontrar frutos com maior n\u00famero de les\u00f5es na face exposta \u00e0 luz do sol.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios tipos de les\u00f5es, nomeados de acordo com suas caracter\u00edsticas, que podem variar dependendo do tamanho do fruto, condi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e tipo de esporo respons\u00e1vel pela infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><B>Sintomas em frutos:<\/B><\/p>\n<p>Mancha preta ou mancha dura<\/p>\n<p>\u00c9 a mais t\u00edpica e aparece quando os frutos est\u00e3o amadurecendo.<br \/>\nApresenta bordas salientes com depress\u00e3o no centro, tem cor clara<br \/>\ncom pontos escuros, chamados de picn\u00eddios,onde os picnidi\u00f3sporos<br \/>\ns\u00e3o formados. <\/p>\n<p><B>Falsa melanose<B><\/p>\n<p>Les\u00e3o pequena e com numerosos pontos escuros ao seu redor. Pode ser confundida com a doen\u00e7a melanose dos citros, causada pelo fungo Diaporthe citri. A diferen\u00e7a das les\u00f5es est\u00e1 na textura: na melanose \u00e9 \u00e1spera enquanto na pinta preta \u00e9 lisa.<\/p>\n<p><B>Mancha rendilhada<\/B><\/p>\n<p>Les\u00f5es superficiais sem bordas definidas e textura lisa, que aparecem quando os frutos ainda est\u00e3o verdes.<br \/>\nEssas les\u00f5es chegam a atingir grande parte da superf\u00edcie do fruto.<\/p>\n<p><B>Mancha trincada<\/B><\/p>\n<p>\u00c9 superficial e ocorre em pequeno n\u00famero em frutos ainda verdes. Quando o fruto amadurece, a les\u00e3o trinca e est\u00e1 sempre associada ao \u00e1caro da falsa ferrugem (Phyllocoptruta oleivora). <\/p>\n<p><B>Mancha sardenta<\/B><\/p>\n<p>Levemente deprimida e avermelhada, aparece em frutos maduros e tamb\u00e9m na p\u00f3s-colheita. Frutos j\u00e1 contaminados, mas sem sintomas, podem expressar les\u00f5es durante o armazenamento ou transporte.<\/p>\n<p><B>Mancha virulenta<\/B><\/p>\n<p>Esse tipo de sintoma origina-se do aumento do tamanho e da fus\u00e3o dos outros tipos de les\u00f5es. Com o desenvolvimento, podem tomar grandes \u00e1reas da superf\u00edcie do fruto.<\/p>\n<p><B>Sintomas em folhas:<\/B><\/p>\n<p>Sintomas de pinta preta n\u00e3o s\u00e3o observados com frequ\u00eancia em folhas.<\/p>\n<p>Quando ocorrem, s\u00e3o evidentes nas duas faces da folha e as les\u00f5es s\u00e3o semelhantes \u00e0s da mancha preta ou dura observada nos frutos. <\/p>\n<p><B>Medidas de preven\u00e7\u00e3o<\/B><\/p>\n<p>Existem v\u00e1rias medidas que devem ser adotadas para evitar a doen\u00e7a ou minimizar seus preju\u00edzos:<\/p>\n<p>Mudas sadias &#8211; a aquisi\u00e7\u00e3o deve ser feita em viveiros certificados. As mudas s\u00e3o o meio mais importante de dissemina\u00e7\u00e3o do fungo, pois as folhas podem estar infectadas sem apresentar os sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Nutri\u00e7\u00e3o e sanidade &#8211; o pomar deve estar em boas condi\u00e7\u00f5es de nutri\u00e7\u00e3o e sanidade. Plantas delibitadas e doentes s\u00e3o infectadas pelo fungo mais facilmente.<\/p>\n<p>Tr\u00e2nsito no pomar &#8211; a desinfesta\u00e7\u00e3o e retirada de restos de material vegetal dos ve\u00edculos, m\u00e1quinas, materiais de colheita e outros equipamentos, antes de entrarem na propriedade, auxiliam na preven\u00e7\u00e3o da pinta preta, porque eles podem conter o fundo que causa a doen\u00e7a. O citricultor deve ter o seu pr\u00f3prio material de colheita, prevenindo assim n\u00e3o s\u00f3 a pinta preta, como tamb\u00e9m outras doen\u00e7as. A instala\u00e7\u00e3o de bins tamb\u00e9m auxilia nesse sentido pois diminui o tr\u00e2nsito de caminh\u00f5es na propriedade.