{"id":5509,"date":"2007-10-24T00:00:00","date_gmt":"2007-10-24T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/sao-paulo-ganha-primeiro-onibus-a-alcool\/"},"modified":"2007-10-24T00:00:00","modified_gmt":"2007-10-24T02:00:00","slug":"sao-paulo-ganha-primeiro-onibus-a-alcool","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/sao-paulo-ganha-primeiro-onibus-a-alcool\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo ganha primeiro \u00f4nibus a \u00e1lcool"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro \u00f4nibus brasileiro movido a \u00e1lcool, vinculado ao Projeto Best (de BioEthanol for Sustainable Transport, na sigla em ingl\u00eas), foi lan\u00e7ado na manh\u00e3 dessa ter\u00e7a-feira (23\/10), em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>O projeto \u00e9 uma iniciativa internacional coordenada pela prefeitura de Estocolmo, na Su\u00e9cia. No Brasil, ele \u00e9 conduzido pelo Centro Nacional de Refer\u00eancia em Biomassa (Cenbio) do Instituto de Eletrot\u00e9cnica e Energia (IEE) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). O objetivo \u00e9 incentivar o uso do etanol em substitui\u00e7\u00e3o ao diesel no transporte p\u00fablico urbano. <\/p>\n<p>O \u00f4nibus circular\u00e1 a partir de dezembro, durante um ano, para a realiza\u00e7\u00e3o de estudos de viabilidade comercial no corredor Jabaquara-S\u00e3o Matheus, que tem 33 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e atende cerca de seis milh\u00f5es de passageiros por m\u00eas, com parada em nove terminais e deslocamento em quatro munic\u00edpios: S\u00e3o Paulo, Diadema, S\u00e3o Bernardo do Campo e Santo Andr\u00e9. <\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo e Nanyang (na China) s\u00e3o as \u00fanicas duas cidades fora da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia que integram o projeto. Participam ainda Madri e a regi\u00e3o do Pa\u00eds Basco (Espanha), Roterd\u00e3 (Holanda), La Spezia (It\u00e1lia), Somerset (Inglaterra) e Dublin (Irlanda). <\/p>\n<p>&#8220;O projeto pretende conscientizar a sociedade e chamar a aten\u00e7\u00e3o dos tomadores de decis\u00e3o para o fato de que as tecnologias do etanol est\u00e3o prontas e dispon\u00edveis. Apesar do maior custo operacional comparado ao diesel, queremos estudar neste um ano de testes maneiras de reduzir o custo para implementar novas unidades em S\u00e3o Paulo&#8221;, disse Jos\u00e9 Roberto Moreira, coordenador do Projeto Best no Brasil, durante a cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento do ve\u00edculo. <\/p>\n<p>O custo de opera\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus movidos a etanol, de acordo com os c\u00e1lculos do Cenbio, \u00e9 de 6% a 7% mais elevado na compara\u00e7\u00e3o com os ve\u00edculos a diesel. &#8220;Temos que descobrir maneiras de eliminar essa diferen\u00e7a e, para isso, vamos reivindicar algumas vantagens junto ao poder p\u00fablico. Queremos inclusive discutir com o governo a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o de ICMS [Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Presta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os] nas transa\u00e7\u00f5es de venda de etanol para as companhias de transporte&#8221;, disse Moreira, tamb\u00e9m presidente do conselho gerenciador do Cenbio, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP. <\/p>\n<p>Segundo ele, n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que se tenta implementar um projeto dessa natureza no Brasil. &#8220;No fim da d\u00e9cada de 1970 o pa\u00eds tentou implementar um programa em caminh\u00f5es e \u00f4nibus, tamb\u00e9m \u00e0 base de mistura de etanol e aditivos. Cerca de 30 ve\u00edculos foram adaptados, mas, economicamente, o projeto foi um fracasso, uma vez que o pre\u00e7o do petr\u00f3leo desmoronou, em 1985, e ficou muito dif\u00edcil competir com o diesel&#8221;, explicou. <\/p>\n<p>Na Su\u00e9cia, desde 1985 o governo optou pelo uso dessa tecnologia, uma vez que foi dado maior valor \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o local em detrimento do custo elevado de opera\u00e7\u00e3o. Como a passagem de \u00f4nibus naquele pa\u00eds custa o equivalente a R$ 7, foi mais f\u00e1cil absorver o sobrepre\u00e7o. Hoje, o pa\u00eds tem cerca de 600 \u00f4nibus movidos a etanol em opera\u00e7\u00e3o, sendo cerca de 200 incorporados ao Programa Best. <\/p>\n<p>No Brasil, at\u00e9 o momento foram gastos cerca de R$ 1,5 milh\u00e3o no Projeto Best, sendo um ter\u00e7o custeado pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e o restante por parceiros como a Scania, que forneceu o motor e o chassi do ve\u00edculo, Marcopolo (carroceria), Uni\u00e3o da Ind\u00fastria de Cana-de-A\u00e7\u00facar (Unica), que fornecer\u00e1 o etanol para os testes, e a Cooperativa de Produtores de Cana-de-A\u00e7\u00facar, A\u00e7\u00facar e \u00c1lcool do Estado de S\u00e3o Paulo (Copersucar), que importar\u00e1 da Su\u00e9cia o primeiro lote de etanol aditivado. <\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da Petrobras ser\u00e1 na mistura do aditivo ao etanol e na distribui\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel nas operadoras. A sueca BAFF\/Sekab fornecer\u00e1 os aditivos. O Sistema Metropolitano de