{"id":5070,"date":"2008-01-09T00:00:00","date_gmt":"2008-01-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/morcegos-serao-usados-para-reflorestamento-de-areas-degradadas\/"},"modified":"2008-01-09T00:00:00","modified_gmt":"2008-01-09T02:00:00","slug":"morcegos-serao-usados-para-reflorestamento-de-areas-degradadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/morcegos-serao-usados-para-reflorestamento-de-areas-degradadas\/","title":{"rendered":"Morc\u00eagos ser\u00e3o usados para reflorestamento de \u00e1reas degradadas"},"content":{"rendered":"<p>Esp\u00e9cies de tr\u00eas g\u00eaneros de morcegos frug\u00edvoros s\u00e3o os atores principais de uma t\u00e9cnica inovadora para o reflorestamento de \u00e1reas degradadas, desenvolvida por bi\u00f3logos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Embrapa Florestas, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria em Colombo (PR). <\/p>\n<p>Os morcegos, que voam por grandes dist\u00e2ncias e se alimentam de frutas, carregam no intestino sementes de esp\u00e9cies pioneiras, consideradas as mais importantes na redefini\u00e7\u00e3o da estrutura vegetal de uma floresta e que, por isso, devem ser plantadas antes de qualquer outra esp\u00e9cie. Ao defecar durante o v\u00f4o eles fazem o plantio natural das sementes. <\/p>\n<p>A t\u00e9cnica funciona com base na atra\u00e7\u00e3o dos morcegos por meio de \u00f3leos essenciais isolados a partir de frutos usualmente consumidos por eles, em especial dos g\u00eaneros Ficus, Solanum e Piper, acelerando a dispers\u00e3o de sementes em regi\u00f5es que precisam ser convertidas em florestas novamente para atender \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ambiental, como \u00e1reas de agricultura e pastagem abandonadas. <\/p>\n<p>&#8220;Como os morcegos s\u00e3o atra\u00eddos pelo aroma dos \u00f3leos essenciais, n\u00f3s os induzimos a depositar em locais que desejamos recuperar sementes contidas em suas fezes, colhidas em regi\u00f5es n\u00e3o degradadas. Dessa forma, podemos aumentar a chuva de sementes vegetais de interesse em qualquer regi\u00e3o devastada&#8221;, disse um dos autores do trabalho, Gledson Bianconi, pesquisador do Instituto de Bioci\u00eancias da Unesp, em Rio Claro (SP), \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP. <\/p>\n<p>O estudo, desenvolvido em parceria com a pesquisadora Sandra Bos Mikich, da Emprapa Florestas, trabalhou com morcegos frug\u00edvoros de tr\u00eas g\u00eaneros: Artibeus, Carollia e Sturnira, comuns em matas brasileiras e em outros pa\u00edses das Am\u00e9ricas do Sul e Central. <\/p>\n<p>&#8220;Escolhemos os morcegos porque, al\u00e9m de voar por longas dist\u00e2ncias, esses mam\u00edferos t\u00eam um consumo preferencial de frutos de plantas utilizadas na recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas florestais. Outra vantagem \u00e9 que eles defecam muito r\u00e1pido, minutos ap\u00f3s o consumo de alimento&#8221;, conta o pesquisador da Unesp. <\/p>\n<p>O trabalho ficou em primeiro lugar na 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Ford Motor Company na categoria Iniciativa do Ano em Conserva\u00e7\u00e3o, concedido pela Ford Brasil e pela Conserva\u00e7\u00e3o Internacional do Brasil. <\/p>\n<p><b>V\u00f4os intensos &#8211;<\/b> Testes para a valida\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica foram realizados em uma \u00e1rea degradada da Mata Atl\u00e2ntica no entorno do Parque Estadual Vila Rica do Esp\u00edrito Santo, no munic\u00edpio de F\u00eanix, no Paran\u00e1. Os \u00f3leos essenciais dos frutos foram impregnados em septos de borracha, estruturas de aproximadamente 1 cent\u00edmetro que ret\u00eam por mais tempo os odores no ambiente. <\/p>\n<p>&#8220;Dividimos parte da regi\u00e3o em parcelas de 1 hectare e colocamos os septos para fazer a contagem dos animais atra\u00eddos pelo cheiro, utilizando filmadoras com infravermelho&#8221;, explicou Bianconi. Em cerca de uma hora de observa\u00e7\u00e3o noturna os pesquisadores identificaram mais de 50 v\u00f4os de morcegos sobre cada uma das parcelas nas quais foram instalados os atrativos odor\u00edferos. <\/p>\n<p>O mesmo tempo de observa\u00e7\u00e3o foi destinado para outras parcelas de terra, tamb\u00e9m com 1 hectare cada e utilizadas como controle, por\u00e9m sem os odores. &#8220;Nessas \u00e1reas, contamos menos de 20 v\u00f4os por hectare, menos da metade daquelas que continham os aromas&#8221;, disse Bianconi. <\/p>\n<p>Com o aux\u00edlio de bot\u00e2nicos da Universidade Federal do Paran\u00e1, a pesquisa est\u00e1 em fase de avalia\u00e7\u00e3o quali-quantitativa do crescimento das plantas que germinam na \u00e1rea de pesquisa em F\u00eanix. <\/p>\n<p>&#8220;Estamos tamb\u00e9m realizando outros testes em cativeiro, no laborat\u00f3rio e no campo para descobrir e isolar os compostos qu\u00edmicos dos \u00f3leos essenciais que s\u00e3o respons\u00e1veis pela atra\u00e7\u00e3o dos morcegos, com o objetivo de sintetizar esses compostos para produzi-los em larga escala. Dependendo da esp\u00e9cie do fruto, cada \u00f3leo pode ter dezenas de compostos&#8221;, contou Bianconi.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Faesp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esp\u00e9cies de tr\u00eas g\u00eaneros de morcegos frug\u00edvoros s\u00e3o os atores principais de uma t\u00e9cnica inovadora para o reflorestamento de \u00e1reas degradadas, desenvolvida por bi\u00f3logos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Embrapa Florestas, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria em Colombo (PR). 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