{"id":6935,"date":"2007-03-26T00:00:00","date_gmt":"2007-03-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/grupo-de-indios-isolados-em-fuga-constante\/"},"modified":"2007-03-26T00:00:00","modified_gmt":"2007-03-26T03:00:00","slug":"grupo-de-indios-isolados-em-fuga-constante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/grupo-de-indios-isolados-em-fuga-constante\/","title":{"rendered":"Grupo de \u00edndios isolados em fuga constante"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: Di\u00e1rio de Cuiab\u00e1 <\/p>\n<p>Para Funai, eles s\u00e3o remanescentes dos povos Kawahiwa, que h\u00e1 d\u00e9cadas sofrem as variadas formas de explora\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e, em conseq\u00fc\u00eancia, desaparecem<\/p>\n<p>No mais cobi\u00e7ado trecho cont\u00ednuo de florestas de Mato Grosso habita um povo em permanente fuga.  S\u00e3o aproximadamente tr\u00eas dezenas de pessoas, que sobrevivem de coleta, ca\u00e7a e pesca, e que usam de um conhecimento profundo da regi\u00e3o para evitar o contato com as frentes de garimpo e expans\u00e3o madeireira.<\/p>\n<p>Sem saber, eles protagonizam um dos mais controvertidos epis\u00f3dios da curta hist\u00f3ria do munic\u00edpio de Colniza (na regi\u00e3o noroeste do Estado, a 1.165 quil\u00f4metros de Cuiab\u00e1) &#8211; o mais violento do pa\u00eds, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-americanos.<\/p>\n<p>Para a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), o grupo \u00e9 composto pelos remanescentes isolados dos povos Kawahiwa.  Entre os moradores e pol\u00edticos da cidade, por\u00e9m, os \u00edndios s\u00e3o qualificados como uma esp\u00e9cie de fic\u00e7\u00e3o com chancela antropol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o existe nem l\u00edngua, nem etnia definida.  N\u00e3o vamos deixar nossa terra se transformar numa reserva sem que haja \u00edndios&#8221;, esbravejou o prefeito Adir Ferreira, em nota distribu\u00edda pela Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Famato).<\/p>\n<p>Na semana passada, a Funai mandou publicar no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o uma portaria que estabelece restri\u00e7\u00e3o ao direito de ingresso, locomo\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia de &#8220;pessoas estranhas&#8221; em 411 mil hectares delimitados para a Terra Ind\u00edgena Kawahiva do Rio Pardo.<\/p>\n<p>A partir de agora, a \u00e1rea segue para as fases finais de demarca\u00e7\u00e3o e homologa\u00e7\u00e3o, respeitando-se um prazo de 90 dias para eventuais recursos &#8211; que, presume-se, ser\u00e3o muitos, uma vez que a \u00e1rea delimitada incide total ou parcialmente sobre 35 t\u00edtulos expedidos pelo Incra e Intermat (ver mat\u00e9ria e quadro nesta edi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>&#8220;Estas s\u00e3o as \u00e1reas imprescind\u00edveis para garantir \u00e0queles \u00edndios o seu bem estar futuro, pondo fim a d\u00e9cadas de press\u00e3o e cerceamento \u00e0 sua liberdade (&#8230;) h\u00e1 pelo menos seis d\u00e9cadas&#8221;, diz trecho do relat\u00f3rio de identifica\u00e7\u00e3o, assinado pelo antrop\u00f3logo Gilberto Azanha.<\/p>\n<p>Fugas &#8211; As primeiras refer\u00eancias a grupos Kawahiva datam de 1750, diz Azanha.  Em 1913, segundo o antrop\u00f3logo, o marechal C\u00e2ndido Rondon manteve contato com tr\u00eas subgrupos, aos quais denominou &#8220;tupi-cavahiba&#8221;.  Vinte e cinco anos mais tarde, seria a vez do antrop\u00f3logo franc\u00eas Claude L\u00e9vi-Strauss.<\/p>\n<p>&#8220;As fontes hist\u00f3ricas e etnogr\u00e1ficas demonstram que os Kawahiva estavam distribu\u00eddos em pequenos grupos locais com territ\u00f3rio determinado e ocupando uma extensa regi\u00e3o nos interfl\u00favios dos rios Aripuan\u00e3, Roosevelt e Machado e seus afluentes&#8221;.<\/p>\n<p>Estas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas sofreram pesadamente os v\u00e1rios ciclos de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica daquela regi\u00e3o.  &#8220;Caucheiros, seringueiros e copaibeiros dos anos 1920 aos 1950; nos 1950-60, garimpeiros, gateiros e copaibeiros; nos 1970-1980, garimpeiros e copaibeiros e estes \u00faltimos e os madeireiros nos 1990-2000 at\u00e9 o presente&#8221;.<\/p>\n<p>Os Kawahiva do Rio Pardo seriam, portanto, os remanescentes dessa hist\u00f3ria de agress\u00f5es continuadas.  Sobreviventes, mas com capacidade de se reconstruir demogr\u00e1fica e culturalmente, diz o antrop\u00f3logo.  &#8220;Se o Estado brasileiro lhes garantir a seguran\u00e7a necess\u00e1ria, temos a absoluta certeza que os Kawahiva do Pardo experimentar\u00e3o um crescimento demogr\u00e1fico significativo&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Di\u00e1rio de Cuiab\u00e1 Para Funai, eles s\u00e3o remanescentes dos povos Kawahiwa, que h\u00e1 d\u00e9cadas sofrem as variadas formas de explora\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e, em conseq\u00fc\u00eancia, desaparecem No mais cobi\u00e7ado trecho cont\u00ednuo de florestas de Mato Grosso habita um povo em permanente fuga. 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