{"id":55640,"date":"2024-10-25T17:08:43","date_gmt":"2024-10-25T21:08:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=55640"},"modified":"2024-10-25T18:04:05","modified_gmt":"2024-10-25T22:04:05","slug":"o-setor-madeireiro-de-mato-grosso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/o-setor-madeireiro-de-mato-grosso\/","title":{"rendered":"O setor madeireiro de Mato Grosso"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-55650\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-25-at-17.41.51.jpeg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-25-at-17.41.51.jpeg 455w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-25-at-17.41.51-336x349.jpeg 336w\" sizes=\"auto, (max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/p>\n<p>Mato Grosso \u00e9 o segundo maior estado produtor de madeira nativa da Amaz\u00f4nia. O setor de base florestal desempenha um papel essencial na economia de diversos munic\u00edpios. Em 2023, 75 dos 142 munic\u00edpios do estado produziram 2,1 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de madeira em tora, avaliados em R$ 498,1 milh\u00f5es, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as exporta\u00e7\u00f5es de produtos florestais locais geraram US$ 47,1 milh\u00f5es entre janeiro e agosto, de acordo com o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC).<\/p>\n<p>O setor florestal emprega 12.712 pessoas, representando 9,8% do total da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o do estado, al\u00e9m de ter o quarto maior n\u00famero de empregos entre as ind\u00fastrias desse segmento. Existem 1.188 estabelecimentos dedicados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o florestal, dos quais 795, ou 66,9%, s\u00e3o microempresas, incluindo 609 serrarias.<\/p>\n<p>Os produtos madeireiros s\u00e3o destinados a atender a demanda da constru\u00e7\u00e3o civil e moveleira, entre outras aplica\u00e7\u00f5es, tanto no mercado interno como internacional. A amplia\u00e7\u00e3o do acesso dos produtos florestais de Mato Grosso a mercados consumidores, tanto internos quanto externos, est\u00e1 avan\u00e7ando gradualmente, afirma Ednei Blasius, presidente do Centro das Ind\u00fastrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem). Em 2024, empres\u00e1rios do setor participaram dos principais eventos nacionais e internacionais em S\u00e3o Paulo e na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2023, as ind\u00fastrias madeireiras do estado realizaram neg\u00f3cios com 61 pa\u00edses, resultando em exporta\u00e7\u00f5es de produtos florestais que somaram US$ 104,6 milh\u00f5es. Os principais destinos das exporta\u00e7\u00f5es foram os Estados Unidos (US$ 16,7 milh\u00f5es), \u00cdndia (US$ 13 milh\u00f5es) e China (US$ 11 milh\u00f5es). Entre os produtos exportados, destacam-se a madeira bruta, serrada e perfilada (MDIC).<\/p>\n<p>No primeiro trimestre de 2024, as vendas alcan\u00e7aram US$ 18,3 milh\u00f5es, com a exporta\u00e7\u00e3o de 16,6 mil toneladas de madeira, conforme dados do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (MAPA). Isso posiciona Mato Grosso como o quarto maior exportador de madeira do Brasil.<\/p>\n<p>Os principais munic\u00edpios produtores de tora extra\u00edda de \u00e1reas com Plano de Manejo Florestal Sustent\u00e1vel (PMFS) s\u00e3o Colniza, que ocupa o 1\u00ba lugar com 425 mil m\u00b3, seguido por Aripuan\u00e3 em 2\u00ba lugar com 310 mil m\u00b3, Juara em 3\u00ba lugar com 150 mil m\u00b3, e Ju\u00edna em 4\u00ba lugar com 145 mil m\u00b3. Em n\u00edvel nacional, esses quatro munic\u00edpios de Mato Grosso est\u00e3o posicionados, respectivamente, em 4\u00ba, 6\u00ba, 13\u00ba e 14\u00ba lugares entre os 20 maiores fornecedores de madeira extra\u00edda de florestas nativas.<\/p>\n<p>O setor florestal desempenha um papel significativo nas exporta\u00e7\u00f5es dos munic\u00edpios de Mato Grosso. Em Ju\u00edna, as exporta\u00e7\u00f5es de madeira serrada alcan\u00e7aram US$ 241 mil, o que equivale a 33% da receita total de exporta\u00e7\u00f5es do munic\u00edpio nos primeiros oito meses de 2024. Em Colniza, as esp\u00e9cies nativas da madeira representam 90% das exporta\u00e7\u00f5es, totalizando os US$ 7,2 milh\u00f5es no mesmo<\/p>\n<p>O munic\u00edpio de Aripuan\u00e3 faturou US$ 8,91 milh\u00f5es com as exporta\u00e7\u00f5es de madeira perfilada, representando 12% do total de suas exporta\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o munic\u00edpio de Juara exportou madeira serrada, somando US$ 164 mil nos primeiros oito meses de 2024.