{"id":5163,"date":"2007-12-06T00:00:00","date_gmt":"2007-12-06T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/cerca-de-4-milhoes-de-familias-nao-tem-acesso-a-energia-eletrica\/"},"modified":"2007-12-06T00:00:00","modified_gmt":"2007-12-06T02:00:00","slug":"cerca-de-4-milhoes-de-familias-nao-tem-acesso-a-energia-eletrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/cerca-de-4-milhoes-de-familias-nao-tem-acesso-a-energia-eletrica\/","title":{"rendered":"Cerca de 4 milh\u00f5es de fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 energia el\u00e9trica"},"content":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas divulgou, na semana passada, a nova edi\u00e7\u00e3o de seu relat\u00f3rio de \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil aparece em 70\u00ba lugar, mas \u00e9 o pa\u00eds que mais evoluiu: nos \u00faltimos 26 anos subiu 16 posi\u00e7\u00f5es no \u00edndice. <\/p>\n<p>Os marcadores respons\u00e1veis pela melhora foram a equipara\u00e7\u00e3o do n\u00famero de meninos e meninas matriculadas na escola, eq\u00fcidade de oportunidades a homens e mulheres e o aumento da expectativa de vida. Entretanto, h\u00e1 fatores que podem impedir o pa\u00eds de subir mais no ranking, como os cerca de 4 milh\u00f5es de fam\u00edlias ainda sem acesso \u00e0 energia el\u00e9trica. <\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es foram feitas por especialistas reunidos no encontro &#8220;Avan\u00e7os e Perspectivas da Ci\u00eancia no Brasil, Am\u00e9rica Latina e Caribe&#8221;, que ocorre at\u00e9 sexta-feira (7\/12) na Academia Brasileira de Ci\u00eancias, no Rio de Janeiro. <\/p>\n<p>O tema da energia, particularmente o da energia nuclear, ocupou um debate que destacou a rela\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o de energia e IDH. Na classifica\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 energia per capita, o Brasil est\u00e1 abaixo de 2 em uma escala que vai de 0 a 10. <\/p>\n<p>&#8220;Parece claro que precisamos gerar mais energia. E n\u00e3o podemos abrir m\u00e3o de nenhum tipo de alternativa. Os principais pa\u00edses na lista do IDH fazem amplo uso da energia nuclear&#8221;, disse Aquilino Senra Martinez, professor titular do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. &#8220;A energia nuclear representa 3,7% da matriz energ\u00e9tica brasileira, o que \u00e9 muito pouco.&#8221; <\/p>\n<p>Jo\u00e3o Manoel Lousada Moreira, da Universidade Federal do ABC, tamb\u00e9m presente no simp\u00f3sio, concordou: &#8220;O pa\u00eds precisa produzir mais energia e energia nuclear \u00e9 uma alternativa&#8221;. <\/p>\n<p>A Fran\u00e7a \u00e9 o pa\u00eds que mais produz energia el\u00e9trica por meio nuclear, com 78% do total gerado, seguida por Su\u00e9cia (50%), Ucr\u00e2nia (45%), Cor\u00e9ia do Sul (37%), Alemanha (28%) e Jap\u00e3o (23%). Os Estados Unidos lideram no n\u00famero de usinas (104), com Fran\u00e7a (59), Jap\u00e3o (54), Gr\u00e3-Bretanha (31) e R\u00fassia (30) em seguida. <\/p>\n<p>&#8220;A Cor\u00e9ia do Sul inaugurou sua primeira usina junto com o Brasil, no final da d\u00e9cada de 1970, mas hoje tem 19, contra apenas duas daqui&#8221;, comparou Senra. <\/p>\n<p><b>Vantagens e riscos<\/b><\/p>\n<p>Os debatedores foram un\u00e2nimes em afirmar que, embora na \u00e1rea da energia nuclear n\u00e3o tenha havido reposi\u00e7\u00e3o de pessoal nos \u00faltimos anos, o Brasil tem capacidade em termos de potencial humano. &#8220;O Brasil est\u00e1 entre os nove pa\u00edses que det\u00eam a tecnologia do ur\u00e2nio&#8221;, ressaltou o professor da Coppe. <\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s reservas mundiais de ur\u00e2nio, o pa\u00eds tem cerca de 143 mil toneladas. A Austr\u00e1lia vem em primeiro, com 1 milh\u00e3o de toneladas, seguida do Cazaquist\u00e3o (622 mil toneladas), Canad\u00e1 (439 mil) e da \u00c1frica do Sul (298 mil). <\/p>\n<p>Lousada Moreira enumerou vantagens econ\u00f4micas. &#8220;A energia nuclear pode produzir energia el\u00e9trica a um custo compat\u00edvel com o das hidrel\u00e9tricas. Al\u00e9m disso, seu impacto ambiental tamb\u00e9m \u00e9 baixo &#8211; uma usina como Angra ocupa uma \u00e1rea de 1 a 4 quil\u00f4metros quadrados&#8221;, disse. <\/p>\n<p>Os pesquisadores enfatizaram que a tecnologia apresenta problemas de seguran\u00e7a e custos, mas que isso n\u00e3o a tornaria diferente das outras alternativas. <\/p>\n<p>&#8220;Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 emiss\u00e3o de gases do efeito estufa, por exemplo, atualmente se discute a emiss\u00e3o de gases por materiais depositados nas barragens das hidrel\u00e9tricas&#8221;, afirmou Senra. &#8220;Desde a minera\u00e7\u00e3o at\u00e9 o reator, a energia nuclear apresenta baixo \u00edndice de emiss\u00e3o de carbono. Nesse quesito, pertence ao mesmo bloco da energia e\u00f3lica, por exemplo&#8221;, disse Lousada Moreira. <\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a, o maior receio \u00e9 que ocorra no Brasil acidentes como o da usina de Chernobyl, na Ucr\u00e2nia, em 1986, ou de Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979. <\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 claro que sempre haver\u00e1 o risco tecnol\u00f3gico, mas n\u00e3o existe a possibilidade de ocorrer em Angra 1 ou 2. A engenharia aplicada aqui n\u00e3o permite acidentes do tipo. Al\u00e9m disso, devemos lembrar que das 440 usinas espalhadas no mundo, houve apenas dois acidentes&#8221;, salientou Senra. <\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 quanto aos rejeitos. Segundo o pesquisador, o que o mundo se habituou a chamar de &#8220;lixo radiativo&#8221; \u00e9 nada menos do que energia. &#8220;Alguns pa\u00edses colocam esse &#8216;lixo&#8217; embaixo da terra para reaproveitar no futuro&#8221;, afirmou. <\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sei se esse \u00e9 o modelo que devemos adotar, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos aderir aos discursos de pa\u00edses desenvolvidos como a Su\u00e9cia, que pode se dar ao luxo de n\u00e3o fazer mais reatores nucleares. O Brasil defende o uso da energia nuclear para fins pac\u00edficos, tem potencial de desenvolv\u00ea-la e deve aproveit\u00e1-la&#8221;, destacou Senra.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas divulgou, na semana passada, a nova edi\u00e7\u00e3o de seu relat\u00f3rio de \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH). 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