{"id":7286,"date":"2007-01-24T00:00:00","date_gmt":"2007-01-24T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/depois-da-chuva-a-sujeira\/"},"modified":"2007-01-24T00:00:00","modified_gmt":"2007-01-24T02:00:00","slug":"depois-da-chuva-a-sujeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/depois-da-chuva-a-sujeira\/","title":{"rendered":"Depois da chuva, a sujeira"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que os grandes centros urbanos, periodicamente atingidos por fortes chuvas, sofrem com inunda\u00e7\u00f5es, engarrafamentos e deslizamentos. Mas, de acordo com um novo estudo, as enxurradas tamb\u00e9m s\u00e3o a causa de grande parte da polui\u00e7\u00e3o de corpos d&#8217;\u00e1gua, como rios, c\u00f3rregos e lagoas. <\/p>\n<p>Com a tese de doutorado Avalia\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o difusa gerada por enxurradas em meio urbano, Jorge Henrique Prodanoff, do Programa de Engenharia Civil do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia (Coppe), recebeu em novembro o Pr\u00eamio Capes de 2006 de tese em engenharia. <\/p>\n<p>Prodanoff avaliou cargas e concentra\u00e7\u00f5es de poluentes gerados durante enxurradas para calcular o impacto ambiental em rios e lagoas. A conclus\u00e3o foi que o tratamento dos esgotos dom\u00e9stico e industrial n\u00e3o basta para despoluir as \u00e1reas contaminadas <\/p>\n<p>&#8220;Quando uma enxurrada atinge uma \u00e1rea urbana, \u00e9 como se a cidade tomasse um banho. Toda a sujeira \u00e9 levada pela \u00e1gua da chuva ao sistema de drenagem e vai poluir os corpos h\u00eddricos. Quando h\u00e1 um per\u00edodo de alguns meses com precipita\u00e7\u00e3o intensa, a polui\u00e7\u00e3o proveniente da chuva chega a ser maior do que a do esgoto&#8221;, disse Prodanoff \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP. <\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, \u00e9 comum que uma parte do esgoto dom\u00e9stico e industrial das cidades seja jogada clandestinamente nos rios, c\u00f3rregos e lagoas. Mas, mesmo que os res\u00edduos fossem integralmente direcionados para as esta\u00e7\u00f5es de tratamento, os corpos d&#8217;\u00e1gua continuariam polu\u00eddos pela sujeira da cidade. <\/p>\n<p>As fontes de polui\u00e7\u00e3o difusa s\u00e3o variadas, partindo de todas as superf\u00edcies imperme\u00e1veis da cidade, como ruas, cal\u00e7adas, pavimentos de resid\u00eancias e condom\u00ednios, telhados, galp\u00f5es, coberturas e estacionamentos. <\/p>\n<p>Nos dias secos, segundo Prodanoff, essas superf\u00edcies recebem a deposi\u00e7\u00e3o de fuligens e poeiras da atmosfera, al\u00e9m de res\u00edduos do desgaste da cobertura asf\u00e1ltica, de pneus, pe\u00e7as automotoras e de restos de combust\u00e3o de gasolina e diesel. &#8220;Estamos falando de milh\u00f5es de carros em circula\u00e7\u00e3o. A quantidade de res\u00edduos \u00e9 imensa. Quando vem a enxurrada, tudo isso \u00e9 levado para as galerias junto com folhas, fezes de animais e lixo&#8221;, afirmou. <\/p>\n<p>Carregado pela chuva, todo o ac\u00famulo de res\u00edduos vai para o sistema de drenagem. O destino final s\u00e3o os corpos h\u00eddricos. &#8220;Seria preciso criar um sistema de reten\u00e7\u00e3o, porque, uma vez que os res\u00edduos caem no sistema de drenagem, a coleta e o tratamento ficam mais dif\u00edceis em fun\u00e7\u00e3o do grande volume&#8221;, disse. <\/p>\n<p>Sistemas de reten\u00e7\u00e3o &#8211; &#8220;O problema tem um car\u00e1ter cr\u00f4nico, porque a esta\u00e7\u00e3o de tratamento d\u00e1 conta somente de uma parte da polui\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Prodanoff. Durante um ano, o pesquisador estudou a polui\u00e7\u00e3o provocada por enxurradas em tr\u00eas rios: o Carioca, que nasce no Maci\u00e7o da Tijuca, na capital, o Guandu, em Queimados, e o Sarapu\u00ed, em Belford Roxo &#8211; os dois \u00faltimos na Baixada Fluminense. <\/p>\n<p>Depois de avaliar as fontes de polui\u00e7\u00e3o, o pesquisador usou modelos emp\u00edricos para quantificar os diversos poluentes lan\u00e7ados durante um ciclo anual de enxurradas. &#8220;Esses modelos deram informa\u00e7\u00f5es sobre a quantidade de cada um dos micropoluentes produzidos pela bacia&#8221;, explicou. <\/p>\n<p>Para minimizar o problema, Prodanoff sugere a implanta\u00e7\u00e3o de sistemas de reten\u00e7\u00e3o. Em um grande estacionamento de shopping center, por exemplo, poderia ser projetado um canteiro ao lado das vagas, para receber a \u00e1gua pluvial, conduzida por uma depress\u00e3o no terreno. <\/p>\n<p>&#8220;Seria uma c\u00e9lula de biorreten\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o barata. A cada 50 vagas, o espa\u00e7o de uma vaga seria suficiente para impedir que os res\u00edduos chegassem ao sistema de drenagem. Isso tamb\u00e9m contribuiria para evitar inunda\u00e7\u00f5es&#8221;, explicou. <\/p>\n<p>As ruas poderiam receber dispositivos como canteiros gramados. &#8220;Em vez da chuva do canteiro central das avenidas ser desviada para o sistema de drenagem, precisar\u00edamos fazer o contr\u00e1rio: a \u00e1gua da pista teria que correr para o canteiro central. Outro dispositivo vi\u00e1vel seria a instala\u00e7\u00e3o de caixas de areia pr\u00f3ximas \u00e0s bocas-de-lobo&#8221;, disse o pesquisador.<\/p>\n<p><B>F\u00e1bio de Castro\/ Ag\u00eancia Fapesp<\/B><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que os grandes centros urbanos, periodicamente atingidos por fortes chuvas, sofrem com inunda\u00e7\u00f5es, engarrafamentos e deslizamentos. Mas, de acordo com um novo estudo, as enxurradas tamb\u00e9m s\u00e3o a causa de grande parte da polui\u00e7\u00e3o de corpos d&#8217;\u00e1gua, como rios, c\u00f3rregos e lagoas. 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