{"id":45027,"date":"2023-03-21T15:45:49","date_gmt":"2023-03-21T19:45:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=45027"},"modified":"2023-03-21T15:46:46","modified_gmt":"2023-03-21T19:46:46","slug":"a-geologia-do-portao-do-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-geologia-do-portao-do-inferno\/","title":{"rendered":"A Geologia do Port\u00e3o do Inferno"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-45028\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Caiubi-Kuhn-1-847x877.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Caiubi-Kuhn-1-847x877.jpg 847w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Caiubi-Kuhn-1-768x795.jpg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Caiubi-Kuhn-1-1484x1536.jpg 1484w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Caiubi-Kuhn-1-1979x2048.jpg 1979w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Caiubi-Kuhn-1-543x562.jpg 543w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Caiubi-Kuhn-1-336x348.jpg 336w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>O Port\u00e3o do Inferno, local existente na MT 251 entre Cuiab\u00e1 e Chapada, sempre despertou a aten\u00e7\u00e3o de muitas pessoas da regi\u00e3o, devido ao abismo e a bela paisagem. Mas como se formou esse local?<\/p>\n<p>Todas as paisagens que observamos \u00e9 resultado da intera\u00e7\u00e3o entre processos geol\u00f3gicos relacionados a din\u00e2mica interna da terra, formam e transformam as rochas, e os processos da din\u00e2mica externa, tais como condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, chuvas, ventos e outros agentes que atuam na eros\u00e3o das rochas e solos.<\/p>\n<p>No Port\u00e3o do Inferno existem tr\u00eas unidades geol\u00f3gicas diferentes, o Grupo Cuiab\u00e1, a Forma\u00e7\u00e3o Furnas e a Forma\u00e7\u00e3o Botucatu, e elas foram fundamentais para que fosse formado este local da forma como conhecemos hoje. As rochas destas unidades se formaram em diferentes momentos da hist\u00f3ria do planeta, e est\u00e3o sobrepostas, como se fosse um bolo. Cada conjunto de rochas que foi citado, \u00e9 separado do outro por muitos milh\u00f5es de anos de diferen\u00e7a de idade.<\/p>\n<p>A primeira unidade (Mais antiga) \u00e9 o Grupo Cuiab\u00e1, composto por rochas metam\u00f3rficas que guardam a hist\u00f3ria de um processo de abertura e fechamento de oceano. No nosso planeta as placas tect\u00f4nicas atuam de forma cont\u00ednua. A \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul, por exemplo, se afastam cerca de 2 cent\u00edmetros por ano. Por outro lado, o oceano pac\u00edfico se fecha alguns cent\u00edmetros a cada ano. Isso significa de daqui algumas dezenas ou centenas de milh\u00f5es de anos, o oceano Pac\u00edfico iria se fechar, e as Am\u00e9ricas se encontrar\u00e3o com \u00c1sia ou a Austr\u00e1lia, e formar\u00e3o um \u00fanico continente. Um processo similar a esse ocorreu com as rochas do Grupo Cuiab\u00e1, que conta um processo completo, de abertura e fechamento de um oceano com a forma\u00e7\u00e3o de uma grande cordilheira parecida com Himalaia, que se estendia desde a regi\u00e3o de Cuiab\u00e1 at\u00e9 a divisa com Goi\u00e1s e parte do Mato Grosso do Sul. Estas rochas possuem idade entre cerca de 1 bilh\u00e3o de anos e 500 milh\u00f5es de anos. No port\u00e3o do interno elas est\u00e3o no fundo do abismo, e s\u00e3o os mesmos tipos de rochas encontradas em muitos locais da baixada cuiabana.<\/p>\n<p>J\u00e1 as rochas da Forma\u00e7\u00e3o Furnas registram um oceano que recobriu a borda oeste do que hoje \u00e9 a Am\u00e9rica do Sul, entre 410 e 360 milh\u00f5es de anos. As rochas arenosas que comp\u00f5em essa unidade, podem ser observadas de desde a base do abismo, at\u00e9 a base da estrada. O leitor quando for a Chapada, pode reparar que as rochas da por\u00e7\u00e3o inferior do port\u00e3o do inferno s\u00e3o arenitos com colora\u00e7\u00e3o bege.<\/p>\n<p>A Forma\u00e7\u00e3o Botucatu, \u00e9 composta pelos arenitos vermelhos, formados em um grande deserto parecido com o Saara, que recobriu parte da am\u00e9rica do Sul, no final do per\u00edodo Jur\u00e1ssico e in\u00edcio do per\u00edodo Cret\u00e1ceo, algo entorno de 150-140 milh\u00f5es de anos. Essas rochas formam os pared\u00f5es vermelhos da Chapada dos Guimar\u00e3es que est\u00e3o \u00e0 esquerda da estrada, para quem est\u00e1 subindo de Cuiab\u00e1 para Chapada. Nesta unidade geol\u00f3gica o leitor consegue observar marcas do que eram as antigas dunas que formavam o antigo deserto.<\/p>\n<p>No percurso entre a Salgadeira e o Curva da Mata Fria, a estrada passa exatamente nesta superf\u00edcie que separam as forma\u00e7\u00f5es Furnas e Botucatu. A lenta evolu\u00e7\u00e3o do relevo, fez com que esse contato fosse o melhor local para subir da baixada cuiabana para Chapada dos Guimar\u00e3es, isso porque as diferen\u00e7as nas rochas propiciaram o desenvolvimento deste patamar no qual passa a estrada.<\/p>\n<p>Outro fato interessante \u00e9 que as mesmas rochas que hoje formam os pared\u00f5es de Chapada dos Guimar\u00e3es, em algum momento j\u00e1 recobriram tamb\u00e9m a regi\u00e3o de Cuiab\u00e1. A queda de blocos rochosos na estrada, ou em outros locais, s\u00e3o a demonstra\u00e7\u00e3o do processo natural de recuo destes pared\u00f5es. Isso significa que daqui alguns milhares ou milh\u00f5es de anos, a escarpa estar\u00e1 ainda mais recuada e o relevo ser\u00e1 bem diferente do que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea viajar e olhar a paisagem, saiba sempre que ela \u00e9 resultado da intera\u00e7\u00e3o entre processos geol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos, que controlam a forma\u00e7\u00e3o do solo e o modelamento do relevo e da geomorfologia. Claro que esse processo demora milhares ou milh\u00f5es de anos, mas \u00e9 sempre bom pensar e tentar imaginar como era o nosso planeta em outros tempos.<\/p>\n<p><strong>Caiubi Kuhn, Professor na Faculdade de Engenharia (UFMT), ge\u00f3logo, especialista em Gest\u00e3o P\u00fablica (UFMT), mestre em Geoci\u00eancias (UFMT).<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Port\u00e3o do Inferno, local existente na MT 251 entre Cuiab\u00e1 e Chapada, sempre despertou a aten\u00e7\u00e3o de muitas pessoas da regi\u00e3o, devido ao abismo e a bela paisagem. 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