{"id":3219,"date":"2012-08-21T15:12:51","date_gmt":"2012-08-21T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/colcha-de-retalhos-no-transporte-brasileiro\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:51","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:51","slug":"colcha-de-retalhos-no-transporte-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/colcha-de-retalhos-no-transporte-brasileiro\/","title":{"rendered":"Colcha de retalhos no transporte brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><b>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Inserido em 26\/04\/2004<\/b><\/p>\n<p>O presidente Lula, em reuni\u00e3o na sexta-feira (dia 23\/04), cobrou resultados dos seus ministros para a \u00e1rea de infra-estrutura do pa\u00eds. Na verdade, o &#8220;custo Brasil&#8221; aumenta ano ap\u00f3s ano por causa da car\u00eancia de investimentos em infra-estrutura. Os recursos mal d\u00e3o para a manuten\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 existe. Levantamento do Sindicato Nacional das Ind\u00fastrias de Constru\u00e7\u00e3o Pesada (Sinicon) mostra que, no momento, h\u00e1 111 obras paradas nas rodovias federais. A produ\u00e7\u00e3o brasileira vai ficando pelos buracos da estrada e perde concorr\u00eancia no mercado externo.<\/p>\n<p>O Brasil paga caro hoje por uma op\u00e7\u00e3o de transporte pautada praticamente toda sobre rodovias. O sucateamento das ferrovias brasileiras a partir dos anos 60 e o abandono, com boas exce\u00e7\u00f5es, de projetos hidrovi\u00e1rios foram resultado de decis\u00f5es pol\u00edticas equivocadas. Hoje, n\u00e3o temos um sistema rodovi\u00e1rio condizente com as necessidades do pa\u00eds e tamb\u00e9m n\u00e3o existem op\u00e7\u00f5es. H\u00e1 projetos, bons projetos, que n\u00e3o saem do papel porque os recursos s\u00e3o poucos e, mesmo poucos, s\u00e3o aplicados de maneira pol\u00edtica, e n\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Em 1975, o governo federal investia 1,65% do PIB em transporte. Em 1999, o percentual foi de apenas 0,10%. Desde 1978 que o governo federal n\u00e3o investe mais de 1% do PIB em transporte. O resultado foi o sucateamento de toda a malha de transporte. Vale considerar que, no Brasil, as estradas pavimentadas n\u00e3o chegam a 150 mil quil\u00f4metros, mesmo sendo o sistema rodovi\u00e1rio a viga mestra do setor de transporte. Na Austr\u00e1lia, s\u00e3o 250 mil Km. No Canad\u00e1, 290 mil. Nos EUA, 5 milh\u00f5es de Km. No Jap\u00e3o, 790 mil Km. Na Fran\u00e7a, 750 mil Km. A conclus\u00e3o \u00e9 que o Brasil tem poucos quil\u00f4metros asfaltados e, mesmo assim, n\u00e3o consegue mant\u00ea-los.<\/p>\n<p>Sem rodovias decentes, sem trilhos opcionais: No Brasil, s\u00e3o apenas 22 mil Km de ferrovias mal conservadas. Os EUA t\u00eam mais de 200 mil Km. A Inglaterra tem 40 mil Km. O Jap\u00e3o, 23 mil Km.<\/p>\n<p>O custo de manuten\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos, o volume de acidentes nas rodovias ampliando o d\u00e9ficit do Sistema \u00danico de Sa\u00fade, os gr\u00e3os desperdi\u00e7ados pelas estradas, o tempo de viagem ampliado, o impacto disso tudo sobre o frete, a conjuga\u00e7\u00e3o da precariedade de estradas federais com investimentos parcos em estradas vicinais&#8230; O transporte no Brasil \u00e9 assim: uma colcha de retalhos de problemas.<\/p>\n<p>Lula cobra de seus ministros. Fernando Henrique tamb\u00e9m fez o mesmo. Idem para Itamar Franco, para Fernando Collor, para Jos\u00e9 Sarney. H\u00e1 muitas cobran\u00e7as, mas resultado \u0096 que \u00e9 bom \u0096 n\u00e3o chega. E d\u00e1-lhe tributos sobre a popula\u00e7\u00e3o brasileira&#8230;<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p><i>Este espa\u00e7o \u00e9 atualizado toda segunda-feira. Publicado em 26\/04\/2004<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Inserido em 26\/04\/2004 O presidente Lula, em reuni\u00e3o na sexta-feira (dia 23\/04), cobrou resultados dos seus ministros para a \u00e1rea de infra-estrutura do pa\u00eds. Na verdade, o &#8220;custo Brasil&#8221; aumenta ano ap\u00f3s ano por causa da car\u00eancia de investimentos em infra-estrutura. 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