{"id":5216,"date":"2007-11-30T00:00:00","date_gmt":"2007-11-30T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/comunidades-indigenas-usam-cinema-para-resgatar-cultura-e-tradicoes\/"},"modified":"2007-11-30T00:00:00","modified_gmt":"2007-11-30T02:00:00","slug":"comunidades-indigenas-usam-cinema-para-resgatar-cultura-e-tradicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/comunidades-indigenas-usam-cinema-para-resgatar-cultura-e-tradicoes\/","title":{"rendered":"Comunidades ind\u00edgenas usam cinema para resgatar cultura e tradi\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Um ritual ind\u00edgena de reconquista faz parte do filme que explica por que o pequi tem cheiro forte, segundo a lenda Kuikuro, povo do Alto Xingu. A trama do curta-metragem Imb\u00e9 Gikeg\u00fc &#8211; Cheiro de Pequi tem trai\u00e7\u00e3o, assassinato e romance. Tudo com muito humor, j\u00e1 que o cheiro viria do sexo da mulher. Esse foi um dos v\u00eddeos apresentados nesta quinta-feira (29) aos participantes da nona edi\u00e7\u00e3o dos Jogos dos Povos Ind\u00edgenas, em Olinda (PE).<\/p>\n<p>O curta levou um ano para ficar pronto e foi produzido por participantes de uma oficina da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental (ONG) V\u00eddeo nas Aldeias para o projeto Documenta Kuikuro, em que a tecnologia \u00e9 utilizada para manter a cultura. A festa do pequi foi escolhida porque ocorreu simultaneamente ao curso, que ocorreu em setembro.<\/p>\n<p>Segundo um dos diretores do filme, Maric\u00e1 Kuikuro, a id\u00e9ia do projeto de documenta\u00e7\u00e3o \u00e9 guardar as tradi\u00e7\u00f5es para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, mas sob o olhar dos pr\u00f3prios \u00edndios. &#8220;A preocupa\u00e7\u00e3o do cacique era perder tudo isso&#8221;, disse. O projeto Documenta Kuikuro \u00e9 coordenado pelos \u00edndios e pelos antrop\u00f3logos Carlos Fausto e Bruna Franchetto do Museu Nacional do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Uma das lideran\u00e7as Kuikuro, o velho Jakalo, disse a iniciativa \u00e9 importante para os ind\u00edgenas n\u00e3o correrem o risco de &#8220;esquecer a cultura&#8221;, como outros povos que n\u00e3o lembram mais da l\u00edngua e das festas nativas. &#8220;Outro dia, perguntei a um \u00edndio se ele falava a l\u00edngua dele? E ele respondeu que n\u00e3o, tinha esquecido&#8221;, recorda. A\u00ed eu fiquei triste&#8221;.<\/p>\n<p>A documentarista Mari Corr\u00eaa, dirigente da ONG V\u00eddeo nas Aldeias, avalia que o projeto tem duas dimens\u00f5es: a documenta\u00e7\u00e3o e a dinamiza\u00e7\u00e3o da cultura. &#8220;A oficina gera uma din\u00e2mica no momento, n\u00e3o no futuro. Com as filmagens, entrevistas e depoimentos, esse assunto da tradi\u00e7\u00e3o, da transmiss\u00e3o do saber, vem \u00e0 tona e todos come\u00e7am a se interessar&#8221;, explicou. O projeto tamb\u00e9m \u00e9 realizado com outros 15 povos.<\/p>\n<p>Antes da exibi\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo Kuikuro, o presidente do Comit\u00ea Intertribal &#8211; Mem\u00f3ria e Ci\u00eancia Ind\u00edgena, Marcos Terena, disse que os filmes produzidos pelos \u00edndios os retiram do &#8220;papel de z\u00e9-mane&#8221;, em refer\u00eancia \u00e0s telenovelas: &#8220;Apesar de sermos cerca de 500 mil em uma popula\u00e7\u00e3o de 179 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o queremos ser os &#8216;mudos&#8217; da hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ritual ind\u00edgena de reconquista faz parte do filme que explica por que o pequi tem cheiro forte, segundo a lenda Kuikuro, povo do Alto Xingu. 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