{"id":4679,"date":"2008-10-16T00:00:00","date_gmt":"2008-10-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/orientacoes-no-relacionamento-com-pessoas-cegas\/"},"modified":"2008-10-16T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-16T03:00:00","slug":"orientacoes-no-relacionamento-com-pessoas-cegas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/orientacoes-no-relacionamento-com-pessoas-cegas\/","title":{"rendered":"Orienta\u00e7\u00f5es no relacionamento com pessoas cegas"},"content":{"rendered":"<p>As pessoas que estabelecem contato com portadores de defici\u00eancia visual, seja de forma ocasional ou regular, revelam-se de um modo geral inseguras sobre como agir diante das diferentes situa\u00e7\u00f5es que possam ocorrer.<\/p>\n<p>\u00c9 importante, antes de tudo considerar que a conviv\u00eancia em qualquer n\u00edvel ou dimens\u00e3o, constitui tarefa complexa. Implica em negocia\u00e7\u00f5es, concess\u00f5es, acordos e ajustes. N\u00e3o por outro motivo, todas as sociedades humanas, em qualquer tempo hist\u00f3rico, trataram de elaborar e implementar c\u00f3digos de etiqueta, encarregados de dirigir harmoniosamente as rela\u00e7\u00f5es, amenizando o confronto das diferen\u00e7as, desafio constante na inven\u00e7\u00e3o do cotidiano.<\/p>\n<p>Nos casos onde a diferencia\u00e7\u00e3o social se d\u00e1 atrav\u00e9s de marcas inscritas no corpo, tais estigmas podem tornar-se emblem\u00e1ticas, enviesando todo processo de intera\u00e7\u00e3o. Em tais circunst\u00e2ncias, desinforma\u00e7\u00e3o, falta de esclarecimentos, estere\u00f3tipos e as fantasias que da\u00ed derivam, dificultam ainda mais o conv\u00edvio com portadores de defici\u00eancia.<\/p>\n<p>A lista que reproduzimos a seguir, sobre o t\u00edtulo &#8220;Cuidados no relacionamento com pessoas cegas&#8221;, \u00e9 uma esp\u00e9cie de c\u00f3digo de etiqueta no qual a rela\u00e7\u00e3o com as pessoas portadoras de defici\u00eancia visual, recebe uma orienta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, desenhada pelo negativo. Dizendo o que n\u00e3o se deve fazer no contato com o deficiente visual, define-se, em linhas gerais, um modo de tratamento adequado \u00e0s intera\u00e7\u00f5es das quais ele participa. As possibilidades de intera\u00e7\u00e3o humana s\u00e3o muito amplas e as solu\u00e7\u00f5es encontradas pelos grupos para o conv\u00edvio social harm\u00f4nico sem d\u00favida ultrapassam em muito as situa\u00e7\u00f5es contempladas na listagem de Robert Atkinson, diretor do Braille Institute of America &#8211; California. Esta por\u00e9m, sem d\u00favida proporciona orienta\u00e7\u00f5es essenciais para um primeiro e, eventualmente, duradouro contato, virtude suficiente para, ap\u00f3s adapt\u00e1-la \u00e0 realidade cultural brasileira, republic\u00e1-las neste espa\u00e7o.<\/p>\n<p>01 &#8211; N\u00e3o trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque n\u00e3o podem ver. Saiba que elas est\u00e3o sempre interessadas no que voc\u00ea gosta de ver, de ler, de ouvir e falar.<\/p>\n<p>02 &#8211; N\u00e3o generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega que voc\u00ea conhe\u00e7a, estendendo-os a outros cegos. N\u00e3o se esque\u00e7a de que a natureza dotou a todos os seres de diferen\u00e7as individuais mais ou menos acentuadas e de que os preconceitos se originam na generaliza\u00e7\u00e3o de qualidades, positivas ou negativas, consideradas particularmente.<\/p>\n<p>03 &#8211; Procure n\u00e3o limitar a pessoa cega mais do que a pr\u00f3pria cegueira o faz, impedindo-a de realizar o que sabe, pode e deve fazer sozinha.<\/p>\n<p>04 &#8211; N\u00e3o se dirija a uma pessoa cega chamando-a de &#8220;cego&#8221; ou &#8220;ceguinho&#8221;; \u00e9 falta elementar de educa\u00e7\u00e3o, podendo mesmo constituir ofensa, chamar algu\u00e9m pela palavra designativa de sua defici\u00eancia sensorial, f\u00edsica, moral ou intelectual.