{"id":62245,"date":"2025-07-17T09:28:22","date_gmt":"2025-07-17T13:28:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=62245"},"modified":"2025-07-17T09:32:50","modified_gmt":"2025-07-17T13:32:50","slug":"minigeracao-solar-em-mato-grosso-desafios-atuais-e-oportunidades-futuras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/minigeracao-solar-em-mato-grosso-desafios-atuais-e-oportunidades-futuras\/","title":{"rendered":"Minigera\u00e7\u00e3o solar em Mato Grosso: desafios atuais e oportunidades futuras"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-site-padrao wp-image-62246\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-14-at-11.52.20-847x564.jpeg\" alt=\"\" width=\"847\" height=\"564\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-14-at-11.52.20-847x564.jpeg 847w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-14-at-11.52.20-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-14-at-11.52.20-543x362.jpeg 543w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-14-at-11.52.20-336x224.jpeg 336w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WhatsApp-Image-2025-07-14-at-11.52.20.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 847px) 100vw, 847px\" \/><\/p>\n<p>A suspens\u00e3o da conex\u00e3o de novas miniusinas solares em Mato Grosso, determinada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico) em conjunto com a Energisa, trouxe apreens\u00e3o para empres\u00e1rios, investidores e profissionais ligados ao setor de energia solar. A justificativa se baseia em quest\u00f5es t\u00e9cnicas, especialmente ligadas \u00e0 instabilidade da gera\u00e7\u00e3o solar e \u00e0s dificuldades das hidrel\u00e9tricas em compensar varia\u00e7\u00f5es s\u00fabitas na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas oscila\u00e7\u00f5es t\u00eam gerado problemas de sincronismo entre as fontes de energia, o que, conforme apontado pelo ONS, pode comprometer a seguran\u00e7a do sistema el\u00e9trico estadual caso mais usinas de m\u00e9dio porte sejam conectadas. Em fun\u00e7\u00e3o disso, novos pedidos de conex\u00e3o de miniusinas est\u00e3o sendo indeferidos, enquanto os projetos j\u00e1 aprovados poder\u00e3o ser conclu\u00eddos dentro de prazos definidos.<\/p>\n<p>A medida afeta diretamente um setor que vem apresentando forte crescimento. Mato Grosso j\u00e1 conta com mais de 197 mil usinas fotovoltaicas, beneficiando mais de 250 mil consumidores. Deste total, 1.858 s\u00e3o miniusinas, com pot\u00eancia instalada de 783 MW, representando quase 30% da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda no estado. S\u00f3 em 2024, 316 miniusinas foram conectadas, gerando uma economia mensal estimada em R$ 23 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Considerando apenas os sistemas de minigera\u00e7\u00e3o conectados em 2024, o volume de investimentos em Mato Grosso chegou a aproximadamente R$ 700 milh\u00f5es, sem contar ajustes de juros, corre\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias ou custos indiretos. E os dados de 2025 j\u00e1 sinalizavam que o crescimento continuaria acelerado: apenas no primeiro semestre, foram conectadas 186 usinas, com uma pot\u00eancia total de 141,4 MW. Caso n\u00e3o houvesse a suspens\u00e3o das conex\u00f5es, a tend\u00eancia era que os n\u00fameros superassem os resultados de 2024, refletindo o crescimento consistente da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda no estado ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n<p>Essa expans\u00e3o tem movimentado fortemente a economia local. A cadeia produtiva das usinas solares \u00e9 ampla e inclui engenheiros, eletricistas, empresas de cr\u00e9dito, log\u00edstica, fornecedores de equipamentos e muito mais. Estima-se que a suspens\u00e3o da conex\u00e3o de novas miniusinas represente a perda de cerca de R$ 1 bilh\u00e3o por ano em investimentos, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia de encontrar alternativas para que o setor continue avan\u00e7ando com seguran\u00e7a e estabilidade.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o apontada pela Energisa envolve a constru\u00e7\u00e3o de novas linhas de transmiss\u00e3o, o que demandar\u00e1 tempo e planejamento, com previs\u00e3o m\u00ednima de cinco anos. At\u00e9 l\u00e1, ser\u00e1 necess\u00e1rio di\u00e1logo constante entre t\u00e9cnicos, concession\u00e1rias, autoridades e sociedade para mitigar os impactos e encontrar caminhos vi\u00e1veis que conciliem seguran\u00e7a do sistema e expans\u00e3o sustent\u00e1vel da energia solar.