{"id":4625,"date":"2008-11-27T00:00:00","date_gmt":"2008-11-27T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/pavilhao-ponte-para-a-expo-2008-em-zaragoza-espanha\/"},"modified":"2008-11-27T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-27T02:00:00","slug":"pavilhao-ponte-para-a-expo-2008-em-zaragoza-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/pavilhao-ponte-para-a-expo-2008-em-zaragoza-espanha\/","title":{"rendered":"Pavilh\u00e3o Ponte para a Expo 2008 em Zaragoza &#8211; Espanha"},"content":{"rendered":"<p><em>Na foto: Projeto arquitet\u00f4nico &#8211; Zaha Hadid e Patrik Schumacher e Projeto Engenharia Estrutural &#8211; Arup.<\/em><\/p>\n<p>Constru\u00eddo sobre o rio Ebro, o Pavilh\u00e3o Ponte possui tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es: entrada para a Exposi\u00e7\u00e3o, passarela de pedestres e pavilh\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es. Foi concebido e projetado pela arquiteta iraqu\u00ed Zaha Hadid, primeira mulher a ser reconhecida com o pr\u00eamio Pritzker de Arquitetura.<\/p>\n<p>Esta constru\u00e7\u00e3o possui um tra\u00e7ado ligeiramente curvil\u00edneo que conecta com formas suaves e cont\u00ednuas o eixo da avenida da Esta\u00e7\u00e3o Intermodal com o espa\u00e7o do Pal\u00e1cio de Congressos no recinto da Expo Zaragoza 2008, atravessando uma pequena ilha.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o este foi o edif\u00edcio com maior desafio construtivo de toda a Expo, pelas dificuldades que apresentava o processo construtivo e pelo fato de que teria que estar terminado em tempo recorde. Este \u00e9 a \u00fanica ponte habitada da Espanha e uma das poucas no mundo com esta caracter\u00edstica. No seu interior se abriga a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;\u00c1gua, recurso \u00fanico&#8221;.<\/p>\n<p>Com uma superf\u00edcie total de 7.000 m\u00b2 e um comprimento de 260 m, este monumental viaduto de pedestres possui uma forma org\u00e2nica, tran\u00e7ada, que simula um glad\u00edolo que abre e fecha como os elementos da natureza.<\/p>\n<p>Seu tamanho \u00e9 vari\u00e1vel de 15 a 30 metros de altura e de 8 a 30 metros de largura. O maior v\u00e3o livre \u00e9 de 185 m e a sec\u00e7\u00e3o da ponte tem forma de diamante, sendo composto por quatro &#8220;casulos (pods)&#8221; que servem como elementos estruturais e recintos de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A base estrutural da ponte \u00e9 o a\u00e7o. Sua cobertura em forma de escamas sobrepostas \u00e9 gerada por um padr\u00e3o de placas solapadas, o que permite desenvolver um micro clima interno baseado no fluxo natural do ar. Assim, a envoltura do edif\u00edcio desempenha um papel fundamental na rela\u00e7\u00e3o com o entorno e a variabilidade atmosf\u00e9rica.<\/p>\n<p>O Pavilh\u00e3o Ponte esta organizado em 4 elementos principais, ou &#8220;casulos&#8221; (pods), que funcionam tanto como elementos estruturais quanto espaciais. Seu desenho \u00e9 resultado de um exame e investiga\u00e7\u00e3o detalhada do potencial da se\u00e7\u00e3o do diamante, que oferece tanto propriedades program\u00e1ticas quanto estruturais. Como no caso das estruturas tipo arco treli\u00e7a espacial, a se\u00e7\u00e3o do diamante pode distribuir eficientemente as for\u00e7as ao longo da superf\u00edcie, enquanto sob a estrutura o espa\u00e7o triangular resultante pode ser usado como galeria de instala\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A extrus\u00e3o da se\u00e7\u00e3o romboidal do diamante ao longo de linhas curvas em diferentes dire\u00e7\u00f5es gerou os quatro espa\u00e7os em formato de casulo do Pavilh\u00e3o<\/p>\n<p>A superposi\u00e7\u00e3o e interse\u00e7\u00e3o dos elementos atua em n\u00edveis espec\u00edficos: otimiza o sistema estrutural da ponte, criando uma diferencia\u00e7\u00e3o natural dos espa\u00e7os interiores, onde cada casulo corresponde a uma \u00e1rea de exposi\u00e7\u00e3o diferente.<\/p>\n<p>Interseccionando-se, os casulos se sustentam entre eles e distribuem os esfor\u00e7os nas quatros estruturas espaciais, com uma resultante redu\u00e7\u00e3o da se\u00e7\u00e3o dos elementos estruturais.<\/p>\n<p>Localizado acima do n\u00edvel m\u00e1ximo de enchente, a Ponte se conecta com as margens num suave plano inclinado. Tr\u00eas dos casulos est\u00e3o no mesmo n\u00edvel, e o quarto passa a 1,5m acima criando a intersec\u00e7\u00e3o com os casulos adjascentes. Tr\u00eas dos casulos possuem um n\u00edvel superior (mezanino) suspenso da estrutura que permite visualizar o n\u00edvel inferior.