<\/p>\n<p>05 &#8211; N\u00e3o fale com a pessoa cega como se fosse surda; o fato de n\u00e3o ver n\u00e3o significa que n\u00e3o ou\u00e7a bem.<\/p>\n<p>06 &#8211; N\u00e3o se refira \u00e0 cegueira como desgra\u00e7a. Ela pode ser assim encarada logo ap\u00f3s a perda da vis\u00e3o, mas, a orienta\u00e7\u00e3o adequada consegue reduzi-la a defici\u00eancia super\u00e1vel, como acontece em muitos casos.<\/p>\n<p>07 &#8211; N\u00e3o diga que tem pena de pessoa cega, nem lhe mostre exagerada solidariedade. O que ela quer \u00e9 ser tratada com igualdade.<\/p>\n<p>08 &#8211; N\u00e3o exclame &#8220;maravilhoso&#8221;&#8230; &#8220;extraordin\u00e1rio&#8221;&#8230; ao ver a pessoa cega consultar o rel\u00f3gio, discar o telefone ou assinar o nome.<br \/>\n09 &#8211; N\u00e3o fale de &#8220;sexto sentido&#8221; nem de &#8220;compensa\u00e7\u00e3o da natureza&#8221; &#8211; isso perpetua conceitos err\u00f4neo. O que h\u00e1 na pessoa cega \u00e9 simples desenvolvimento de recursos mentais latentes em todas as criaturas.<\/p>\n<p>10 &#8211; N\u00e3o modifique a linguagem para evitar a palavra ver e substitu\u00ed-la por ouvir. Conversando sobre a cegueira com quem n\u00e3o v\u00ea, use a palavra cego sem rodeios.<\/p>\n<p>11 &#8211; N\u00e3o deixe de oferecer aux\u00edlio \u00e0 pessoa cega que esteja querendo atravessar a rua ou tomar condu\u00e7\u00e3o. Ainda que seu oferecimento seja recusado ou mesmo mal recebido por algumas delas, esteja certo de que a maioria lhe agradecer\u00e1 o gesto.<\/p>\n<p>12 &#8211; N\u00e3o suponha que a pessoa cega possa localizar a porta onde deseja entrar ou o lugar aonde queira ir, contando os passos.<\/p>\n<p>13 &#8211; N\u00e3o tenha constrangimento em receber ajuda, admitir colabora\u00e7\u00e3o ou aceitar gentilezas por parte de alguma pessoa cega. Tenha sempre em mente que a solidariedade humana deve ser praticada por todos e que ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o incapaz que n\u00e3o tenha algo para dar.<\/p>\n<p>14 &#8211; N\u00e3o se dirija \u00e0 pessoa cega atrav\u00e9s de seu guia ou companheiro, admitindo assim que ela n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00e3o de compreend\u00ea-lo e de expressar-se.<\/p>\n<p>15 &#8211; N\u00e3o guie a pessoa cega empurrando-a ou puxando-a pelo bra\u00e7o. Basta deix\u00e1-la segurar seu bra\u00e7o, que o movimento de seu corpo lhe dar\u00e1 a orienta\u00e7\u00e3o de que precisa. Nas passagens estreitas, tome a frente e deixe-a segui-lo, mesmo com a m\u00e3o em seu ombro.<\/p>\n<p>16 &#8211; Quando passear com a pessoa cega que j\u00e1 estiver acompanhada, n\u00e3o a pegue pelo outro bra\u00e7o, nem lhe fique dando avisos. Deixe-a ser orientada s\u00f3 por quem a estiver guiando.<\/p>\n<p>17 &#8211; N\u00e3o carregue a pessoa cega ao ajud\u00e1-la a atravessar a rua, tomar condu\u00e7\u00e3o, subir ou descer escadas. Basta gui\u00e1-la, p\u00f4r-lhe a m\u00e3o no corrim\u00e3o.<\/p>\n<p>18 &#8211; N\u00e3o pegue a pessoa cega pelos bra\u00e7os rodando com ela para p\u00f4-la na posi\u00e7\u00e3o de sentar-se, empurrando-a depois para a cadeira. Basta p\u00f4r-lhe a m\u00e3o no espaldar ou no bra\u00e7o da cadeira, que isso lhe indicar\u00e1 sua posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>19 &#8211; N\u00e3o guie a pessoa cega em diagonal ao atravessar em cruzamento. Isso pode faz\u00ea-la perder a orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>20 &#8211; N\u00e3o diga apenas &#8220;\u00e0 direita&#8221;, &#8220;\u00e0 esquerda&#8221;, ao procurar orientar uma pessoa cega \u00e0 dist\u00e2ncia. Muitos se enganam ao tomarem como refer\u00eancia a pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a da pessoa cega que caminha em sentido contr\u00e1rio ao seu.