{"id":6731,"date":"2007-04-24T00:00:00","date_gmt":"2007-04-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/alongamento-de-25-anos-2\/"},"modified":"2007-04-24T00:00:00","modified_gmt":"2007-04-24T03:00:00","slug":"alongamento-de-25-anos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/alongamento-de-25-anos-2\/","title":{"rendered":"Alongamento de 25 anos"},"content":{"rendered":"<p>Preocupados com a falta de renda para pagar as parcelas do investimento que est\u00e3o vencendo neste ano, os produtores v\u00e3o propor \u00e0 Uni\u00e3o e aos agentes financeiros o alongamento das d\u00edvidas para 25 anos, com juros de 1% ao m\u00eas. O an\u00fancio foi feito ontem \u00e0 tarde pelo presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado (Famato), deputado federal Homero Pereira, ao fazer o balan\u00e7o da safra 06\/07. <\/p>\n<p>Os produtores temem chegar ao in\u00edcio da pr\u00f3xima safra atolados em d\u00edvidas. &#8220;Mais uma vez as contas n\u00e3o fecham. A safra foi boa, apesar da redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, mas o problema da perda da renda continua. Enquanto n\u00e3o houver uma medida de recupera\u00e7\u00e3o de renda ou at\u00e9 mesmo um subs\u00eddio para a agricultura brasileira, o setor n\u00e3o vai sair da crise. Vai chegar um momento em que o setor entrar\u00e1 em colapso&#8221;, adverte Homero. Segundo ele, a atual pol\u00edtica macroecon\u00f4mica &#8211; desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar frente ao real &#8211; est\u00e1 quebrando a agricultura brasileira. <\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja), Rui Ottoni Prado, diz que os produtores n\u00e3o ter\u00e3o como fazer frente \u00e0s despesas e ao pagamento das parcelas de contratos adquiridos at\u00e9 2004. &#8220;Precisamos alongar as d\u00edvidas ou, na pior das hip\u00f3teses, reduzir o tamanho das parcelas das d\u00edvidas. N\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda&#8221;. <\/p>\n<p>CUSTOS &#8211; Ele diz que o produtor mais uma vez conseguiu fazer a &#8220;tarefa de casa&#8221;, mas n\u00e3o est\u00e1 suportando o elevado custo da produ\u00e7\u00e3o. &#8220;As despesas com combust\u00edveis este ano aumentaram, os pre\u00e7os dos insumos tamb\u00e9m e a renda continua achatada como nas \u00faltimas duas safras. N\u00e3o h\u00e1 super\u00e1vit para pagarmos as parcelas do investimento e o m\u00e1ximo que poderemos fazer este ano \u00e9 pagar as d\u00edvidas de custeio relativas a esta safra&#8221;, avisa Rui. <\/p>\n<p>Levantamento da Aprosoja aponta um estoque de R$ 4,3 bilh\u00f5es a vencer somente este ano, tendo como origem os financiamentos para compra de m\u00e1quinas, tratores e aparelhamento tecnol\u00f3gico do setor. <\/p>\n<p>&#8220;Vamos fazer incurs\u00f5es junto ao Minist\u00e9rio da Fazenda, BNDES e Banco do Brasil para ver que tratamento ser\u00e1 dado para esta quest\u00e3o&#8221;, disse o presidente da Famato, Homero Pereira, lembrando que o estoque da d\u00edvida &#8220;praticamente dobrou&#8221; nos \u00faltimos dois anos. &#8220;Se tomarmos como par\u00e2metro a d\u00edvida do pa\u00eds, os d\u00e9bitos saltaram de R$ 25 bilh\u00f5es para R$ 100 bilh\u00f5es da safra de 1994 at\u00e9 agora&#8221;, justifica. <\/p>\n<p>REDU\u00c7\u00c3O DE \u00c1REA &#8211; Por conta do quadro de endividamento, os produtores apostam em uma redu\u00e7\u00e3o de \u00e1rea plantada na pr\u00f3xima safra. &#8220;Ainda n\u00e3o fizemos a proje\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros, mas \u00e9 certo que haver\u00e1 um recuo porque os produtores n\u00e3o ter\u00e3o renda para investir na expans\u00e3o da \u00e1rea&#8221;, diz o presidente da Aprosoja, Rui Prado. <\/p>\n<p>Segundo ele, as compras de insumos e fertilizantes est\u00e3o praticamente estagnadas. &#8220;Tivemos algumas negocia\u00e7\u00f5es, mas foram logo estancadas por causa dos pre\u00e7os dos insumos e da situa\u00e7\u00e3o de indefini\u00e7\u00e3o sobre o endividamento&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;Este ano tivemos a impress\u00e3o de que o cen\u00e1rio iria melhorar, por\u00e9m mais uma vez n\u00e3o tivemos sorte. Parece um samba de uma nota s\u00f3: todo ano vivemos a mesma situa\u00e7\u00e3o, sem que uma medida compensat\u00f3ria seja anunciada pelo governo federal para repor a renda que o produtor vem perdendo ao longo dos \u00faltimos anos&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Homero contou que um produtor da regi\u00e3o de Ga\u00facha do Norte chegou a entregar seu &#8220;carro de uso&#8221; &#8211; uma F-100 ano 94 &#8211; para n\u00e3o ficar sem o trator. &#8220;Ele preferiu ficar a p\u00e9 do que sem a m\u00e1quina para trabalhar. Esta \u00e9 a realidade da nossa agricultura&#8221;. <\/p>\n<p>GLIFOSATO CARO &#8211; O presidente da Aprosoja denunciou ontem o &#8220;abuso praticado pela Monsanto&#8221; &#8211; detentora da tecnologia do glifosato &#8211; que aumentou os pre\u00e7os em at\u00e9 100% da safra passada para este ano. &#8220;Os produtores chegaram a comprar o litro do glifosato por R$ 3, R$ 2,80 e at\u00e9 R$ 2,50 no ano passado. Este ano o produto aparece no mercado por at\u00e9 R$ 5. Estou fazendo quest\u00e3o de denunciar isto agora porque \u00e9 uma verdadeira extors\u00e3o&#8221;. <\/p>\n<p>PROTESTO &#8211; Sobre a possibilidade de o setor produtivo deflagrar um movimento nos moldes do realizado no ano passando &#8211; como Tratora\u00e7o, que chegou a Bras\u00edlia e promoveu bloqueios nas rodovias federais em v\u00e1rias regi\u00f5es -, o presidente da Famato, disse que tudo vai depender das negocia\u00e7\u00f5es com a Uni\u00e3o. &#8220;Manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo. No momento estamos buscando entendimento. Temos que utilizar todas as vias de negocia\u00e7\u00f5es existentes. Se o di\u00e1logo se esgotar sem que haja um acordo, a\u00ed sim, podemos pensar em um novo movimento em n\u00edvel nacional&#8221;. Homero disse que os produtores est\u00e3o procurando mostrar ao governo todos os indicadores e proje\u00e7\u00f5es sobre o futuro da agricultura brasileira. <\/p>\n<p>Fonte:Di\u00e1rio de Cuiab\u00e1 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Preocupados com a falta de renda para pagar as parcelas do investimento que est\u00e3o vencendo neste ano, os produtores v\u00e3o propor \u00e0 Uni\u00e3o e aos agentes financeiros o alongamento das d\u00edvidas para 25 anos, com juros de 1% ao m\u00eas. 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