<\/p>\n<p>Os casulos se acoplan coforme crit\u00e9rios muito precisos visando reduzir ao m\u00e1ximo a se\u00e7\u00e3o da ponte, especialmente no setor do v\u00e3o maior (de 185 m desde a margem direita at\u00e9 a ilha central) e aumentando a se\u00e7\u00e3o no trecho de v\u00e3o menor (85m desde a ilha at\u00e9 a margem esquerda onde acontece a Expo). Assim, um \u00fanico casulo faz a ponte entre a margem direita e a ilha enquanto os outros 3 se estendem da ilha at\u00e9 a margem esquerda<\/p>\n<p>Esta interconex\u00e3o dos casulos deu ao projeto m\u00faltiplas possibilidades. Os interiores se convertem em espa\u00e7os complexos onde o visitante passa de um a outro atrav\u00e9s de pequenos ambientes intermedi\u00e1rios que funcionam como filtros. Estas zonas filtram o som e a experi\u00eancia visual de um espa\u00e7o expositivo a outro, permitindo uma clara compreens\u00e3o do conte\u00fado de cada \u00e1rea. A identidade de cada casulo permanece evidente dentro do pavilh\u00e3o, funcionando quase como um elemento de orienta\u00e7\u00e3o tridimensional.<\/p>\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os interiores \u00e9 uma das principais premissas deste projeto. Cada setor do edif\u00edcio possui sua pr\u00f3pria identidade espacial. Sua natureza varia desde espa\u00e7os completamente fechados que se focam exclusivamente nos elementos expostos, a espa\u00e7os completamente abertos com fortes conex\u00f5es visuais com o rio Ebro e a Expo.<\/p>\n<p>O desenho aproveita a proposta amb\u00edgua da id\u00e9ia inicial, mantendo o aspecto tradicional de uma ponte (aberta ao entorno, sendo o a\u00e7o seu elemento dominante) combinada a um pavilh\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es convencional onde clima e luz s\u00e3o controlados.<\/p>\n<p>Assim dois casulos dedicados a exposi\u00e7\u00e3o possuem uma envolvente completamente fechada e dois est\u00e3o revestidos com uma &#8220;pele&#8221; que permite visualizar a estrutura desde o interior. A maior ou menor permeabilidade desta pele varia conforme a necessidade de proteger os visitantes dos efeitos do sol e calor extremos do deserto aragon\u00eas com m\u00ednimo custo energ\u00e9tico mas sem perder contato visual com o exterior. Assim a envolvente do pavilh\u00e3o tem um papel essencial definindo a rela\u00e7\u00e3o da ponte com seu entorno e as varia\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas, como o vento Tramontana que sopra atrav\u00e9s do Ebro e a for\u00e7a da luz solar em Sarago\u00e7a.<\/p>\n<p>O desenho das superf\u00edcies exteriores do Pavilh\u00e3o deu origem a uma investiga\u00e7\u00e3o sobre superf\u00edcies encontradas na natureza. As escamas de tubar\u00e3o s\u00e3o um paradigma fascinante tanto pela sua apar\u00eancia visual como pela performance. O seu padr\u00e3o permite envolver curvaturas complexas com um sistema simples de m\u00f3dulos rectil\u00edneos. Para o Pavilh\u00e3o Ponte, este conceito revelou-se funcional, visualmente apelativo e economicamente adequado.<\/p>\n<p>A textura do edif\u00edcio assume um papel essencial na defini\u00e7\u00e3o da sua rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio e as varia\u00e7\u00f5es externas. Esta pele de escamas de tubar\u00e3o \u00e9 gerada por um complexo padr\u00e3o de l\u00e2minas sobrepostas. Algumas l\u00e2minas podem rodar sobre um sistema pivotante, permitindo a abertura tempor\u00e1ria ou o fecho de parte da fachada. O padr\u00e3o de pe\u00e7as justapostas confere ao Pavilh\u00e3o Ponte uma grande variedade de aproveitamentos de luz natural atrav\u00e9s dos diversos graus de abertura poss\u00edveis: de raios de luz penetrando por pequenas aberturas a intensos po\u00e7os de luz. As aberturas de maior dimens\u00e3o localizam-se no n\u00edvel inferior, em correspond\u00eancia com o final da ponte, permitindo um maior grau de contacto visual com o Rio e o recinto da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pele exterior esta dividida longitudinalmente em dois elementos: um tabuleiro inferior, constru\u00eddo com pranchas curvas de a\u00e7o, segue uma geometria livre permitida pela flexibilidade do material. No n\u00edvel mais alto um sistema de revestimento de pain\u00e9is de concreto refor\u00e7ado com fibra de vidro (GRC) em varias cores do branco ao preto. <\/p>\n<p>A curvatura do n\u00edvel superior foi concebida em se\u00e7\u00f5es de cilindros subdivididos em 26.500 pe\u00e7as retangulares planas de igual tamanho. Um padr\u00e3o de tri\u00e2ngulos inscrito nos pain\u00e9is limitou a varia\u00e7\u00e3o a apenas 10 padr\u00f5es de corte que combinados com as diferentes de cores do GRC criaram uma cole\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es \u00f3ticos vis\u00edveis ao longo da fachada. Internamente, a superf\u00edcie suave e semi brilhante foi obtida com o revestimento de gesso acartonado com acabamento de resinas ep\u00f3xi e de poliuretano.