{"id":7249,"date":"2007-02-01T00:00:00","date_gmt":"2007-02-01T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/necessidade-de-desenvolver-tecnologia\/"},"modified":"2007-02-01T00:00:00","modified_gmt":"2007-02-01T02:00:00","slug":"necessidade-de-desenvolver-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/necessidade-de-desenvolver-tecnologia\/","title":{"rendered":"Necessidade de desenvolver tecnologia"},"content":{"rendered":"<p><B>Dagoberto Quadros &#8211; FURB: necessidade de desenvolver tecnologia<\/B>  <\/p>\n<p>Os dados divulgados pelo IBGE, no \u00faltimo m\u00eas de novembro, sobre a Pesquisa da Produ\u00e7\u00e3o da Extra\u00e7\u00e3o Vegetal e da Silvicultura, deixam-nos orgulhosos, pois demonstram que o faturamento da produ\u00e7\u00e3o florestal brasileira ultrapassou os 10 Bilh\u00f5es de Reais, destes, 66,4% prov\u00eam do cultivo de florestas, enquanto 33,6% foram originados da extra\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. A publica\u00e7\u00e3o destaca que, no ano de 2005, o volume de madeira produzida no segmento da silvicultura obteve um aumento de 15,0%, quando comparado com o registrado no ano de 2004.<\/p>\n<p>A silvicultura brasileira oferece uma diversidade enorme de tipos de servi\u00e7os, advindos de uma variedade de condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas, de variadas escalas de produ\u00e7\u00e3o, de distintas necessidades de garantia da produ\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o e no tempo, resultando, assim, na exist\u00eancia de uma enorme variedade de agentes que atuam na \u00e1rea. Esta diversidade, constantemente, aumenta e colabora com a evolu\u00e7\u00e3o do processo de terceiriza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os florestais, que, agora, se organiza na forma de associa\u00e7\u00f5es de prestadores de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O elo de liga\u00e7\u00e3o entre os investimentos do setor de base florestal e as florestas \u00e9, normalmente, este conjunto diversificado de agentes, que t\u00eam suas empresas legalmente constitu\u00eddas e estruturadas administrativamente, procuram atender \u00e0s legisla\u00e7\u00f5es tribut\u00e1ria (carga tribut\u00e1ria em torno de 37% do PIB), trabalhista e previdenci\u00e1ria (encargos sociais de aproximadamente 100%), que imputam enormes custos de produ\u00e7\u00e3o. Estas empresas enfrentam ainda problemas de base jur\u00eddica, pois a regulamenta\u00e7\u00e3o legal de suas atividades, at\u00e9 hoje, n\u00e3o est\u00e1 consolidada.<\/p>\n<p>Deve-se destacar ainda &#8211; infelizmente &#8211; a concorr\u00eancia desleal que estes prestadores de servi\u00e7o sofrem com aqueles que chamamos de &#8220;empreiteiros&#8221;, os quais, de um modo geral, fazem pequenos servi\u00e7os, por\u00e9m em um volume relevante na cadeia produtiva florestal, atuando da mais deliberada e irrespons\u00e1vel forma, seja no tocante \u00e0 qualidade e garantia dos servi\u00e7os e ainda: no uso de m\u00e1quinas e equipamentos obsoletos, na falta de utiliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de profissionais habilitados em seus quadros, no desconhecimento dos seus reais custos, na desconsidera\u00e7\u00e3o dos aspectos relacionados \u00e0 seguran\u00e7a e sa\u00fade ocupacional de seus funcion\u00e1rios e &#8211; principalmente &#8211; em uma administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, um tanto quanto duvidosa, apresentando, assim, baixos pre\u00e7os e altos riscos.<\/p>\n<p>Apesar disto, os verdadeiros prestadores de servi\u00e7os conse-guem ter um corpo t\u00e9cnico composto de profissionais qualificados &#8211; muitas vezes, eles s\u00e3o os propriet\u00e1rios das empresas, e assim buscam, atrav\u00e9s da qualifica\u00e7\u00e3o de seu pessoal, o desenvolvimento tecnol\u00f3gico, melhorando os seus custos e, conseq\u00fcentemente, a viabilidade econ\u00f4mica de suas empresas, atrav\u00e9s da melhoria do rendimento, da produtividade e da efici\u00eancia operacional e administrativa.