Transporte (Metra), a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e a S\u00e3o Paulo Transportes (SPTrans) ser\u00e3o respons\u00e1veis pela viabiliza\u00e7\u00e3o dos testes. <\/p>\n<p>O \u00f4nibus movido a etanol custa entre R$ 350 mil e R$ 500 mil, valor semelhante ao dos modelos que usam diesel. <\/p>\n<p><b>Menos poluentes<\/b> <\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 Roberto Moreira, a Scania produz motores que atendem \u00e0s especifica\u00e7\u00f5es Euro 5 e EEV (Enhanced Environmentally Friendly Vehicles, na sigla em ingl\u00eas), normas de controle de emiss\u00f5es de poluentes que, a partir de 2009, ser\u00e3o obrigat\u00f3rias na Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. &#8220;O Brasil hoje cumpre a norma Euro 3 e dever\u00e1 adotar a Euro 4 apenas em 2009&#8221;, disse. <\/p>\n<p>O \u00f4nibus de testes que acaba de ser lan\u00e7ado, por ser equipado com motor de inje\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica que atende \u00e0 Euro 4, cumpre as exig\u00eancias do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) no que diz respeito \u00e0s emiss\u00f5es de poluentes locais e diminui em mais de 80% as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. <\/p>\n<p>&#8220;O motor chega a reduzir em 87% a emiss\u00e3o de hidrocarbonetos, em 92% a de mon\u00f3xido de carbono e em 100% a de \u00f3xidos de enxofre e de di\u00f3xido de carbono, quando comparado ao motor a diesel&#8221;, disse o presidente do conselho gerenciador do Cenbio. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento, Gilberto Kassab, prefeito de S\u00e3o Paulo, elogiou a iniciativa. &#8220;Espero que as institui\u00e7\u00f5es que integram esse projeto sejam tamb\u00e9m parceria da prefeitura para colocarmos mais \u00f4nibus desse tipo em funcionamento. Temos 15 mil \u00f4nibus em circula\u00e7\u00e3o na cidade e precisamos de novas tecnologias que possam evitar a polui\u00e7\u00e3o&#8221;, destacou. <\/p>\n<p>Dilma Seli Pena, secret\u00e1ria estadual de Saneamento e Energia, que representou o governador Jos\u00e9 Serra na ocasi\u00e3o, ressaltou que o Projeto Best conta com institui\u00e7\u00f5es de excel\u00eancia em pesquisa como o IEE e a Escola Polit\u00e9cnica, ambos da USP. <\/p>\n<p>&#8220;A pesquisa acad\u00eamica realizada em parceria com os setores industriais avan\u00e7ados \u00e9 o caminho para resolvermos os problemas mais complexos que afetam a humanidade neste momento e, por isso, temos que investir em ci\u00eancia e tecnologia para produzir resultados r\u00e1pidos. O maior desafio \u00e9 desenvolver pesquisas que tragam resultados imediatos&#8221;, disse. <\/p>\n<p><b>Fiscalizadores da efici\u00eancia<\/b> <\/p>\n<p>Apesar de a efici\u00eancia energ\u00e9tica do motor a etanol ser a mesma do motor a diesel, o consumo de etanol \u00e9 maior. Estudos indicam que o \u00f4nibus a etanol consome cerca de 60% a mais do que o movido a diesel para percorrer a mesma dist\u00e2ncia. Por outro lado, mesmo o etanol sendo aproximadamente 50% mais barato que o diesel, as despesas precisam ser analisadas devido \u00e0 necessidade de acrescentar o custo dos aditivos. <\/p>\n<p>De acordo com Marcio Schettino, gerente de desenvolvimento da EMTU, o corredor Jabaquara-S\u00e3o Matheus pode ser considerado um bom laborat\u00f3rio devido \u00e0 velocidade m\u00e9dia dos \u00f4nibus que l\u00e1 transitam, em torno de 25 km\/h &#8211; mais do que o dobro da velocidade m\u00e9dia das linhas convencionais da cidade de S\u00e3o Paulo. O ve\u00edculo a etanol ser\u00e1 incorporado \u00e0 frota da operadora Metra. <\/p>\n<p>&#8220;Ser\u00e1 poss\u00edvel fazer muito mais testes, pois rodaremos mais quil\u00f4metros em um per\u00edodo menor de tempo. Os \u00f4nibus nesse corredor rodam em m\u00e9dia 300 quil\u00f4metros por dia&#8221;, disse. Ao todo s\u00e3o nove linhas de \u00f4nibus que rodam a diesel no corredor, cada uma com caracter\u00edsticas particulares, como de demanda de passageiros e topografia. <\/p>\n<p>&#8220;Vamos cruzar dados para verificar a atua\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos em diferentes condi\u00e7\u00f5es. A efici\u00eancia do \u00f4nibus a etanol ser\u00e1 comparada com pelos menos outros 40 modelos equivalentes a diesel. Queremos ter dados palp\u00e1veis para apresentar ao poder p\u00fablico&#8221;, disse Schettino \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP. <\/p>\n<p>Pesquisadores da USP ser\u00e3o os fiscalizadores do consumo de combust\u00edvel, dos quil\u00f4metros rodados e do controle de emiss\u00e3o de poluentes. &#8220;Os dados ser\u00e3o coletados pela Metra e n\u00f3s faremos uma esp\u00e9cie de auditoria, analisando e cruzando os dados para a elabora\u00e7\u00e3o de planilhas de efici\u00eancia&#8221;, afirmou Moreira. Os primeiros resultados dever\u00e3o ser divulgados no primeiro semestre de 2009.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Faesp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro \u00f4nibus brasileiro movido a \u00e1lcool, vinculado ao Projeto Best (de BioEthanol for Sustainable Transport, na sigla em ingl\u00eas), foi lan\u00e7ado na manh\u00e3 dessa ter\u00e7a-feira (23\/10), em S\u00e3o Paulo. 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