<\/p>\n<p>Quebra vento &#8211; a implanta\u00e7\u00e3o de quebra-ventos contribui para reduzir a dissemina\u00e7\u00e3o dos esporos que s\u00e3o carregados pelo vento a longas dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p><B>Manejo<\/B><\/p>\n<p><B>Frutos infectados &#8211;<\/B> os frutos tempor\u00f5es infectados devem ser removidos antes do in\u00edcio da florada, evitando assim que o fungo existente nesses frutos infecte os frutos da nova florada.<\/p>\n<p><B>Controle do mato &#8211;<\/B> recomenda-se as pr\u00e1ticas que formam cobertura morta sob a copa das plantas (herbicidas p\u00f3s-emergentes e ro\u00e7adeiras), que dificultam a libera\u00e7\u00e3o dos esporos formados nas folhas em decomposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><B>Irriga\u00e7\u00e3o &#8211;<\/B> irrigar o pomar no inverno, per\u00edodo seco, para evitar a queda excessiva das folhas. A desfolha da planta agrava o n\u00edvel da doen\u00e7a, aumentando a fonte de in\u00f3culo do fungo (asc\u00f3sporos), que se desenvolve nas folhas ca\u00eddas no solo.<\/p>\n<p>Outra medida que pode ajudar no controle da doen\u00e7a \u00e9 a pulveriza\u00e7\u00e3o das folhas ca\u00eddas com ur\u00e9ia. A ur\u00e9ia abrevia a decomposi\u00e7\u00e3o das folhas que caem no solo, reduzindo assim a produ\u00e7\u00e3o de asc\u00f3sporos e evitando, portanto, que esses sejam liberados ap\u00f3s o florescimento.<\/p>\n<p>Preven\u00e7\u00e3o: limpeza e desinfec\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos antes que estes entrem na propriedade<\/p>\n<p>Manejo: controle do mato nas linhas de plantio <\/p>\n<p>Manejo: irriga\u00e7\u00e3o no per\u00edodo seco, para evitar a queda excessiva das folhas<\/p>\n<p><B>Controle<\/B><\/p>\n<p>O controle qu\u00edmico da pinta preta, assim como o manejo do pomar, deve considerar as seguintes condi\u00e7\u00f5es:<br \/>\n.Hist\u00f3rico da doen\u00e7a na propriedade;<br \/>\n.Condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas;<br \/>\n.Desenvolvimento da planta;<br \/>\n.Destino da produ\u00e7\u00e3o (mercado ou ind\u00fastria);<br \/>\n.Condi\u00e7\u00f5es nutricionais e sanidade do pomar.<\/p>\n<p>Uma forma de economizar e racionalizar o uso de fungicidas \u00e9 conciliar o controle qu\u00edmico da pinta preta com o de outras doen\u00e7as f\u00fangicas, como a verrugose e a melanose.<\/p>\n<p>As duas pulveriza\u00e7\u00f5es p\u00f3s-florada realizadas para o controle de verrugose e melanose d\u00e3o uma prote\u00e7\u00e3o parcial a pinta preta se forem feitas com produtos adequados e com a adi\u00e7\u00e3o de \u00f3leo mineral ou vegetal a 0,5%. Veja logo abaixo um exemplo de calend\u00e1rio de pulveriza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fa\u00e7a o controle conjunto de pinta preta, verrugose e melanose. O intervalo entre as aplica\u00e7\u00f5es pode variar em fun\u00e7\u00e3o dos fungicidas utilizados.<\/p>\n<p><B>Aten\u00e7\u00e3o<\/B><\/p>\n<p>Antes da aplica\u00e7\u00e3o dos defensivos, solicite a orienta\u00e7\u00e3o de um agr\u00f4nomo para conhecer as doses corretas, a garantia de registro, seletividade aos inimigos naturais e uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><B>Fonte:<\/B> Fundecitrus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pinta preta ou mancha preta dos citros \u00e9 uma doen\u00e7a causada pelo fungo Guignardia citricarpa, que afeta todas as variedades de laranjas doces, lim\u00f5es verdadeiros, tangerinas e h\u00edbridos. Nunca foram observados sintomas da doen\u00e7a em frutos de lima \u00e1cida Tahiti. Disseminada por meio de mudas, restos de material vegetal, \u00e1gua da chuva e vento, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7309\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}