{"id":3260,"date":"2012-07-31T14:15:42","date_gmt":"2012-07-31T17:15:42","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/entrevista-abrindo-a-caixa-preta-do-bdi\/"},"modified":"2012-07-31T14:15:42","modified_gmt":"2012-07-31T17:15:42","slug":"entrevista-abrindo-a-caixa-preta-do-bdi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/entrevista-abrindo-a-caixa-preta-do-bdi\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA: Abrindo a caixa preta do BDI"},"content":{"rendered":"<p>O presidente do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (Ibec), Engenheiro Civil Paulo Roberto Vilelas Dias, esteve em Mato Grosso para o 1\u00ba Semin\u00e1rio de Engenharia de Custos onde ministrou a palestra &#8220;Abrindo a caixa preta do BDI&#8221; e chamou a aten\u00e7\u00e3o da sociedade para as obras consideradas superfaturadas. Segundo ele, a maioria estaria na verdade subfaturada. Sua opini\u00e3o baseia-se na experi\u00eancia de que o pre\u00e7o de obras varia de acordo com o praticado em cada regi\u00e3o e conforme sua complexidade, por isso n\u00e3o pode seguir uma tabela como cobram os Tribunais de Contas, Caixa Econo\u00f4mica ou o DNIT. Em entrevista para o Crea Not\u00edcias, Vilela explica detalhadamente o que considera &#8220;falhas&#8221;nesse sistema e deixa claro a import\u00e2ncia do Engenheiro especialista em Custos.<\/p>\n<p><b>Crea Not\u00edcias &#8211; O que \u00e9 o BDI?<\/b><br \/>\n<b>Paulo Roberto &#8211;<\/b> O BDI, \u00e9 o custo real de uma obra. Envolve os custos diretos, os indiretos e o lucro da empresa. Esse BDI n\u00e3o tem m\u00e9dia, nem m\u00e1ximo, ele \u00e9 justificado. Envolve a estrutura da construtora, a remunera\u00e7\u00e3o dos profissionais e lucro que \u00e9 emp\u00edrico. Material e m\u00e3o de obra variam de regi\u00e3o para regi\u00e3o. O \u00fanico crit\u00e9rio que n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico no BDI \u00e9 o lucro da empresa. Precisamos mudar esse conceito que o BDI pode ser estipulado por um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico sem analisar o mercado, e sem saber o quanto a empresa paga de tributos. <\/p>\n<p><b>CN &#8211;<\/b> Porque o IBEC \u00e9 contr\u00e1rio a opini\u00e3o do Tribunal de Contas e acredita que muitas obras apontadas por investiga\u00e7\u00f5es como superfaturadas, estariam na verdade abaixo do pre\u00e7o real para execu\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<b>PR &#8211;<\/b> Primeiro eu acho que est\u00e3o subfaturadas isso por que existem v\u00e1rios itens que ajudam a elaborar o pre\u00e7o da obra e s\u00e3o exig\u00eancias mas ficam de fora das licita\u00e7\u00f5es. Isso compromete principalmente a qualidade do servi\u00e7o final. S\u00e3o diversos os itens que os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o incluem nas licita\u00e7\u00f5es. Por exemplo, obriga\u00e7\u00f5es tipo alimenta\u00e7\u00e3o, equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, seguro de vida, mesmo as normas regulamentadoras do Minist\u00e9rio do Trabalho, que exigem que voc\u00ea tenha no canteiro de obras \u00e1gua filtrada, banheiros. Quer dizer: tudo isso tem um custo alt\u00edssimo. S\u00e3o itens obrigat\u00f3rios e que n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos no or\u00e7amento. <\/p>\n<p><b>CN &#8211;<\/b> Em que o TCU se baseia para dizer que as obras est\u00e3o superfaturadas?<br \/>\n<b>PR &#8211;<\/b> Eles tem como par\u00e2metro a tabela da Caixa Econ\u00f4mica e a tabela do DNIT, e elas est\u00e3o antigas e defasadas. Muitos desses elementos nem constam, ent\u00e3o na licita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o pode constar. Isso sem falar nos tributos novos que v\u00e3o sendo criados. <\/p>\n<p><b>CN &#8211;<\/b> Essas falhas est\u00e3o somente nessa tabela da Caixa?<br \/>\n<b>PR &#8211;<\/b> N\u00e3o, tamb\u00e9m na LDO e portanto no TCU. Por que a metodologia adotada para auditar as obras \u00e9 uma metodologia deficiente. Quer dizer que n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o o tipo de obra. Ele pega uma tabela e diz que aquele \u00e9 um pre\u00e7o \u00fanico para toda e qualquer obra: ponte, sanemaneto ou estrada. <\/p>\n<p><b>CN &#8211;<\/b> Esse subfaturamento prejudica quanto na execu\u00e7\u00e3o de uma obra?<br \/>\n<b>PR &#8211;<\/b> Hoje s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel uma empresa concluir uma obra p\u00fablica com esses pre\u00e7os que est\u00e3o sendo praticados quando h\u00e1 sonega\u00e7\u00e3o de tributos, por que o pre\u00e7o da obra est\u00e1 abaixo do custo real ou muito pr\u00f3ximo. Ou, a qualidade da obra pode ser deixada de lado e at\u00e9 mesmo a seguran\u00e7a das pessoas que ali trabalham.<\/p>\n<p><b>CN &#8211;<\/b> O IBGE identificou que 60% da m\u00e3o de obra da constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 informal, n\u00e3o tem carteira assinada. Isso tamb\u00e9m \u00e9 consequ\u00eancia dessas falhas?<br \/>\n<b>PR &#8211;<\/b> Sim. Empregar formalmente o trabalhador encarece os custos, assim como o vale refei\u00e7\u00e3o, a falta do equipamento de seguran\u00e7a adequado. A\u00ed se torna um ciclo vicioso e a obra \u00e9 claro que n\u00e3o ter\u00e1 a qualidade desejada. O profissional est\u00e1 insatisfeito, a empresa busca economizar ao m\u00e1ximo para obter o maior lucro. No final \u00e9 a sociedade quem perde.<\/p>\n<p><b>CN &#8211;<\/b> O Ibec aponta alguma solu\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<b>PR &#8211;<\/b> O que temos que discutir \u00e9 at\u00e9 onde temos de elevar esse pre\u00e7o da obra para ser socialmente justo. A LDO tamb\u00e9m precisa ser discutida, pois se levada ao p\u00e9 da letra ela contraria esses custos. Um exemplo \u00e9 o autom\u00f3vel, o mesmo modelo pode valer at\u00e9 o dobro por agregar acess\u00f3rios. E, obra \u00e9 a mesma coisa, dependendo da exig\u00eancia do servi\u00e7o se b\u00e1sico ou com exig\u00eancias muito grandes o pre\u00e7o precisa ser compat\u00edvel com a exig\u00eancia do projeto. <\/p>\n<p>*Gecom\/Crea-MT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presidente do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (Ibec), Engenheiro Civil Paulo Roberto Vilelas Dias, esteve em Mato Grosso para o 1\u00ba Semin\u00e1rio de Engenharia de Custos onde ministrou a palestra &#8220;Abrindo a caixa preta do BDI&#8221; e chamou a aten\u00e7\u00e3o da sociedade para as obras consideradas superfaturadas. 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