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que a medida n\u00e3o afeta os sistemas de microgera\u00e7\u00e3o, voltados a pequenos consumidores como resid\u00eancias e pequenos com\u00e9rcios, que continuam sendo conectados normalmente. Esses sistemas t\u00eam crescido de forma compat\u00edvel com o aumento natural da demanda de energia nas cidades e s\u00e3o um importante instrumento de democratiza\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto econ\u00f4mico direto, a estagna\u00e7\u00e3o das miniusinas afeta tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de empregos locais e a oportunidade de diversifica\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica regional. A energia solar se consolidou como uma alternativa vi\u00e1vel, segura e acess\u00edvel, especialmente em regi\u00f5es com grande incid\u00eancia solar como o Centro-Oeste.<\/p>\n<p>A tecnologia das usinas solares avan\u00e7a rapidamente, e solu\u00e7\u00f5es como sistemas h\u00edbridos, armazenamento por baterias e gerenciamento inteligente da rede podem ajudar a minimizar os problemas de oscila\u00e7\u00e3o. Investir em inova\u00e7\u00e3o e adaptar a infraestrutura s\u00e3o caminhos promissores que precisam ser priorizados.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o relevante \u00e9 o papel da energia solar no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em um mundo que busca reduzir a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, deixar de aproveitar o potencial solar de Mato Grosso \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o frente \u00e0s metas ambientais nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>Os consumidores que investem em gera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de energia tamb\u00e9m atuam como parceiros do sistema, ajudando a reduzir a carga sobre a rede tradicional e diminuindo perdas t\u00e9cnicas. Com o tempo, essas fontes descentralizadas tendem a fortalecer a resili\u00eancia do sistema como um todo.<br \/>\nA suspens\u00e3o tempor\u00e1ria das conex\u00f5es, embora justificada tecnicamente, deve ser encarada como um ponto de aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o como um retrocesso definitivo. O momento \u00e9 de mobiliza\u00e7\u00e3o conjunta entre governo, empresas, profissionais do setor e sociedade civil.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que pol\u00edticas p\u00fablicas sejam alinhadas ao planejamento energ\u00e9tico e \u00e0 realidade regional. O apoio a projetos de infraestrutura, linhas de financiamento, incentivos \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o profissional podem garantir um ambiente mais favor\u00e1vel \u00e0 retomada do crescimento no setor.<br \/>\nMato Grosso tem condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, econ\u00f4micas e sociais para se manter como refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de energia solar. O desafio agora \u00e9 transformar essa voca\u00e7\u00e3o em uma pol\u00edtica energ\u00e9tica sustent\u00e1vel, de longo prazo.<\/p>\n<p>O futuro da energia \u00e9 descentralizado, digitalizado e descarbonizado. E Mato Grosso pode estar no centro dessa transforma\u00e7\u00e3o, desde que haja articula\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica exige esfor\u00e7os coordenados e decis\u00f5es corajosas. Com o devido planejamento, \u00e9 poss\u00edvel compatibilizar seguran\u00e7a do sistema, crescimento econ\u00f4mico e sustentabilidade ambiental.<\/p>\n<p>A pausa na expans\u00e3o das miniusinas deve servir de alerta para a necessidade de moderniza\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico brasileiro como um todo, preparando-se para uma nova era de gera\u00e7\u00e3o limpa e inteligente.<\/p>\n<p>A energia solar continuar\u00e1 sendo pe\u00e7a-chave na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e no desenvolvimento sustent\u00e1vel de Mato Grosso. Com di\u00e1logo, planejamento e investimentos em infraestrutura, \u00e9 poss\u00edvel superar os desafios atuais e garantir que o estado siga como refer\u00eancia na gera\u00e7\u00e3o limpa e descentralizada.<br \/>\nAs miniusinas solares utilizam placas para gerar energia, com uma pot\u00eancia de inversor superior a 75 kW, cerca de 200 m\u00f3dulos fotovoltaicos, que s\u00e3o projetadas para gerar mais de 12 mil Quilowatts-hora (kWh) por m\u00eas, o equivalente a mais de 10 mil reais mensais, a depender dos equipamentos e tecnologias escolhidas para a instala\u00e7\u00e3o da usina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: Ruah Carlos Ara\u00fajo- engenheiro eletricista e diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Engenheiros Eletricista, se\u00e7\u00e3o Mato Grosso (ABEE-MT)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A suspens\u00e3o da conex\u00e3o de novas miniusinas solares em Mato Grosso, determinada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico) em conjunto com a Energisa, trouxe apreens\u00e3o para empres\u00e1rios, investidores e profissionais ligados ao setor de energia solar. 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