{"id":6936,"date":"2007-03-26T00:00:00","date_gmt":"2007-03-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/aumenta-risco-de-seca-na-amazonia-diz-estudo\/"},"modified":"2007-03-26T00:00:00","modified_gmt":"2007-03-26T03:00:00","slug":"aumenta-risco-de-seca-na-amazonia-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/aumenta-risco-de-seca-na-amazonia-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Aumenta risco de seca na Amaz\u00f4nia, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: Di\u00e1rio do Amap\u00e1 <\/p>\n<p>As chances de ocorrerem per\u00edodos de intensa seca na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia podem aumentar dos atuais 5% (uma forte estiagem a cada 20 anos) para 50% em 2030 e at\u00e9 90% em 2100, informam cientistas do Hadley Centre.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o foi apresentada durante um encontro nesta semana na Universidade de Oxford, na Gr\u00e3-Bretanha, onde especialistas em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas debateram temas cr\u00edticos sobre o futuro do planeta.<\/p>\n<p>Um dos casos estudados por cientistas foi a forte seca ocorrida na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, h\u00e1 dois anos.<\/p>\n<p>As imagens de centenas de peixes apodrecendo no rio Amazonas, o segundo maior rio do planeta, chocaram o mundo.<\/p>\n<p>Eram as imagens da estiagem de 2005 na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia.  Em algumas \u00e1reas, a seca superou todos os recordes desde que se come\u00e7ou a medir estat\u00edsticas clim\u00e1ticas do local.  O governo brasileiro teve de declarar estado de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>O mundo pode ter esquecido a seca de dois anos atr\u00e1s, mas a comunidade cient\u00edfica n\u00e3o.  Especialistas tentam agora entender se o aquecimento global causou a seca e qual foi o grau de devasta\u00e7\u00e3o causado pela seca.<\/p>\n<p>H\u00e1 consenso entre os cientistas de que a seca de 2005 n\u00e3o estava relacionada com o fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, como grande parte das secas na Amaz\u00f4nia, mas sim com o aquecimento da superf\u00edcie na \u00e1rea tropical do Atl\u00e2ntico do Norte.<\/p>\n<p>&#8220;Colapso da Amaz\u00f4nia&#8221;<br \/>\nO professor de din\u00e2micas de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas da Universidade de Essex, na Gr\u00e3-Breta-nha, Peter Cox, diz acreditar que os mesmos fatores que causaram a estiagem devem se repetir.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos dizer com certeza que a seca como a que ocorreu em 2005 foi causada pelo acontecimento global&#8221;, disse Cox.<\/p>\n<p>&#8220;Mas podemos dizer que a probabilidade de um evento como esse vai aumentar como conseq\u00fc\u00eancia da mudan\u00e7a de clima induzida pelo homem, podendo se tornar bastante comum at\u00e9 o final do s\u00e9culo&#8221;, afirma Cox.<\/p>\n<p>O modelo do Hadley Centre \u00e9 um dos diversos GCMs (sigla em ingl\u00eas para modelos de clima global) que tenta prever mudan\u00e7as na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O modelo \u00e9 conhecido por alertar para impactos catastr\u00f3ficos na Floresta Amaz\u00f4nica em um per\u00edodo de d\u00e9cadas, conhecido como &#8220;colapso da Amaz\u00f4nia&#8221;.<\/p>\n<p>Outros modelos mostram padr\u00f5es muito diferentes de chuva na Amaz\u00f4nia, mas especialistas em Oxford acreditam que o Hadley \u00e9 o mais confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;O modelo do Hadley Centre faz um trabalho de credibilidade&#8221;, afirma o representante brasileiro do programa International Geosphere-Biosphere, Carlos Nobre.<\/p>\n<p>&#8220;O que todos os GCMs prev\u00eaem \u00e9 um aumento maior da variabilidade do clima, e o modelo Hadley mostra isso muito bem.&#8221;<\/p>\n<p>Fator humano<br \/>\nH\u00e1 menos d\u00favidas sobre o impacto e a natureza rara da seca de 2005.<\/p>\n<p>&#8220;Foi muito at\u00edpica tanto pela localiza\u00e7\u00e3o como pela intensidade&#8221;, diz Nobre.<\/p>\n<p>&#8220;A maior parte da secas na Amaz\u00f4nia acontece no nordeste da floresta, mas esta come\u00e7ou no oeste e no sudoeste, e seu impacto se espalhou at\u00e9 o centro e o leste.&#8221;<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo a Manaus, o n\u00edvel do Amazonas chegou a ficar tr\u00eas metros abaixo da m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Muitas comunidades dependentes do rio para transporte ficaram ilhadas com a seca dos afluentes.  Pela primeira vez, houve registro de inc\u00eandios generalizados no sudoeste.<\/p>\n<p>Uma nova pesquisa do cientista Luiz Arag\u00e3o, do Instituto de Mudan\u00e7as no Meio Ambiente de Oxford, aponta a extens\u00e3o dos inc\u00eandios.<\/p>\n<p>&#8220;Uma \u00e1rea de 2,8 mil quil\u00f4metros quadrados foi perdida devido a uma prolifera\u00e7\u00e3o extensiva de inc\u00eandios em florestas&#8221;, afirma o estudo.<\/p>\n<p>A pesquisa de Arag\u00e3o mostra que os inc\u00eandios ocorreram principalmente em \u00e1reas onde h\u00e1 atividade humana.<\/p>\n<p>Em outras regi\u00f5es afetadas pela seca, onde h\u00e1 poucas pessoas, como no sudeste do Peru, havia pouca evid\u00eancia de fogos.<\/p>\n<p>Alto impacto<br \/>\nAs previs\u00f5es mais alarmistas para a Amaz\u00f4nia indicam que a combina\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios, secas, desmatamento, mudan\u00e7as no uso da terra (como planta\u00e7\u00e3o de soja) e aquecimento global v\u00e3o empurrar a Amaz\u00f4nia para o limite de um ciclo de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cientistas na confer\u00eancia em Oxford alertam que n\u00e3o sabem ainda qual \u00e9 o risco exato de isso acontecer, mas falam em &#8220;corredores de probabilidade&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 discord\u00e2ncia sobre esses corredores.  &#8220;O modelo do Hadley Centre prev\u00ea que \u00e9, de fato, muito prov\u00e1vel que a Amaz\u00f4nia seja severamente impactada pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas&#8221;, disse Cox.<\/p>\n<p>Mas, por mais baixa que seja a probabilidade, mudan\u00e7as na Amaz\u00f4nia devem ter um &#8220;alto impacto&#8221; no clima global.<br \/>\nComo disse um dos conferencistas: &#8220;voc\u00ea n\u00e3o entraria em um avi\u00e3o se voc\u00ea soubesse que h\u00e1 10% de chance de ele cair&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Di\u00e1rio do Amap\u00e1 As chances de ocorrerem per\u00edodos de intensa seca na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia podem aumentar dos atuais 5% (uma forte estiagem a cada 20 anos) para 50% em 2030 e at\u00e9 90% em 2100, informam cientistas do Hadley Centre. 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