{"id":6947,"date":"2007-03-23T00:00:00","date_gmt":"2007-03-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/conflito-no-pa-aguarda-acao-do-governo\/"},"modified":"2007-03-23T00:00:00","modified_gmt":"2007-03-23T03:00:00","slug":"conflito-no-pa-aguarda-acao-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/conflito-no-pa-aguarda-acao-do-governo\/","title":{"rendered":"Conflito no PA aguarda a\u00e7\u00e3o do governo"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: Greenpeace Brasil <\/p>\n<p>Cresce tens\u00e3o na gleba Nova Olinda, onde omiss\u00e3o dos governos acirra atritos entre comunidades, madeireiros e grileiros.  At\u00e9 quando?<\/p>\n<p>A \u00e1rea da gleba Nova Olinda, localizada entre os munic\u00edpios de Santar\u00e9m e Juruti, no oeste do Par\u00e1, \u00e9 palco de conflitos entre madeireiros, grileiros e comunidades ribeirinhas desde 2002.  Desde que o governo do estado assumiu a aprova\u00e7\u00e3o de planos de manejo florestal, h\u00e1 um ano, a situa\u00e7\u00e3o tem ficado cada vez mais s\u00e9ria na regi\u00e3o, com o agravamento da extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, grilagem de terras e viol\u00eancia contra as comunidades.  O Greenpeace sobrevoou, na semana passada, a regi\u00e3o do conflito e se reuniu com as comunidades locais e representantes dos governos federal e estadual.<\/p>\n<p>&#8220;Estivemos na regi\u00e3o a pedido das comunidades e verificamos que realmente existem planos de manejo florestal aprovados sem vistoria pr\u00e9via ou monitoramento adequado&#8221;, relata o engenheiro florestal Marcelo Marquesini da campanha da Amaz\u00f4nia do Greenpeace.<\/p>\n<p>Segundo Marquesini, procedem as den\u00fancias de que os madeireiros est\u00e3o cortando \u00e1rvores fora das \u00e1reas autorizadas e grileiros est\u00e3o ocupando as terras dos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p>O caso da gleba Nova Olinda \u00e9 mais um exemplo de como a aus\u00eancia de governan\u00e7a continua provocando desmatamento e conflito fundi\u00e1rio na Amaz\u00f4nia.  A extra\u00e7\u00e3o madeireira realizada dentro e fora de \u00e1reas de manejo aprovadas pela gest\u00e3o passada da Secretaria Estadual de Tecnologia e Meio Ambiente (Sectam) \u00e9 acompanhada por coopta\u00e7\u00f5es, intimida\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as de morte e expuls\u00e3o de moradores tradicionais.<\/p>\n<p>Manuel Matos, secret\u00e1rio do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santar\u00e9m (STR), \u00e9 uma das lideran\u00e7as que enfrenta a viol\u00eancia permitida pela omiss\u00e3o do poder p\u00fablico.  &#8220;De 2002 para c\u00e1, foram 41 of\u00edcios enviados para diferentes \u00f3rg\u00e3os estaduais e federais, com relatos, documentos, abaixo-assinados, den\u00fancias e solicita\u00e7\u00f5es de provid\u00eancias para resolver os conflitos na gleba.  Nada aconteceu.  Pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 piorou, porque os madeireiros se instalaram na \u00e1rea com autoriza\u00e7\u00f5es dadas pelos pr\u00f3prios governos&#8221;, conta Matos.<\/p>\n<p>O conflito que se arrasta nos \u00faltimos anos poderia ter sido evitado com a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o ou projetos de assentamentos agroextrativistas que visam garantir o direito \u00e0 terra aos moradores da regi\u00e3o e o uso respons\u00e1vel dos recursos naturais, combatendo as investidas de madeireiros e grileiros.<\/p>\n<p>Desde 1997, quando a Reserva Extrativista Federal Tapaj\u00f3s-Arapiuns, vizinha \u00e0 \u00e1rea da gleba Nova Olinda, foi criada, os comunit\u00e1rios demandam a\u00e7\u00f5es do governo para tamb\u00e9m ter regularizado o seu direito \u00e0 terra.