{"id":32180,"date":"2021-09-09T09:27:42","date_gmt":"2021-09-09T13:27:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/?p=32180"},"modified":"2021-09-09T09:27:42","modified_gmt":"2021-09-09T13:27:42","slug":"aquiferos-e-quando-os-rios-secam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/aquiferos-e-quando-os-rios-secam\/","title":{"rendered":"Aqu\u00edferos e quando os rios secam"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-32181 alignleft\" src=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Caiubi-1-360x240.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Caiubi-1-360x240.jpg 360w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Caiubi-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Caiubi-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Caiubi-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Caiubi-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/>A crise h\u00eddrica tem afetado todo o pa\u00eds, seja pelo efeito na conta de energia ou pelo pouco volume nos cursos de \u00e1gua. No m\u00eas de agosto, um v\u00eddeo mostrou a cachoeira do V\u00e9u de Noiva, um dos cart\u00f5es postais de Chapada dos Guimar\u00e3es (MT), minha cidade natal, praticamente sem \u00e1gua. A seca atinge toda regi\u00e3o, mas por que alguns rios s\u00e3o mais afetados pelas estiagens que outros? A resposta para essa pergunta est\u00e1 na fonte das \u00e1guas, que neste caso s\u00e3o os aqu\u00edferos. Neste texto vou explicar um pouco sobre como funcionam os aqu\u00edferos e porque precisamos entender e preservar esse importante recurso natural.<\/p>\n<p>Existem diferentes tipos de aqu\u00edferos, que variam conforme a composi\u00e7\u00e3o e caracter\u00edsticas das rochas, em algumas delas a quantidade de vazios e a conex\u00e3o entre eles, permite armazenar e transmitir grandes qualidades de \u00e1guas, enquanto em outros tipos de rochas, tanto a quantidade de \u00e1gua armazenada, como o fluxo dela \u00e9 muito menor.<\/p>\n<p>Para ficar mais f\u00e1cil para o leitor entender, imagine uma esponja daquelas que usamos para lavar a lou\u00e7a e um peda\u00e7o de tijolo. Se voc\u00ea jogar \u00e1gua sobre eles, ambos ir\u00e3o se molhar, por\u00e9m, a esponja ir\u00e1 conseguir absorver uma quantidade de \u00e1gua muito maior, e ap\u00f3s um tempo, ser\u00e1 poss\u00edvel ver essa \u00e1gua saindo da base da esponja e molhando a pia, ou seja, a \u00e1gua foi armazenada na esponja e depois liberada lentamente. Enquanto isso, o tijolo n\u00e3o conseguiu ter a mesma capacidade para armazenar a \u00e1gua, que escoou assim que foi despejada.<\/p>\n<p>Igual \u00e0 esponja e o tijolo, na natureza n\u00f3s temos rochas com uma grande capacidade de absorver e armazenar \u00e1gua, como \u00e9 o caso dos arenitos, enquanto outras rochas como folhelhos (rochas compostas de argilas) possuem uma capacidade menor. Aqu\u00edferos como o Guarani s\u00f3 existe devido \u00e0 rocha que armazena a \u00e1gua, que neste caso, \u00e9 um arenito, bem selecionado, ou seja, com os gr\u00e3os todos similares, o que permite que muitos espa\u00e7os vazios existam entre um gr\u00e3o e outro. E \u00e9 nestes espa\u00e7os que a \u00e1gua do aqu\u00edfero fica.<\/p>\n<p>A geologia de Chapada dos Guimar\u00e3es \u00e9 bem diversa, na regi\u00e3o existem diferentes tipos de rochas, o que proporciona aqu\u00edferos tamb\u00e9m com diferentes caracter\u00edsticas. Durante esse momento de crise h\u00eddrica essa diferen\u00e7a fica bem vis\u00edvel. Parte dos rios possuem como fonte de suas \u00e1guas o aqu\u00edfero do Guarani, como por exemplo, os rios Claro, Paci\u00eancia, Acor\u00e1 entre outros. Por\u00e9m, outros rios como Coxipozinho, que forma a cachoeira do V\u00e9u de Noiva, tem como principal fonte de \u00e1gua, as rochas da Forma\u00e7\u00e3o Ponta Grossa, composta por um folhelho, com uma capacidade muito menor de armazenamento e transmiss\u00e3o de \u00e1gua. Por isso, o volume dos rios que s\u00e3o alimentados por \u00e1guas do aqu\u00edfero Ponta Grossa, s\u00e3o mais afetados na esta\u00e7\u00e3o seca. Outros cursos de \u00e1gua, como c\u00f3rrego Independ\u00eancia, no Parque Nacional, tem como fonte de \u00e1gua a Forma\u00e7\u00e3o Furnas, que \u00e9 composta por um arenito com uma capacidade de armazenamento e transmiss\u00e3o inferior ao aqu\u00edfero do Guarani, por\u00e9m melhor que o aqu\u00edfero Ponta Grossa.<\/p>\n<p>Conhecer os aqu\u00edferos e saber suas caracter\u00edsticas \u00e9 fundamental para o planejamento do uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo e para que seja realizada a gest\u00e3o deste recurso t\u00e3o precioso, que \u00e9 a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Os aqu\u00edferos s\u00e3o reabastecidos pelas chuvas, por\u00e9m, dependendo das mudan\u00e7as realizadas na superf\u00edcie, a \u00e1gua tende de escorrer para os rios ao inv\u00e9s de infiltrar no solo e nas rochas, para ali ficar armazenada. Al\u00e9m disso, em \u00e9pocas como a atual, onde est\u00e1 ocorrendo um per\u00edodo de estiagem com chuvas abaixo da m\u00e9dia, quando se considera todo o ano, a quantidade de \u00e1gua que sai dos aqu\u00edferos pode ser menor que a quantidade de \u00e1gua que entra, o que significa que o uso das \u00e1guas subterr\u00e2neas deve ser feito tamb\u00e9m com planejamento e gest\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>O mundo precisa fazer de forma correta os debates sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e sobre como o homem pode realizar o planejamento para lidar com as oscila\u00e7\u00f5es naturais do clima e com as mudan\u00e7as antropog\u00eanicas. Por\u00e9m, esse debate tamb\u00e9m precisa ser feito regionalmente, associado com a correta gest\u00e3o e planejamento do uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo. \u00c9 preciso que tenham estudos t\u00e9cnicos e an\u00e1lises que fundamentem o desenvolvimento de cidades ou mesmo a implementa\u00e7\u00e3o de empreendimentos. N\u00e3o podemos ignorar as limita\u00e7\u00f5es que a natureza nos imp\u00f5e. Estudar para planejar \u00e9 preciso. Somente assim podemos construir um futuro com responsabilidade e sustentabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Caiubi Kuhn, Professor na Faculdade de Engenharia (UFMT), ge\u00f3logo, especialista em Gest\u00e3o P\u00fablica (UFMT), mestre em Geoci\u00eancias (UFMT)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise h\u00eddrica tem afetado todo o pa\u00eds, seja pelo efeito na conta de energia ou pelo pouco volume nos cursos de \u00e1gua. No m\u00eas de agosto, um v\u00eddeo mostrou a cachoeira do V\u00e9u de Noiva, um dos cart\u00f5es postais de Chapada dos Guimar\u00e3es (MT), minha cidade natal, praticamente sem \u00e1gua. 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