<\/p>\n<p>Estes prestadores de servi\u00e7os, a bem da verdade, t\u00eam seu parque produtivo baseado, muitas vezes, na importa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos, por conseguinte, utilizando-se de tecnologia de ponta, por\u00e9m importada. Nota-se, no entanto, que estes procuram adaptar e melhorar o seu pessoal, as suas m\u00e1quinas e os seus equipamentos, procuram ainda aperfei\u00e7oar continuamente as suas atividades, atrav\u00e9s de melhorias nos seus sistemas de produ\u00e7\u00e3o &#8211; portanto, desenvolvendo tecno-logia &#8211; com o objetivo de atender \u00e0s j\u00e1 citadas e variadas con-di\u00e7\u00f5es impostas ao setor de base florestal.<\/p>\n<p>A partir destas constata\u00e7\u00f5es, pode-se afirmar que os verdadeiros prestadores de servi\u00e7os t\u00eam relevantes custos de desenvolvimento de sistemas, de contrata\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra especializada, com os conseq\u00fcentes custos de treinamento. Estas empresas ainda t\u00eam que carregar os custos de encargos e benef\u00edcios sociais, de deprecia\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos, de administra\u00e7\u00e3o e comercia-liza\u00e7\u00e3o (constitu\u00eddos de taxas e impostos federais, estaduais e municipais), assim como, buscar alcan\u00e7ar o lucro necess\u00e1rio, advindo da t\u00e3o desejada remunera\u00e7\u00e3o do capital investido. <\/p>\n<p>Ressalta-se que a necessidade de administra\u00e7\u00e3o de custos e de investimento cresce de forma vertiginosa nestas empresas, e quando estes s\u00e3o calculados, fica demonstrada a dificuldade financeira que os prestadores de servi\u00e7os de colheita, log\u00edstica de movimenta\u00e7\u00e3o e transporte de madeira t\u00eam para sobrevive-rem e alcan\u00e7arem condi\u00e7\u00f5es de desenvolver tecnologia, situa\u00e7\u00e3o esta que n\u00e3o \u00e9, logicamente, exclusividade deste setor na economia nacional.<\/p>\n<p>Diante disto tudo, e do fato de ainda estarmos discutindo &#8220;planilhas de custo&#8221;, ao inv\u00e9s de &#8220;sistemas integrados de gest\u00e3o de custos e an\u00e1lise de investimento&#8221; nas contrata\u00e7\u00f5es de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, ficam algumas perguntas para a nossa reflex\u00e3o:<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os reais custos dos prestadores de servi\u00e7os na produ\u00e7\u00e3o de madeira?<br \/>\nO que custa mais por unidade produzida, tecnologia ou tributa\u00e7\u00e3o?<br \/>\nQual a quantidade de produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para viabilizar os investimentos dos prestadores de servi\u00e7os?<br \/>\nQuanto sobra, na base temporal, para que estes agentes invistam em tecnologia?<br \/>\nO que \u00e9 mais sustent\u00e1vel para o setor de base florestal?<\/p>\n<p>N\u00e3o se quer aqui registrar precisamente e detalhadamente o tema, mas se pode afirmar que o setor de base florestal precisa se posicionar de forma mais contundente quanto a estas quest\u00f5es, sob pena de estarmos correndo um s\u00e9rio risco de estagnarmos o desenvolvimento tecnol\u00f3gico no tocante \u00e0 colheita, a log\u00edstica de movimenta\u00e7\u00e3o e ao transporte de madeira no Brasil, atrav\u00e9s do rompimento deste elo de liga\u00e7\u00e3o, formado pelos prestadores de servi\u00e7o florestal.<\/p>\n<p><B>Fonte:<\/b> Opini\u00f5es<\/p>\n<p>Colunista: Dagoberto Stein de Quadros<br \/>\nDescri\u00e7\u00e3o: Dagoberto Stein de Quadros \u00e9 professor de Engenharia Econ\u00f4mica e Economia Florestal na FURB de Blumenau &#8211; dagobert@furb.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dagoberto Quadros &#8211; FURB: necessidade de desenvolver tecnologia Os dados divulgados pelo IBGE, no \u00faltimo m\u00eas de novembro, sobre a Pesquisa da Produ\u00e7\u00e3o da Extra\u00e7\u00e3o Vegetal e da Silvicultura, deixam-nos orgulhosos, pois demonstram que o faturamento da produ\u00e7\u00e3o florestal brasileira ultrapassou os 10 Bilh\u00f5es de Reais, destes, 66,4% prov\u00eam do cultivo de florestas, enquanto 33,6% [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-7249","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7249\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}