{"id":6243,"date":"2007-06-11T00:00:00","date_gmt":"2007-06-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/59a-sbpc-amazonia-precisa-de-cientistas-pesquisando-na-regiao\/"},"modified":"2007-06-11T00:00:00","modified_gmt":"2007-06-11T03:00:00","slug":"59a-sbpc-amazonia-precisa-de-cientistas-pesquisando-na-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/59a-sbpc-amazonia-precisa-de-cientistas-pesquisando-na-regiao\/","title":{"rendered":"59\u00aa SBPC &#8211; Amaz\u00f4nia precisa de cientistas pesquisando na regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Para impedir os progressos da devasta\u00e7\u00e3o ambiental e encontrar sua identidade a Amaz\u00f4nia precisa de cientistas pesquisando na regi\u00e3o. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do jornalista e soci\u00f3logo L\u00facio Fl\u00e1vio Pinto, professor aposentado da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), na 59\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia, em Bel\u00e9m. <\/p>\n<p>Visto como um dos principais conhecedores das quest\u00f5es relativas a meio ambiente e conflitos de terra na Amaz\u00f4nia, Pinto, que recebeu uma homenagem especial da SBPC na reuni\u00e3o deste ano, apresentou nesta ter\u00e7a-feira (10\/7) a palestra &#8220;Qual \u00e9 o lugar da Amaz\u00f4nia no s\u00e9culo 21?&#8221;. <\/p>\n<p>&#8220;A Amaz\u00f4nia nunca encontrou sua voca\u00e7\u00e3o. Ela j\u00e1 foi usada por seringueiros, madeireiros, mineiros, grileiros e fazendeiros. O resultado \u00e9 que a regi\u00e3o nunca saiu de sua depend\u00eancia. O pioneirismo que nos resta \u00e9 a ci\u00eancia. Se a Amaz\u00f4nia abrigar p\u00f3los cient\u00edficos poder\u00e1, finalmente, aproveitar uma oportunidade hist\u00f3rica de adquirir uma identidade&#8221;, disse. <\/p>\n<p>Para Pinto, no entanto, n\u00e3o basta trazer cientistas para estudar a regi\u00e3o com um olhar externo. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o conhecemos a Amaz\u00f4nia, mas ela muda rapidamente e seus problemas exigem respostas r\u00e1pidas, que a pesquisa cient\u00edfica n\u00e3o consegue acompanhar por n\u00e3o ser feita localmente. Precisamos transformar a Amaz\u00f4nia em uma Ant\u00e1rtica, em termos de foco de pesquisa cient\u00edfica. Mas a regi\u00e3o n\u00e3o precisa da ci\u00eancia pronta, ela precisa de ci\u00eancia feita aqui, ou continuar\u00e1 \u00e0 margem&#8221;, afirmou. <\/p>\n<p>De acordo com o jornalista, que recebeu quatro pr\u00eamios Esso e edita h\u00e1 14 anos o Jornal Pessoal, a regi\u00e3o tem especificidades que n\u00e3o permitem seu estudo a partir de teorias gerais. &#8220;O que a hist\u00f3ria nos ensina \u00e9 que perdemos todas as oportunidades para iniciar uma trajet\u00f3ria regional independente. Desde o in\u00edcio o problema esteve na incorpora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ao territ\u00f3rio nacional.&#8221; <\/p>\n<p>A dificuldade de incorpora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia aconteceu e continua acontecendo, de acordo com Pinto, porque nunca houve um prop\u00f3sito espec\u00edfico para a regi\u00e3o. A Amaz\u00f4nia sempre foi impenetr\u00e1vel, em termos de conhecimento, tanto para grupos internacionais como para o governo federal. Nos dois casos, os interesses eram provenientes sempre de expectativas gen\u00e9ricas de quem n\u00e3o sabia muito sobre a regi\u00e3o. &#8220;N\u00f3s aceitamos isso porque tamb\u00e9m n\u00e3o sabemos o que somos. Falta ci\u00eancia produzida localmente para descobrirmos nossa identidade&#8221;, disse. <\/p>\n<p>Quando se tinha um projeto que vinha de fora, de acordo com Pinto, a rea\u00e7\u00e3o brasileira era contr\u00e1ria por puro nacionalismo, embora tamb\u00e9m n\u00e3o se oferecessem alternativas melhores. Um exemplo, segundo ele, foi o caso do projeto elaborado em 1967 por Hermann Kahn, do Instituto Hudson, de Nova York, a servi\u00e7o do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Previa-se barrar o rio Amazonas, na altura de \u00d3bidos, para construir uma hidrel\u00e9trica. <\/p>\n<p>&#8220;Havia o argumento de que o projeto iria desenvolver a regi\u00e3o, mas sabia-se tamb\u00e9m que havia inten\u00e7\u00e3o de facilitar o acesso \u00e0s terras altas em que se encontravam os min\u00e9rios e a floresta. O projeto foi mal interpretado e divulgou-se que havia um perigo iminente de os estrangeiros tomarem conta da Amaz\u00f4nia. A alternativa a isso, escolhida pelo governo federal, foi a constru\u00e7\u00e3o das estradas. Nada foi t\u00e3o traum\u00e1tico na hist\u00f3ria da Amaz\u00f4nia&#8221;, destacou. <\/p>\n<p>Segundo o jornalista, em uma regi\u00e3o que foi uma civiliza\u00e7\u00e3o fluvial durante toda sua hist\u00f3ria, o processo de constru\u00e7\u00e3o de rodovias teve como resultado a maior destrui\u00e7\u00e3o florestal de todos os tempos. &#8220;Tudo por medo do &#8216;perigo iminente&#8217; estrangeiro. Essa argumenta\u00e7\u00e3o se repete at\u00e9 hoje. E a rea\u00e7\u00e3o nacional &#8211; sem o aux\u00edlio da ci\u00eancia &#8211; sempre foi pior do que a suposta amea\u00e7a estrangeira.&#8221; <\/p>\n<p>O jornalista prop\u00f5e um novo zoneamento com foco na ci\u00eancia, trazendo pesquisadores &#8211; da gradua\u00e7\u00e3o at\u00e9 os mais altos n\u00edveis &#8211; para estudar n\u00e3o nas capitais, mas no interior. &#8220;S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu \u00e9 o maior produtor de gado do Par\u00e1, o que \u00e9 um monumento \u00e0 irracionalidade. Lugares como esse deveriam ser p\u00f3los cient\u00edficos, mas \u00e9 preciso que o cientista venha e fique e n\u00e3o que diga o que fazer e v\u00e1 embora &#8211; esse \u00e9 o problema do extensionista&#8221;, destacou. <\/p>\n<p>Para tal projeto, de acordo com Pinto, seria preciso apoio governamental, de modo que o cientista pudesse ter bons recursos financeiros para se instalar na regi\u00e3o. &#8220;O zoneamento tem que trazer cientistas, n\u00e3o fazendeiros. Se o fazendeiro quiser vir, que venha com recursos privados. N\u00e3o se trata de ci\u00eancia para aprender e ensinar, mas para criar e fazer&#8221;, disse. <\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Faesp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para impedir os progressos da devasta\u00e7\u00e3o ambiental e encontrar sua identidade a Amaz\u00f4nia precisa de cientistas pesquisando na regi\u00e3o. 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