{"id":7294,"date":"2007-01-23T00:00:00","date_gmt":"2007-01-23T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/o-lixo-como-questao-estrategica\/"},"modified":"2007-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2007-01-23T02:00:00","slug":"o-lixo-como-questao-estrategica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/o-lixo-como-questao-estrategica\/","title":{"rendered":"O lixo como quest\u00e3o estrat\u00e9gica"},"content":{"rendered":"<p>Culturalmente, n\u00e3o temos nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com os res\u00edduos que originamos em nossas resid\u00eancias ou local de trabalho todos os dias. S\u00f3 para exemplificarmos, no mundo se descarta 1 milh\u00e3o de sacos pl\u00e1sticos por minuto. Cada brasileiro descarta, em m\u00e9dia, mais de 1 quilo de lixo por dia e se considerarmos somente o lixo que a cidade de S\u00e3o Paulo deposita nos aterros em uma semana \u00e9 o suficiente para encher o Est\u00e1dio do Maracan\u00e3 no Rio de Janeiro (o maior est\u00e1dio de futebol do mundo). O Aterro Bandeirantes (maior aterro em \u00e1rea da Am\u00e9rica Latina) recebe 5 mil toneladas de lixo por dia e isso \u00e9 s\u00f3 a metade do lixo que a cidade de S\u00e3o Paulo produz.<\/p>\n<p>Aparentemente e, para muitos, o problema est\u00e1 resolvido. Casa limpa, lixo recolhido e disposto em sacos pl\u00e1sticos na porta para ser coletado. Sequer imaginamos que a complexidade que envolve o lixo inicia-se exatamente neste ponto: a partir do momento em que disponibilizamos nosso lixo para a coleta.<\/p>\n<p>Para onde ele vai? Como \u00e9 transportado? O que \u00e9 feito com ele? Quais as formas corretas de deposi\u00e7\u00e3o do lixo? Caso seja disposto de forma inadequada, quais as implica\u00e7\u00f5es? S\u00e3o perguntas que dificilmente ocupam nossa mente.<\/p>\n<p>O presente texto pretende dar uma pequena contribui\u00e7\u00e3o a fim de despertar na sociedade um interesse maior por uma quest\u00e3o que afeta diretamente a todos n\u00f3s: a quest\u00e3o do lixo urbano.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador e professor Jacques Demajorovic, o termo &#8220;lixo&#8221; foi substitu\u00eddo por &#8220;res\u00edduos s\u00f3lidos&#8221; e estes que antes eram entendidos como meros subprodutos do sistema produtivo, passaram a ser encarados como respons\u00e1veis por graves problemas de degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>No Brasil, enquanto o crescimento populacional, no per\u00edodo entre 1992 e 2000, foi de 16,4%, a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos domiciliares foi de 49%, ou seja, tr\u00eas vezes maior. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada pelo fato de que, segundo o IBGE, 70% desses res\u00edduos ainda s\u00e3o dispostos de forma inadequada.<\/p>\n<p>Indiferentemente, a maioria dos munic\u00edpios brasileiros enfrenta o grande desafio do gerenciamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal no Art. 30, incisos I, II e V disp\u00f5e que compete aos munic\u00edpios: legislar sobre assuntos de interesse local; suplementar a legisla\u00e7\u00e3o estadual e federal no que couber; organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concess\u00e3o ou permiss\u00e3o, os servi\u00e7os p\u00fablicos de interesse local, inclu\u00eddo o transporte coletivo que tem car\u00e1ter essencial.<\/p>\n<p>A Carta Magna deixa clara a responsabilidade e compet\u00eancia do munic\u00edpio no que se refere aos servi\u00e7os p\u00fablicos locais compreendidos nestes o correto gerenciamento dos res\u00edduos por ele gerados.<\/p>\n<p>No entanto, o que a maioria dos prefeitos municipais afirmam \u00e9 que existe uma limita\u00e7\u00e3o financeira para dar o fim adequado ao lixo. Cabe lembrar que, n\u00e3o obstante a responsabilidade do poder p\u00fablico, precisamos, sobretudo, compreender que todos somos respons\u00e1veis e temos participa\u00e7\u00e3o fundamental nessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o, nesse processo, deve pressionar e exigir dos prefeitos e suas equipes solu\u00e7\u00f5es criativas para o lixo, em especial apoiar a coleta seletiva, assim estar\u00e3o diminuindo o volume de lixo dispostos nos aterros e lix\u00f5es. Outro ponto que as prefeituras deveriam atuar \u00e9 na viabiliza\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de cooperativas e associa\u00e7\u00f5es de catadores de material recicl\u00e1vel. A contribui\u00e7\u00e3o que o mun\u00edcipe deve dar est\u00e1 relacionada com a conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental, como por exemplo, n\u00e3o jogando seus res\u00edduos em locais impr\u00f3prios e participando efetivamente do processo de separa\u00e7\u00e3o do lixo (material recicl\u00e1vel e org\u00e2nico). Dessa forma, estar\u00e1 facilitando o trabalho dos funcion\u00e1rios da usina e, conseq\u00fcentemente, o melhor aproveitamento do material que poder\u00e1 ser reutilizado.<\/p>\n<p>Em car\u00e1ter sugestivo, recomendamos ao setor municipal competente que desenvolva campanhas junto \u00e0s escolas, envolvendo tamb\u00e9m associa\u00e7\u00f5es de bairro, ONGs, al\u00e9m de outras institui\u00e7\u00f5es no sentido de desenvolver a conscientiza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de despertar o interesse da popula\u00e7\u00e3o pela quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, n\u00e3o basta saber o qu\u00ea e como deve ser feito. \u00c9 preciso fazer, ter vontade pol\u00edtica e, sobretudo, vis\u00e3o administrativa para que toda popula\u00e7\u00e3o se beneficie e tenha maior qualidade de vida. H\u00e1 um ditado popular que os pol\u00edticos deveriam lembrar: Palavras comovem, o exemplo arrasta!<\/p>\n<p><B>Edenis C\u00e9sar de Oliveira (*)<\/B><br \/>\n* \u00c9 administrador de Empresas, professor-pesquisador do GADIS (Grupo Acad\u00eamico de Gest\u00e3o Ambiental e Din\u00e2mica S\u00f3cio-Espacial) da Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (UNESP de Presidente Prudente &#8211; SP) e Mestrando em Din\u00e2mica e Gest\u00e3o Ambiental.<br \/>\nedenis@netonne.com.br<\/p>\n<p><B>Mar\u00e7al Rog\u00e9rio Rizzo (**)<\/B><br \/>\n** \u00c9 economista, professor universit\u00e1rio, mestre em Desenvolvimento Econ\u00f4mico pelo Instituto de Economia da Unicamp e doutorando em Din\u00e2mica e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (UNESP de Presidente Prudente &#8211; SP).<br \/>\nmarcalprofessor@yahoo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Culturalmente, n\u00e3o temos nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com os res\u00edduos que originamos em nossas resid\u00eancias ou local de trabalho todos os dias. 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