<\/p>\n<p>Entretanto, uma manobra dos madeireiros, com a coniv\u00eancia do Instituto de Terras do Par\u00e1 (Iterpa), teria precipitado a demarca\u00e7\u00e3o de lotes individuais na gleba, facilitando a entrada de grupos origin\u00e1rios do sul do pa\u00eds a partir de 2004.<\/p>\n<p>Com a descentraliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia (veja nota sobre a descentraliza\u00e7\u00e3o), intensificada pelo governo federal a partir da aprova\u00e7\u00e3o da Lei de Gest\u00e3o de Florestas P\u00fablicas, em mar\u00e7o de 2006, os grupos come\u00e7aram a receber autoriza\u00e7\u00f5es da Sectam para explorar a madeira, ignorando o pleito das comunidades.<\/p>\n<p>&#8220;Depois que entraram as m\u00e1quinas, come\u00e7aram a descer as balsas carregadas de madeira.  Eles saem no final de semana e sempre passam s\u00e1bado de noite em Santar\u00e9m, no escuro&#8221;, relata o secret\u00e1rio do STR.  Manuel Matos conta que os comunit\u00e1rios decidiram entrar em contato com o Greenpeace porque estariam cansados de agir por meio de documentos.  &#8220;Tivemos pela primeira vez a oportunidade de sobrevoar a \u00e1rea.  A gente fica muito sentido de ver aquela floresta como ela est\u00e1 sendo destru\u00edda, e a aquela popula\u00e7\u00e3o que era muito tranq\u00fcila e agora vive com medo&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>&#8220;Atividades como licenciamento de propriedades rurais, autoriza\u00e7\u00f5es de manejo florestal e desmatamento, monitoramento e fiscaliza\u00e7\u00e3o foram transferidas aos \u00f3rg\u00e3os ambientais estaduais, sem que tais \u00f3rg\u00e3os adequassem sua estrutura operacional, estabelecessem boas normas de governan\u00e7a, transpar\u00eancia administrativa e controle social&#8221;, explica Marquesini.  &#8220;Isso \u00e9 particularmente grave no caso dos estados amaz\u00f4nicos, onde as defici\u00eancias administrativas dos \u00f3rg\u00e3os ambientais s\u00e3o not\u00f3rias e flagrantes&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>Em 2003, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) j\u00e1 havia constatado crimes na \u00e1rea, mas nada de efetivo foi feito para reverter o quadro de irregularidades que envolvem a destrui\u00e7\u00e3o de floresta prim\u00e1ria, a abertura de estradas sem autoriza\u00e7\u00e3o, o desmatamento para abertura de pistas de pouso e a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, inclusive em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente.  \u00c0 \u00e9poca, foram apreendidas m\u00e1quinas, armas e muni\u00e7\u00f5es, posteriormente devolvidas pela Justi\u00e7a estadual.  A fiscaliza\u00e7\u00e3o do Ibama s\u00f3 retornou na \u00e1rea no final de 2006, ap\u00f3s muita solicita\u00e7\u00e3o das comunidades.<\/p>\n<p>&#8220;Por ironia do destino, no mesmo dia em que document\u00e1vamos as irregularidades, o ex-secret\u00e1rio da Sectam, Raul Porto, que assinou as autoriza\u00e7\u00f5es de manejo florestal na Gleba Nova Olinda, era preso pela Pol\u00edcia Federal por suspeita de corrup\u00e7\u00e3o&#8221;, lembra Marquesini.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Greenpeace Brasil Cresce tens\u00e3o na gleba Nova Olinda, onde omiss\u00e3o dos governos acirra atritos entre comunidades, madeireiros e grileiros. At\u00e9 quando? A \u00e1rea da gleba Nova Olinda, localizada entre os munic\u00edpios de Santar\u00e9m e Juruti, no oeste do Par\u00e1, \u00e9 palco de conflitos entre madeireiros, grileiros e comunidades ribeirinhas desde 2002. 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