<\/p>\n<p>A Constru\u00e7\u00e3o &#8211; Os pilotis de concreto s\u00e3o os mais profundos constru\u00eddos na Espanha. Os 62.500 elementos met\u00e1licos estruturais foram pr\u00e9-fabricados em 9 oficinas e depois montados em obra.<\/p>\n<p>A se\u00e7\u00e3o norte da ponte, composta por 3 casulos, pesa 3.500 toneladas e foi completamente montada numa pen\u00ednsula tempor\u00e1ria constru\u00edda no rio. A parte sul pesando 2.200 toneladas foi montada na margem sul do rio e depois deslocada, em parte sobre patines e finalmente suspensa at\u00e9 sua posi\u00e7\u00e3o definitiva por guindaste de 42m de altura, numa manobra bastante complexa considerando a geometria assim\u00e9trica da ponte.<\/p>\n<p>Os apoios &#8211; No desenho do pavilh\u00e3o Ponte prestou-se especial aten\u00e7\u00e3o aos pontos de contato entre a ponte e as margens. A estrutura conta com apenas 3 apoios. Para diminuir a interfer\u00eancia com a trajet\u00f3ria do rio, o apoio central foi localizado na pequena ilha que se encontra a uma dist\u00e2ncia de 2\/3 da largura do rio, desde a margem direita. A forma curvada e hidro-din\u00e2mica do apoio localizado na ilha, foi projetado para minimizar o atrito com a correnteza, no caso de uma enchente. <\/p>\n<p>Igualmente, a geometria da se\u00e7\u00e3o em forma de diamante do corpo principal da ponte permite que o vento a atravesse quase sem interrup\u00e7\u00f5es. O apoio central suporta quase metade da carga da estrutura, com um peso aproximado de 7.000 toneladas. As funda\u00e7\u00f5es se ap\u00f3iam em 22 pilotis dos quais 10 est\u00e3o na ilha central, 4 na margem direita e 8 na margem esquerda.<\/p>\n<p>Na margem direita, uma cunha de terra suporta o acesso \u00e0 ponte fazendo com que a entrada se localize por cima do n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o contra enchentes. O desenho da paisagem respeitou os n\u00edveis existentes no entorno, destacando assim a forma natural das margens.<\/p>\n<p>Na margem esquerda, o perfil do terreno foi organizado em largas faixas, uma das quais se eleva para cobrir um pequeno edif\u00edcio que abriga os servi\u00e7os da ponte. Pr\u00f3xima \u00e0 ponte uma faixa do terreno entra literalmente no pavilh\u00e3o trazendo parte do gramado at\u00e9 o interior do espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ancoragem e o processo de lan\u00e7amento &#8211; Uma das caracter\u00edsticas t\u00e9cnicas desta obra de engenharia radica na ancoragem da infra-estrutura. N\u00e3o h\u00e1 na Espanha nenhum outro edif\u00edcio cuja funda\u00e7\u00e3o atinja tanta profundidade: os pilotis atingem 72,5 m de profundidade. Tamb\u00e9m foi utilizado pela primeira vez no pa\u00eds a &#8220;C\u00e9lula de Osterberg&#8221; (O-cell), um m\u00e9todo de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o para verifica\u00e7\u00e3o de concreto.<\/p>\n<p>Outra das singularidades construtivas do Pavilh\u00e3o \u00e9 o processo de lan\u00e7amento.<\/p>\n<p>Um total de 140m de estruturas com um peso de 2.200 toneladas, que foram constru\u00eddas na margem, foram deslocadas ap\u00f3s prontas num percurso de 125 m at\u00e9 seu local definitivo. Um total de 150 soldadores e montadores, trabalhou durante todo o processo na margem esquerda, enquanto outras equipes realizavam trabalhos no interior e exterior do pavilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: www.metalica.com.br<br \/>\nFotos-legenda &#8211; Na primeira vista geral; na segunda a constru\u00e7\u00e3o; as 13 seguintes vis\u00e3o exterior; e, 11 fotos do interior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na foto: Projeto arquitet\u00f4nico &#8211; Zaha Hadid e Patrik Schumacher e Projeto Engenharia Estrutural &#8211; Arup. Constru\u00eddo sobre o rio Ebro, o Pavilh\u00e3o Ponte possui tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es: entrada para a Exposi\u00e7\u00e3o, passarela de pedestres e pavilh\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es. 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