{"id":49490,"date":"2023-09-12T15:49:00","date_gmt":"2023-09-12T19:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=49490"},"modified":"2023-09-12T16:16:35","modified_gmt":"2023-09-12T20:16:35","slug":"era-da-fervura-global-cuiaba-na-fila-da-vulnerabilidade-das-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/era-da-fervura-global-cuiaba-na-fila-da-vulnerabilidade-das-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"ERA DA FERVURA GLOBAL:  Cuiab\u00e1 na fila da vulnerabilidade das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-49491 alignleft\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Andre-Baby-.jpeg\" alt=\"\" width=\"194\" height=\"291\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Andre-Baby-.jpeg 683w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Andre-Baby--543x814.jpeg 543w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Andre-Baby--336x504.jpeg 336w\" sizes=\"auto, (max-width: 194px) 100vw, 194px\" \/>Conhecida carinhosamente como &#8220;Cuiabrasa&#8221;, a capital do MT recentemente registrou o agosto mais quente nos \u00faltimos 62 anos (INMET). Esse marco n\u00e3o \u00e9 um recorde isolado, mas um alerta estridente de um planeta em crise. O Secret\u00e1rio-Geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, proclamou que a era do aquecimento global deu lugar \u00e0 era da fervura global e Cuiab\u00e1 est\u00e1 vivenciando cada vez mais os impactos dessa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo o Servi\u00e7o de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Cop\u00e9rnico e o Centro Europeu de Previs\u00f5es Meteorol\u00f3gicas a M\u00e9dio Prazo, as ondas de calor est\u00e3o se tornando mais frequentes e intensas, sublinhando a necessidade urgente de enfrentar a crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Atualmente, presenciamos evid\u00eancias ineg\u00e1veis da emerg\u00eancia clim\u00e1tica: o aumento da temperatura global, o aquecimento e acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, o recuo de geleiras e a redu\u00e7\u00e3o da cobertura de neve. O gelo do \u00c1rtico diminui e eventos extremos, como inc\u00eandios florestais e terremotos, est\u00e3o se tornando mais frequentes e intensos. Tais transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o observadas em todo o sistema clim\u00e1tico, que engloba a atmosfera, biosfera, oceanos e calotas polares. Vale destacar que ondas de calor resultaram na morte de mais de 60.000 pessoas em 35 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia somente no ver\u00e3o de 2022 .<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o, ela impacta tanto as zonas urbanas quanto as rurais, sendo que esta \u00faltima tem especial relev\u00e2ncia em Mato Grosso devido \u00e0 sua intensa atividade agropecu\u00e1ria. Os efeitos tang\u00edveis da mudan\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 s\u00e3o evidentes em nossa produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, na qualidade do ar que respiramos e nas altas temperaturas que enfrentamos. Como exemplo, a agricultura brasileira \u00e9 altamente dependente do regime de chuvas, o que torna as altera\u00e7\u00f5es no clima ainda mais preocupantes. A conceituada revista Nature Climate Change apontou que o preju\u00edzo para o agroneg\u00f3cio causado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ocorre em lavouras com e sem irriga\u00e7\u00e3o. Nas lavouras irrigadas de soja, a perda na safra estimada pelos cientistas j\u00e1 chegou a 11 quilos por hectare no Matopiba (Regi\u00e3o do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia) e a 114 quilos por hectare no Mato Grosso; no cultivo sem irriga\u00e7\u00e3o, o preju\u00edzo foi de 5 quilos por hectare no Matopiba e 26 quilos por hectare no MT.<\/p>\n<p>O efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e1 sendo sentido no Centro-Oeste e em espec\u00edfico no Cerrado brasileiro, regi\u00e3o respons\u00e1vel por metade da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira. Cerca de 28% das \u00e1reas agricult\u00e1veis est\u00e3o fora do padr\u00e3o clim\u00e1tico ideal para o cultivo de soja e milho, por exemplo, segundo o estudo \u201cO Limite Clim\u00e1tico para a Agricultura no Brasil \u201d.<\/p>\n<p>Em estudo publicado pela UNEMAT, em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, no peri\u00f3dico cient\u00edfico Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica, nos chamou a aten\u00e7\u00e3o para qualidade do Ar onde 20 milh\u00f5es de residentes no Centro-Oeste e Norte s\u00e3o expostos a pelo menos 3 a 4 meses ao ano \u00e0 m\u00e1 qualidade do Ar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-49492 alignright\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Walter-Aguiar-.jpeg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"360\" \/>Para Cuiab\u00e1 e para todo o MT \u00e9 tempo de reconhecimento e a\u00e7\u00e3o. \u00c9 imperativo que autoridades p\u00fablicas, sociedade civil organizada, comunidade cient\u00edfica e setor produtivo unam for\u00e7as para elaborar estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 mais como separar impactos exclusivos ao campo ou \u00e0 cidade. O que acontece no campo influencia na qualidade de vida da cidade e vice-versa.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a atividade humana provocou um aquecimento do planeta em uma escala sem precedentes. Dados do INMET destacam que Cuiab\u00e1 ficou 1,5\u00b0 mais quente nas \u00faltimas d\u00e9cadas e o Planeta Terra variou +\/- 0,2\u00b0C do ano 0 at\u00e9 1850; dos anos 1850 a 1950 aumentou 0,5\u00b0C; e entre 1950 e 2023 aumentou 0,6\u00b0C. Ou seja, de 1850 a 2023 aumentou 1,1\u00b0C\u00a0 .<\/p>\n<p>A era da fervura global \u00e9 mais do que uma mera mudan\u00e7a de terminologia, representa um apelo \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Cuiab\u00e1 e MT est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de liderar a resposta brasileira a essa crise, especificamente a pr\u00f3xima gest\u00e3o municipal de Cuiab\u00e1 deve se atentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, suas implica\u00e7\u00f5es, promover a mitiga\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o sob pena de termos uma cidade invi\u00e1vel ambientalmente para viver. O momento de agir \u00e9 agora, visando garantir que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es desfrutem de um planeta mais equilibrado, justo e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Baby-\u00a0 Engenheiro Florestal, Especialista em Gest\u00e3o Ambiental e Mestre em Sustentabilidade\u00a0 e conselheiro do Crea-MT\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Walter Aguiar- Engenheiro Eletricista, Especialista em Sustentabilidade e Mestrando em F\u00edsica Ambiental (UFMT) e Conselheiro do Crea-MT<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhecida carinhosamente como &#8220;Cuiabrasa&#8221;, a capital do MT recentemente registrou o agosto mais quente nos \u00faltimos 62 anos (INMET). Esse marco n\u00e3o \u00e9 um recorde isolado, mas um alerta estridente de um planeta em crise. 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