{"id":5992,"date":"2007-08-16T00:00:00","date_gmt":"2007-08-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/expedicao-desbrava-area-quase-inexplorada-da-amazonia\/"},"modified":"2007-08-16T00:00:00","modified_gmt":"2007-08-16T03:00:00","slug":"expedicao-desbrava-area-quase-inexplorada-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/expedicao-desbrava-area-quase-inexplorada-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Expedi\u00e7\u00e3o desbrava \u00e1rea quase inexplorada da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Duas expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas neste ano \u00e0 regi\u00e3o entre os rios Purus e Madeira mostram que essa \u00e1rea de floresta, provavelmente a mais biodiversa de todas as divis\u00f5es ecol\u00f3gicas da Amaz\u00f4nia, deve mesmo ser a detentora deste t\u00edtulo.<\/p>\n<p>O interfl\u00favio (regi\u00e3o entre rios) com cerca de 40 milh\u00f5es de hectares, representa menos de 5% da floresta amaz\u00f4nica, mas em apenas duas viagens os cientistas encontraram pelo menos quatro novas esp\u00e9cies de aves, tr\u00eas de mam\u00edferos e algumas dezenas de aracn\u00eddeos desconhecidos. O material, coletado entre abril e maio e, depois, em julho deste ano, mostra uma biodiversidade amea\u00e7ada por planos de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda predominantemente sem impacto, o interfl\u00favio Purus-Madeira est\u00e1 na mira de projetos como a pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM) e a cria\u00e7\u00e3o de um gasoduto entre Urucu (AM) e Porto Velho &#8211; ambos os projetos cortam a \u00e1rea. Tamb\u00e9m amea\u00e7am a regi\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas no rio Madeira, a onda de extra\u00e7\u00e3o madeireira em expans\u00e3o no sudeste do Amazonas e o avan\u00e7o da agroind\u00fastria, em especial da soja, e da pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Riqueza amea\u00e7ada &#8211; &#8220;O cen\u00e1rio est\u00e1 armado para destruir uma \u00e1rea pequena, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida e que imagin\u00e1vamos ter um potencial absurdo de biodiversidade e endemismo (esp\u00e9cies \u00fanicas do lugar)&#8221;, conta o ornit\u00f3logo Mario Cohn-Haft, do Inpa &#8211; Instituto de Pesquisas Amaz\u00f4nicas, que liderou a expedi\u00e7\u00e3o do projeto Geoma &#8211; Rede Tem\u00e1tica de Pesquisa em Modelagem Ambiental da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>As seis semanas em que o grupo ficou no mato driblando atoleiros mostram que h\u00e1 mesmo algo a perder. &#8220;Encontramos esp\u00e9cies que n\u00e3o somente nunca tinha sido observadas, como aparentemente s\u00f3 existem naquela regi\u00e3o&#8221;, diz Cohn-Haft. Os animais coletados est\u00e3o agora sendo analisados pelos bi\u00f3logos para definir se realmente tratam-se de novas esp\u00e9cies. Ap\u00f3s confirma\u00e7\u00e3o, as descobertas ser\u00e3o publicadas em revistas cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Cohn-Haft j\u00e1 adianta, no entanto, que ao menos quatro das aves que ele observou s\u00e3o muito provavelmente esp\u00e9cies novas, sendo duas delas end\u00eamicas. &#8220;Eu j\u00e1 tinha visto essas aves em expedi\u00e7\u00f5es anteriores, mas s\u00f3 agora encontrei v\u00e1rios exemplares. \u00c9 uma s\u00e9rie grande o suficiente para poder descrever.&#8221;<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dos achados aumenta quando se leva em conta que as aves s\u00e3o o grupo mais bem conhecido pelos bi\u00f3logos. A descoberta de tantas novidades, segundo o pesquisador, funciona como um term\u00f4metro da diversidade da regi\u00e3o. E, mesmo assim, Cohn-Haft acredita que em alguns anos vai dobrar o n\u00famero de esp\u00e9cies descritas na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Entre os mam\u00edferos, os primat\u00f3logos acreditam ter avistado ao menos uma esp\u00e9cie nova de macaco. Foi coletado ainda um sag\u00fci que provavelmente \u00e9 uma nova subesp\u00e9cie e um primata visto como uma &#8220;redescoberta&#8221; da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Trata-se de um animal que j\u00e1 havia sido descrito na literatura, mas que nunca mais tinha sido visto. &#8220;Ele ficou meio desacreditado, supunha-se que podia ser apenas um indiv\u00edduo extraordin\u00e1rio, mas agora achamos uma popula\u00e7\u00e3o inteira dele&#8221;, conta o pesquisador.<\/p>\n<p>Ainda entre os mam\u00edferos, os bi\u00f3logos apostam num esquilo e numa gatiara (mam\u00edfero noturno) como novas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>O grupo animal que deve trazer mais novidades, no entanto, \u00e9 o dos aracn\u00eddeos e opili\u00f5es (aranhas de longas pernas). Eles ainda s\u00e3o t\u00e3o pouco conhecidos que a expectativa \u00e9 que 95% dos animais encontrados sejam novas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de animais t\u00e3o diferentes em um espa\u00e7o relativamente t\u00e3o pequeno \u00e9 explicada porque a regi\u00e3o engloba tamb\u00e9m tipos de ambiente muito diferentes. Na mesma \u00e1rea h\u00e1 tanto floresta t\u00edpica, quanto v\u00e1rzeas inund\u00e1veis, pequenas serras, bambuzais e campos. &#8220;Tudo isso num interfluviozinho amea\u00e7ado por tudo quanto \u00e9 projeto de desenvolvimento&#8221;, diz Cohn-Haft. <\/p>\n<p> Folha Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas neste ano \u00e0 regi\u00e3o entre os rios Purus e Madeira mostram que essa \u00e1rea de floresta, provavelmente a mais biodiversa de todas as divis\u00f5es ecol\u00f3gicas da Amaz\u00f4nia, deve mesmo ser a detentora deste t\u00edtulo. 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