{"id":40406,"date":"2022-08-16T14:43:52","date_gmt":"2022-08-16T18:43:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=40406"},"modified":"2022-08-16T14:43:52","modified_gmt":"2022-08-16T18:43:52","slug":"ferrovias-e-estudos-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/ferrovias-e-estudos-ambientais\/","title":{"rendered":"Ferrovias e estudos ambientais"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-40407\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Caiubi-Kuhn-847x877.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Caiubi-Kuhn-847x877.jpg 847w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Caiubi-Kuhn-768x795.jpg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Caiubi-Kuhn-1484x1536.jpg 1484w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Caiubi-Kuhn-1979x2048.jpg 1979w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Caiubi-Kuhn-543x562.jpg 543w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Caiubi-Kuhn-336x348.jpg 336w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Em 2021, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o estado de Mato Grosso produziu 71.488.025 toneladas de gr\u00e3os, esse n\u00famero representou 28,49% da produ\u00e7\u00e3o nacional, sendo os principais produtos soja e algod\u00e3o. A constru\u00e7\u00e3o de ferrovias com certeza \u00e9 uma necessidade para o estado, sendo essa a melhor sa\u00edda para escoar a crescente produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os. Atualmente Mato Grosso possui apenas 366 km de ferrovias que fazem parte da Ferrovia Norte Brasil (FERRONORTE). Por\u00e9m essa realidade pode mudar em breve, a Ferrovia Autorizada de Transporte Olacyr de Moraes (FATO), promete a constru\u00e7\u00e3o de mais 730 km de ferrovias, enquanto a Ferrovia de Integra\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste (FICO) construir\u00e1 no estado mais 140 km e a Ferrogr\u00e3o mais 440 km. A implementa\u00e7\u00e3o desses empreendimentos necessita de muitos estudos e acompanhamentos, entre eles sobre a forma\u00e7\u00e3o de ravinas e vo\u00e7orocas (eros\u00f5es lineares de grande porte), tema que ser\u00e1 abordado ao longo deste texto.<\/p>\n<p>Ravinas e vo\u00e7orocas s\u00e3o as formas mais agudas de eros\u00f5es linear, podem chegar a ter mais de um quilometro de extens\u00e3o, e dezenas de metros de largura e de profundidade. Normalmente o desenvolvimento deste processo est\u00e1 relacionado a caracter\u00edsticas do meio f\u00edsico, sejam elas geol\u00f3gicas-geot\u00e9cnicas, tipos de solos e do relevo. Mudan\u00e7as no uso da terra e na cobertura vegetal s\u00e3o outros fatores que pode desencadear o desenvolvimento da eros\u00e3o.<\/p>\n<p>O desenvolvimento de ravinas e vo\u00e7orocas podem causar uma s\u00e9rie de impactos sociais e ambientais. A destrui\u00e7\u00e3o de casas, rodovias, infraestruturas urbanas e rurais e a inviabiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas produtivas significativas, s\u00e3o alguns dos impactos econ\u00f4micos que podem ser citados. Al\u00e9m disso, as eros\u00f5es lineares afetam a cobertura vegetal, removem grandes quantidades de solo, podem causar o rebaixamento do aqu\u00edfero, o assoreamento de rios, a\u00e7udes entre outros corpos h\u00eddricos. A estabiliza\u00e7\u00e3o das eros\u00f5es pode demorar anos ou at\u00e9 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Empreendimentos como o desenvolvimento de novas rodovias e ferrovias, precisam em sua implementa\u00e7\u00e3o, realizar estudos detalhados de susceptibilidade a eros\u00e3o e a outros processos do meio f\u00edsico, como deslizamentos e corridas de detritos. Estes estudos s\u00e3o fundamentais para garantir a seguran\u00e7a no empreendimento e para evitar impactos ambientais e sociais na \u00e1rea de entorno.<\/p>\n<p>Em outros locais, como no estado de S\u00e3o Paulo, s\u00e9rios problemas com eros\u00f5es lineares ocorrem relacionadas a constru\u00e7\u00e3o de ferrovias. As caracter\u00edsticas do meio f\u00edsico de algumas regi\u00f5es do estado de Mato Grosso, indicam que problemas similares podem ocorrer, caso n\u00e3o sejam realizados os estudos adequados e o correto monitoramentos destas \u00e1reas. \u00c9 comum em muitas regi\u00f5es do estado problemas com eros\u00f5es que foram causadas devido ao uso do solo sem que seja considerada os estudos t\u00e9cnicos. Por\u00e9m, este tipo de situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode e nem deve ocorrer em empreendimentos bilion\u00e1rios, que possuem tranquilamente condi\u00e7\u00f5es financeiras e t\u00e9cnicas para realizar todas as an\u00e1lises e estudos necess\u00e1rios. Caso isso n\u00e3o seja feito, al\u00e9m de poder ter problemas na fase de constru\u00e7\u00e3o das ferrovias, ap\u00f3s conclu\u00edda pode se iniciar in\u00fameros debates sobre como sanar os impactos causados e sobre quem ir\u00e1 pagar a conta dos danos proporcionados pelas eros\u00f5es.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o das ferrovias em Mato Grosso \u00e9 uma necessidade, por\u00e9m \u00e9 preciso que a sociedade acompanhe e debate de forma s\u00e9ria todos os fatores que envolvem o empreendimento. Neste sentido, as universidades e centros de pesquisa podem contribuir muito nas an\u00e1lises t\u00e9cnicas dos empreendimentos. A sociedade civil precisa acompanhar e debater sobre o tema, para que se tenha transpar\u00eancia na busca de solu\u00e7\u00f5es para eventuais problemas. O conhecimento e gest\u00e3o t\u00e9cnica s\u00e3o o caminho para o estado garantir o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Caiubi Kuhn, Professor na Faculdade de Engenharia (UFMT), ge\u00f3logo, especialista em Gest\u00e3o P\u00fablica (UFMT), mestre em Geoci\u00eancias (UFMT).<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2021, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o estado de Mato Grosso produziu 71.488.025 toneladas de gr\u00e3os, esse n\u00famero representou 28,49% da produ\u00e7\u00e3o nacional, sendo os principais produtos soja e algod\u00e3o. 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