{"id":44673,"date":"2023-03-08T18:27:03","date_gmt":"2023-03-08T22:27:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=44673"},"modified":"2023-03-08T18:27:28","modified_gmt":"2023-03-08T22:27:28","slug":"desafios-da-mulher-na-engenharia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/desafios-da-mulher-na-engenharia\/","title":{"rendered":"Desafios da Mulher na Engenharia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-44674 alignleft\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/celia-847x566.jpeg\" alt=\"\" width=\"431\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/celia-847x566.jpeg 847w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/celia-768x513.jpeg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/celia-1536x1026.jpeg 1536w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/celia-543x363.jpeg 543w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/celia-336x224.jpeg 336w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/celia.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 431px) 100vw, 431px\" \/>A mulher come\u00e7ou de forma acanhada a participar do mercado de trabalho no in\u00edcio da d\u00e9cada de 40, quando a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial come\u00e7ou a acontecer no Brasil. Como o sal\u00e1rio delas era mais baixo, o setor industrial at\u00e9 come\u00e7ou a priorizar o trabalho feminino, mas sempre em atividades de menor import\u00e2ncia, instituindo desde ent\u00e3o a desigualdade salarial. Na d\u00e9cada de 70 foi realmente quando come\u00e7amos a ocupar outros espa\u00e7os fora de casa e a exercer fun\u00e7\u00f5es mais relevantes. Nessa d\u00e9cada, pelo pr\u00f3prio contexto hist\u00f3rico de v\u00e1rios movimentos sociais, a quest\u00e3o das mulheres tamb\u00e9m esteve presente nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que houve avan\u00e7os na participa\u00e7\u00e3o da mulher nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mas ainda existem alguns desafios quando o assunto \u00e9 a mulher no mercado de trabalho. Isso porque existe discrimina\u00e7\u00e3o e desigualdade salarial para a maioria.<\/p>\n<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) apurou no censo de 2010 que 49,9% das mulheres est\u00e3o inseridas no mercado de trabalho. Em 1950 eram 14%. O cen\u00e1rio \u00e9 diferente, no entanto, se compararmos aos homens, com participa\u00e7\u00e3o de 67,1%.<\/p>\n<p>Embora haja um grande avan\u00e7o, ainda persiste a desigualdade salarial e a qualidade de emprego. Embora muitas mulheres no Brasil tenham conquistado melhores posi\u00e7\u00f5es e estejam sempre em busca de mais qualifica\u00e7\u00e3o, e apesar de sustentarem suas fam\u00edlias e seja parte ativa do or\u00e7amento familiar, alguns problemas ainda fazem parte da nossa realidade, entre eles:<\/p>\n<ul>\n<li>Sal\u00e1rio \u2013 Mesmo sendo proibido por lei pagar diferentes sal\u00e1rios para homens e mulheres, isso ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para acabar com a desigualdade salarial;<\/li>\n<li>Jornada dupla \u2013 Mesmo trabalhando de forma remunerada e contribuindo no or\u00e7amento familiar, ainda somos respons\u00e1veis pelas atividades dom\u00e9sticas e cuidado dos filhos. De acordo com o IBGE, semanalmente, homens dedicam 10,9 horas \u00e0s atividades dom\u00e9sticas, enquanto as mulheres dedicam 21,3 horas.<\/li>\n<li>Cargos de lideran\u00e7a \u2013 Antes era comum ver certas profiss\u00f5es exercidas apenas por homens, como o caso de Engenharia e Arquitetura de obras. Mas a maior desigualdade est\u00e1 ligada aos cargos ocupados por homens e mulheres na hierarquia das empresas. Apenas 41,8% dos cargos gerenciais s\u00e3o ocupados por mulheres.<\/li>\n<li>Ass\u00e9dio sexual \u2013 Por fazer parte de uma profiss\u00e3o exercida majoritariamente por homens, para fugir do ass\u00e9dio a mulher engenheira tem que se mostrar mais s\u00e9ria e mais dura.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, \u00e9 imposs\u00edvel fechar os olhos para a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o feminina e n\u00e3o se trata apenas de diminuir a desigualdade, mas tamb\u00e9m contribuir para a expans\u00e3o da economia nacional e global. Em reuni\u00e3o do G20, o Brasil adotou como meta reduzir at\u00e9 2025 a diferen\u00e7a entre homens e mulheres em 25%.