{"id":6285,"date":"2007-07-05T00:00:00","date_gmt":"2007-07-05T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/100-anos-de-queimadas-nas-raizes-do-brasil\/"},"modified":"2007-07-05T00:00:00","modified_gmt":"2007-07-05T03:00:00","slug":"100-anos-de-queimadas-nas-raizes-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/100-anos-de-queimadas-nas-raizes-do-brasil\/","title":{"rendered":"100 anos de queimadas nas Ra\u00edzes do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Impressiona como o autor da obra &#8220;Ra\u00edzes do Brasil&#8221; apresenta as caracter\u00edsticas do pa\u00eds e dos brasileiros com tamanha exatid\u00e3o. Em conjunto com Celso Furtado, Caio Prado J\u00fanior e Gilberto Freire, o professor S\u00e9rgio Buarque de Holanda faz parte de um seleto e pequeno grupo de estudiosos que se aventuraram na complexa tarefa de desvendar, para os pr\u00f3prios brasileiros, os ingredientes de sua forma\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica, bem como a contribui\u00e7\u00e3o que os negros, portugueses e ind\u00edgenas deram para constituir a sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 bem prov\u00e1vel que nenhum outro autor tenha dado tanta aten\u00e7\u00e3o \u00e0 maneira predat\u00f3ria de como se realizava a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria no pa\u00eds. O livro foi publicado em 1936 e discute a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o rural empregada desde o per\u00edodo da coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final do s\u00e9culo dezenove. A preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade agron\u00f4mica e ecol\u00f3gica (apesar de na \u00e9poca ainda n\u00e3o existirem esses termos) da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria praticada pelo campon\u00eas \u00e9 recorrente.<\/p>\n<p>Uma preocupa\u00e7\u00e3o de se acentua no Cap\u00edtulo 2, intitulado &#8220;Trabalho e Aventura&#8221;, sobretudo em suas notas explicativas. Para o autor, todos os camponeses, sem exce\u00e7\u00e3o, quer seja ele o pr\u00f3prio colonizador portugu\u00eas, quer seja ele descendente de outros pa\u00edses da Europa (inclusive como o alem\u00e3o que migrou para o Sul do pa\u00eds e era tido como produtor exemplar), quer seja ele negro ou, at\u00e9 mesmo, das tribos ind\u00edgenas nativas, fazem uso desregrado da pr\u00e1tica das queimadas para viabilizar sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e pecu\u00e1ria. <\/p>\n<p>Reitera que o emprego descabido das queimadas demonstraria, com clareza, a total aus\u00eancia de tradi\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria em nossa sociedade, tendo em vista que &#8220;Al\u00e9m de prejudicar a fertilidade do solo, as queimadas, destruindo facilmente grandes \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o natural, trariam outras desvantagens, como a de retirar aos p\u00e1ssaros a possibilidade de constru\u00edrem seus ninhos&#8221;. Sem p\u00e1ssaros, n\u00e3o haveria predadores para as pragas e assim &#8220;&#8230; a broca invade as planta\u00e7\u00f5es de mate e penetra at\u00e9 a medula nos troncos e galhos, condenando os arbustos a morte certa. As pr\u00f3prias lagartas multiplicam-se consideravelmente com a diminui\u00e7\u00e3o das matas&#8221;.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o acima destaca as duas piores conseq\u00fc\u00eancias das queimadas, isto \u00e9, perda de fertilidade do solo e aumento da ocorr\u00eancia de pragas (inclusive mal\u00e1ria). Existem, claro, muitas outras que em conjunto transformam as queimadas na mais primitiva e perdul\u00e1ria das pr\u00e1ticas agr\u00edcolas. <\/p>\n<p>A regi\u00e3o descrita pelo autor n\u00e3o \u00e9 a Amaz\u00f4nia. Nessa \u00e9poca, o ecossistema florestal implacavelmente destru\u00eddo foi a Mata Atl\u00e2ntica, hoje com apenas 4% de sua cobertura original. O que significa dizer que 96% das florestas litor\u00e2neas, que comp\u00f5em esse ecossistema florestal, foram destru\u00eddas. <\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 f\u00e1cil perceber a semelhan\u00e7a entre o diagn\u00f3stico de Ra\u00edzes do Brasil com o que ocorre hoje na Amaz\u00f4nia. E para deixar mais claro ainda, S\u00e9rgio Buarque de Holanda afirma que &#8220;A lavoura entre n\u00f3s continuou a fazer-se nas florestas e \u00e0 custa delas&#8221;. Dos lavradores de S\u00e3o Paulo dizia, em 1766, d. Luis Antonio de Sousa, seu capit\u00e3o-general, que iam &#8220;seguindo o mato virgem, de sorte que os Fregueses de Cutia, que dista desta Cidade sete l\u00e9guas, s\u00e3o j\u00e1 hoje Fregueses de Sorocaba, que dista da dita Cutia vinte l\u00e9guas&#8221;. E tudo porque, ao modo do gentio, s\u00f3 sabiam&#8230; <\/p>\n<p>&#8220;Correr atr\u00e1s do mato virgem, mudando e estabelecendo seu domic\u00edlio por onde o h\u00e1&#8221;.                                            <\/p>\n<p>Fonte:Ambientebrasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impressiona como o autor da obra &#8220;Ra\u00edzes do Brasil&#8221; apresenta as caracter\u00edsticas do pa\u00eds e dos brasileiros com tamanha exatid\u00e3o. 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