{"id":3221,"date":"2012-08-21T15:12:51","date_gmt":"2012-08-21T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/o-indio-e-a-lua\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:51","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:51","slug":"o-indio-e-a-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/o-indio-e-a-lua\/","title":{"rendered":"O \u00edndio e a lua"},"content":{"rendered":"<p><b>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT<\/b><\/p>\n<p>A quest\u00e3o ind\u00edgena no pa\u00eds merece especial aten\u00e7\u00e3o de toda sociedade. As festividades ou a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o do dia 19 de abril provavelmente estar\u00e3o muito aqu\u00e9m de um tema com v\u00e1rias nuances. Exemplo recente aponta a morte de tr\u00eas garimpeiros, invasores da reserva Roosevelt, na divisa de Mato Grosso com Rond\u00f4nia. Revoltados com um hist\u00f3rico de invas\u00f5es na \u00e1rea, os cinta-larga chegaram ao protesto extremo e injustificado. Na verdade, o governo brasileiro tem grande parcela de culpa sobre o ocorrido em Roosevelt.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel resumir ou avaliar profundamente a quest\u00e3o ind\u00edgena em apenas um artigo, mas eu lembro que, em julho do ano passado, relatos sobre a quest\u00e3o ind\u00edgena na reserva Roosevelt foram apresentados durante semin\u00e1rio nacional sobre certifica\u00e7\u00e3o de diamante realizado no audit\u00f3rio do Crea-MT. Diversos representantes do governo federal estavam presentes. O assunto, de grande abrang\u00eancia, foi tema de ampla reportagem no jornal Trena, impresso pelo Crea-MT. Alguns anos antes, a revista Isto \u00c9 j\u00e1 apontava o conflito em profunda mat\u00e9ria. E agora? Ocorreram mortes. Ap\u00f3s as mortes, garimpeiros mantiveram um \u00edndio como ref\u00e9m por horas. Garimpeiros e \u00edndios s\u00e3o v\u00edtimas sociais. A causa dos conflitos est\u00e1 na omiss\u00e3o pol\u00edtica, que se mant\u00e9m, mant\u00e9m, mant\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Mas casos pol\u00eamicos envolvendo \u00edndios est\u00e3o sempre no notici\u00e1rio. No Xingu, a fronteira agr\u00edcola amea\u00e7a a reserva e o embate ideol\u00f3gico entre ONGs ambientalistas e sojicultores promete estourar. Ainda em Mato Grosso, na regi\u00e3o de Primavera do Leste, os conflitos entre fazendeiros e \u00edndios s\u00e3o constantes. Do outro lado do Estado, regi\u00e3o fronteiri\u00e7a com a Bol\u00edvia, \u00edndios vivem em plena mis\u00e9ria e s\u00e3o alvos f\u00e1ceis do tr\u00e1fico e do contrabando. Poderia tamb\u00e9m falar dos guat\u00f3s, dos bororos, de tantos outros.<\/p>\n<p>Mato Grosso tem ampla diversidade cultural ind\u00edgena, mas n\u00e3o a preserva. Fora alguns ensaios pol\u00edticos e publicit\u00e1rios, de fato muito pouco se faz para se discutir o papel do \u00edndio na vida contempor\u00e2nea. Devem viver isolados? At\u00e9 que ponto deve ocorrer integra\u00e7\u00e3o com a sociedade urbana? O que pensam as diversas aldeias?<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 30 anos, estava em viagem pela estrada de terra que viria, no futuro, a ser a liga\u00e7\u00e3o entre Barra do Gar\u00e7as e a Serra de S\u00e3o Vicente. No caminho, parei em uma lanchonete. Uma emissora de r\u00e1dio transmitia a chegada do homem \u00e0 lua, quando parou um caminh\u00e3o transportando \u00edndios xavantes. A um \u00edndio perguntei sobre o que pensava a respeito da viagem do homem para a lua. Ele respondeu algo assim: \u0093Grande coisa! O xavante, quando morre, vai para a lua. J\u00e1, voc\u00eas, s\u00f3 agora chegaram l\u00e1\u0094.<\/p>\n<p>________________<\/p>\n<p><i>Este espa\u00e7o \u00e9 atualizado semanalmente. Publicado em 12\/04\/2004.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT A quest\u00e3o ind\u00edgena no pa\u00eds merece especial aten\u00e7\u00e3o de toda sociedade. As festividades ou a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o do dia 19 de abril provavelmente estar\u00e3o muito aqu\u00e9m de um tema com v\u00e1rias nuances. 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