<\/p>\n<p>O setor de base florestal \u00e9 reconhecido por promover pr\u00e1ticas eficientes e ambientalmente respons\u00e1veis por meio do manejo sustent\u00e1vel, Mato Grosso possui 5,025 milh\u00f5es de hectares de florestas manejadas e conservadas, com uma produ\u00e7\u00e3o de 7 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de madeira em 2022, al\u00e9m de arrecadar R$ 66 milh\u00f5es em impostos. O setor contribui com a economia do estado, gerando receitas significativas em diversos munic\u00edpios e empregos. O sistema de rastreamento da produ\u00e7\u00e3o florestal (Sisflora 2.0) \u00e9 considerado um dos mais eficientes do mundo, assegurando a proced\u00eancia e a legalidade dos produtos.<\/p>\n<p>As ind\u00fastrias madeireiras enfrentam desafios na exporta\u00e7\u00e3o de seus produtos, recentemente uma reuni\u00e3o dos sindicatos madeireiros discutiu op\u00e7\u00f5es para melhorar o com\u00e9rcio internacional de madeira, incluindo a an\u00e1lise de novas rotas portu\u00e1rias com base em um estudo de viabilidade t\u00e9cnica e econ\u00f4mica. As ind\u00fastrias madeireiras no estado de Mato Grosso enfrentam desafios de exporta\u00e7\u00e3o devido a atrasos no desembara\u00e7o de cont\u00eaineres causados pela falta de t\u00e9cnicos do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis) nos portos mar\u00edtimos.<\/p>\n<p>De acordo com o CIPEM essas inefici\u00eancias portu\u00e1rias continuam afetando as ind\u00fastrias exportadoras de madeira mesmo ap\u00f3s o fim da greve nacional dos funcion\u00e1rios do IBAMA, que durou 40 dias neste ano, resultando em preju\u00edzos para os exportadores devido ao ac\u00famulo de embarques interrompidos e ainda criticou a cobran\u00e7a de taxas portu\u00e1rias durante o per\u00edodo de greve.<\/p>\n<p>Um estudo da Fiemt, encomendado pelo Cipem, sugere alternativas como a internacionaliza\u00e7\u00e3o a partir do Porto Seco de Cuiab\u00e1, que pode reduzir o tempo de aprova\u00e7\u00e3o por \u00f3rg\u00e3os reguladores e o prazo de embarque. O Porto Seco oferece 60 dias de armazenagem gratuita, mas seus custos ainda s\u00e3o superiores aos da log\u00edstica convencional. Outra alternativa envolve o uso do Porto Seco em combina\u00e7\u00e3o com o transporte ferrovi\u00e1rio em dire\u00e7\u00e3o ao Porto de Santos, em S\u00e3o Paulo. A terceira op\u00e7\u00e3o estudada \u00e9 a exporta\u00e7\u00e3o via Redex (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exporta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m identifica desafios, como a falta de t\u00e9cnicos do Ibama nos portos, levando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea da Crise dos Portos, em parceria com a Fiep, conforme afirmou Fernanda Campos, superintendente da Fiemt.<\/p>\n<p>O setor florestal enfrenta desafios significativos na exporta\u00e7\u00e3o de seus produtos e, al\u00e9m disso, por falta de conhecimento, sua imagem \u00e9 frequentemente associada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, o que agrava a percep\u00e7\u00e3o negativa do &#8220;produto madeira&#8221; como um todo e limita o potencial de crescimento do setor.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio refor\u00e7a a necessidade urgente de pol\u00edticas florestais nacionais que promovam a sustentabilidade e fortale\u00e7am o desenvolvimento do setor.<\/p>\n<p>Para superar essas dificuldades, \u00e9 crucial promover um entendimento mais profundo sobre o manejo florestal sustent\u00e1vel e a cadeia produtiva da madeira de florestas nativas, com abordagem sobre os aspectos socioecon\u00f4mico e ecol\u00f3gico, que aplica a ci\u00eancia e engenharia florestal em favor das florestas, visando gerar riqueza, proteger o meio ambiente e mitigar mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Al\u00e9m disso, que proporciona emprego e renda para os estados amaz\u00f4nicos, oferecendo uma alternativa valiosa para preservar a floresta frente ao desmatamento ilegal.<\/p>\n<p>Essas iniciativas ser\u00e3o fundamentais para que os produtos florestais de Mato Grosso acessem novos mercados e fortale\u00e7am sua posi\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio global.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: C\u00edcero Ramos, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Mato-grossense dos Engenheiros Florestais e Coordenador das C\u00e2maras Especializadas de Engenharia Florestal (CCEEF) 2024.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mato Grosso \u00e9 o segundo maior estado produtor de madeira nativa da Amaz\u00f4nia. O setor de base florestal desempenha um papel essencial na economia de diversos munic\u00edpios. 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