<\/p>\n<p>21 &#8211; N\u00e3o deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa cega. Conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas \u00e0 parede, quando abertas. A portas e janelas meio abertas constituem obst\u00e1culos muito perigosos para ela.<\/p>\n<p>22 &#8211; N\u00e3o deixe objetos no caminho por onde uma pessoa cega costuma passar.<\/p>\n<p>23 &#8211; N\u00e3o bata a porta do autom\u00f3vel onde haja uma pessoa cega sem ter a certeza de que n\u00e3o lhe vai prender os dedos.<\/p>\n<p>24 &#8211; N\u00e3o deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas cegas, isso auxilia a sua identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>25 &#8211; N\u00e3o saia de repente quando estiver conversando com uma pessoa cega, principalmente se houver algo que a impe\u00e7a de perceber seu afastamento. Ela pode dirigir-lhe a palavra e ver-se na situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel de falar sozinha.<\/p>\n<p>26 &#8211; N\u00e3o deixe de apertar a m\u00e3o de uma pessoa cega ao encontr\u00e1-la ou ao despedir-se dela. O aperto de m\u00e3o substitui para ela o sorriso am\u00e1vel.<\/p>\n<p>27 &#8211; N\u00e3o perca seu tempo nem o da pessoa cega perguntando-lhe: &#8220;Sabe quem sou eu?&#8221;&#8230; &#8220;Veja se adivinha quem sou?&#8221;. Identifique-se ao chegar.<\/p>\n<p>28 &#8211; N\u00e3o deixe de apresentar o seu visitante cego a todas as pessoas presentes, assim procedendo, voc\u00ea facilitar\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o dele ao grupo.<\/p>\n<p>29 &#8211; Ao conduzir uma pessoa cega a um ambiente que lhe \u00e9 desconhecido, oriente-a de modo que possa locomover-se sozinha.<\/p>\n<p>30 &#8211; N\u00e3o se constranja em alertar a pessoa cega quanto a qualquer incorre\u00e7\u00e3o no seu vestu\u00e1rio.<\/p>\n<p>31 &#8211; Informe a pessoa cega com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o dos alimentos colocados em seu prato.<\/p>\n<p>32 &#8211; N\u00e3o encha a x\u00edcara ou o copo da pessoa cega at\u00e9 a beirada. Neste caso ela ter\u00e1 dificuldades em mant\u00ea-los equilibrados.<\/p>\n<p>33 &#8211; O pedestre cego \u00e9 muito mais atento que os outros. Ele desenvolve meios e modos de saber onde est\u00e1 e para onde vai, sem precisar estar contando os passos. Antes de sair de casa, ele faz o que toda gente deveria fazer: procura informar-se bem sobre o caminho a seguir para chegar ao seu destino. Na primeira caminhada poder\u00e1 errar um pouco, mas depois raramente se enganar\u00e1. Sali\u00eancias, depress\u00f5es, ru\u00eddos e odores caracter\u00edsticos, ele observa para sua maior orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>* Robert Atkinson (Diretor do Braille Institute of America, California) &#8211; Adapta\u00e7\u00e3o feita pela equipe t\u00e9cnica da Divis\u00e3o de Documenta\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o do Departamento T\u00e9cnico-Especializado e da Divis\u00e3o de Reabilita\u00e7\u00e3o do Departamento de Atendimento M\u00e9dico, Nutricional e de Reabilita\u00e7\u00e3o do Instituto Benjamin Constant, contanto com a participa\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educadores de Deficientes Visuais.<\/p>\n<p>** Este texto ficar\u00e1 \u00e1 disposi\u00e7\u00e3o no site Crea-MT, no link:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas que estabelecem contato com portadores de defici\u00eancia visual, seja de forma ocasional ou regular, revelam-se de um modo geral inseguras sobre como agir diante das diferentes situa\u00e7\u00f5es que possam ocorrer. \u00c9 importante, antes de tudo considerar que a conviv\u00eancia em qualquer n\u00edvel ou dimens\u00e3o, constitui tarefa complexa. 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