<\/p>\n<p>Ainda que leve tempo para superar todos os desafios da desigualdade, n\u00f3s estamos ganhando espa\u00e7os atrav\u00e9s de esfor\u00e7os pr\u00f3prios. Grande parte das conquistas no mercado de trabalho est\u00e1 ligada ao maior n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o, por isso n\u00e3o podemos deixar de investir na educa\u00e7\u00e3o. Atualmente 23,5% das mulheres possuem curso superior enquanto 20,7% dos homens possuem curso superior<\/p>\n<p>Curiosidade 1: A primeira mulher brasileira se formou em 1887 em medicina e a faculdade teve que fazer v\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es para receb\u00ea-la, inclusive com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de sanit\u00e1rio feminino. Al\u00e9m disso, nas aulas de anatomia ela deveria estar acompanhada por outra mulher casada.<\/p>\n<p>Devemos incentivar para que essa participa\u00e7\u00e3o seja cada vez maior e melhor atrav\u00e9s de algumas a\u00e7\u00f5es, como: divulga\u00e7\u00e3o de exemplos de lideran\u00e7as; cria\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de canais de apoio espec\u00edficos ou ouvidorias que co\u00edbam abusos e ass\u00e9dio, promovendo debates sobre o assunto, qualifica\u00e7\u00e3o, e cobran\u00e7a de pol\u00edticas p\u00fablicas e sociais.<\/p>\n<p>Curiosidade 2: Enedina Alves Marques (1913-1981) entrou para a hist\u00f3ria como a primeira engenheira brasileira e a primeira mulher negra com a forma\u00e7\u00e3o em Engenharia Civil. Ela se graduou em 1945 pela Universidade Federal do Paran\u00e1. A engenheira custeou seus estudos trabalhando como empregada dom\u00e9stica e bab\u00e1. No mercado de trabalho, Enedina era constantemente desrespeitada ou discriminada por ser uma mulher negra em uma posi\u00e7\u00e3o de destaque. Ela liderou diversos pe\u00f5es, oper\u00e1rios, t\u00e9cnicos e engenheiros e ficou conhecida por andar sempre de macac\u00e3o e com uma arma na cintura. Um dos seus principais feitos foi a constru\u00e7\u00e3o da Usina Capivari-Cachoeira, maior hidrel\u00e9trica subterr\u00e2nea do sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No universo das engenharias a predomin\u00e2ncia \u00e9 masculina. Em 2019, dos 1,3 milh\u00e3o de profissionais registrados junto ao Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) apenas 16% eram mulheres. Em um segmento dominado por homens, a constru\u00e7\u00e3o civil percebe um movimento positivo de mudan\u00e7as. As mulheres passaram a representar uma m\u00e3o de obra mais qualificada devido \u00e0 persist\u00eancia nos estudos e \u00e0s caracter\u00edsticas de organiza\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e a capacidade de serem multitarefas. O lugar da mulher \u00e9 onde ela quiser e a engenharia \u00e9 nosso lugar.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>C\u00e9lia Regina Mazzer Cunha \u2013 Eng. Civil graduada pela UFMT, concluindo especializa\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o de Projetos, assessora t\u00e9cnica CREA\/MT, empres\u00e1ria, Diretora da ABENC, Conselheira na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Conselheira na Secretaria de Desenvolvimento Urbano.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mulher come\u00e7ou de forma acanhada a participar do mercado de trabalho no in\u00edcio da d\u00e9cada de 40, quando a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial come\u00e7ou a acontecer no Brasil. Como o sal\u00e1rio delas era mais baixo, o setor industrial at\u00e9 come\u00e7ou a priorizar o trabalho feminino, mas sempre em atividades de menor import\u00e2ncia, instituindo desde ent\u00e3o a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44674,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-44673","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44673"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44673\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44675,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44673\/revisions\/44675"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44674"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}