{"id":3216,"date":"2012-08-21T15:12:51","date_gmt":"2012-08-21T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/o-petroleo-e-a-busca-de-opcoes\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:51","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:51","slug":"o-petroleo-e-a-busca-de-opcoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/o-petroleo-e-a-busca-de-opcoes\/","title":{"rendered":"O petr\u00f3leo e a busca de op\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT &#8211; Em 17\/05\/2004<\/b><\/p>\n<p>Alta hist\u00f3rica no pre\u00e7o do petr\u00f3leo, ocorrida na semana passada, demonstra o quanto \u00e9 importante ao poder p\u00fablico o investimento em alternativas de gera\u00e7\u00e3o de energia, principalmente renov\u00e1veis. O consumo de petr\u00f3leo no mundo aumenta na propor\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses. Mais carros nas ruas, mais f\u00e1bricas, maior urbaniza\u00e7\u00e3o contribuem diretamente para o aumento da procura sobre o produto. O s\u00e9culo XXI dever\u00e1 ser, sim, de busca de alternativas.<\/p>\n<p>Conjunturalmente, vivemos um momento de otimismo na produ\u00e7\u00e3o de barris. A imprensa noticiou que a Petrobras bateu novo recorde de refino em abril. A estatal processou 1,76 milh\u00e3o de barris de petr\u00f3leo por dia, 1,2% superior ao recorde anterior &#8211; atingido em mar\u00e7o &#8211; de 1,738 mil barris di\u00e1rios. O recorde influenciou na redu\u00e7\u00e3o de 80% nas importa\u00e7\u00f5es de \u00f3leo diesel nos primeiros quatro meses deste ano, que atingiram 14 mil barris ao dia. A empresa tamb\u00e9m registrou recorde na produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo diesel no m\u00eas passado, chegando a 694,2 mil barris\/dia &#8211; 4,3% maior que \u00faltimo recorde, registrado em mar\u00e7o, de 665,3 mil barris di\u00e1rios. <\/p>\n<p>A not\u00edcia \u00e9 boa e reduz a influ\u00eancia da crise mundial, agravada pelos conflitos no Oriente M\u00e9dio, sobre o pa\u00eds. Por\u00e9m n\u00e3o se sabe at\u00e9 que ponto pode ocorrer a redu\u00e7\u00e3o desse impacto na economia brasileira. Por experi\u00eancias passadas, sabemos: sempre que h\u00e1 majora\u00e7\u00e3o exacerbada no pre\u00e7o do petr\u00f3leo, quem paga a conta s\u00e3o os pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por isso, se a not\u00edcia da Petrobras \u00e9 positiva, melhor ainda o an\u00fancio pelo governo federal, atrav\u00e9s do ministro Ciro Gomes, de que o pa\u00eds ir\u00e1 tirar da gaveta uma s\u00e9rie de projetos voltados para o biodiesel envolvendo mamona, soja, baba\u00e7u, dend\u00ea, algod\u00e3o ou girassol. \u0093A produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leos vegetais em grande escala para a fabrica\u00e7\u00e3o de biodiesel \u00e9 uma prioridade federal e pode ser tornar realidade ainda no governo do presidente Lula\u0094, garantiu. A inten\u00e7\u00e3o de Ciro Gomes \u00e9 que o biodiesel responda por pelo menos 2% da matriz energ\u00e9tica do pa\u00eds at\u00e9 o final do governo Lula, o que n\u00e3o \u00e9 pouca coisa.<\/p>\n<p>\u0093Al\u00e9m de diminuir a depend\u00eancia brasileira de petr\u00f3leo e de reduzir a emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO\u00b2) na atmosfera, o biocombust\u00edvel \u00e9 considerado um excelente instrumento de gera\u00e7\u00e3o de renda, emprego, inclus\u00e3o social e desenvolvimento regional\u0094, afirma reportagem da Ag\u00eancia Brasil. E Mato Grosso pode muito lucrar com o assunto. A soja \u00e9 cogitada inclusive para gerar substituto de combust\u00edveis para a avia\u00e7\u00e3o. Se o governo mato-grossense tiver vis\u00e3o, juntamente com os setores empresariais, come\u00e7ar\u00e1 a pensar no produto prim\u00e1rio sendo muito mais do que um fator de exporta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m um insumo para a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Nos anos 80, o Brasil assistiu uma iniciativa que deu certo, embora tenha sofrido \u0096 e ainda sofra \u0096 saraivadas de cr\u00edticas. O Pro\u00c1lcool mudou o cheiro dos postos de combust\u00edveis no Brasil. Por\u00e9m a frota de carros minguou e hoje \u00e9 insignificante. Infelizmente, mataram \u0096 no Brasil \u0096 o programa energ\u00e9tico envolvendo o \u00e1lcool. Se havia falhas, que fossem corrigidas e adequadas. Se as pesquisas e investimentos no programa energ\u00e9tico envolvendo o \u00e1lcool tivessem avan\u00e7ado, o Brasil hoje estaria mais \u00e0 vontade quando o assunto fosse crise do petr\u00f3leo e talvez tivesse maior Know-how para abordar novas pesquisas envolvendo, por exemplo, a soja.<\/p>\n<p>Mesmo com a queda de investimentos no \u00e1lcool, o Brasil \u00e9 refer\u00eancia no assunto. No in\u00edcio de maio, o Instituto Internacional de Energia (IEA), organismo que re\u00fane os pa\u00edses consumidores de petr\u00f3leo, divulgou estimativas de que, dentro de seis anos, a queima de combust\u00edveis n\u00e3o-f\u00f3sseis (com destaque para o \u00e1lcool) na frota mundial de ve\u00edculos poder\u00e1 chegar a 5% do total. <\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outras op\u00e7\u00f5es que, se obviamente n\u00e3o podem se tornar matrizes, ao menos amenizam o consumo de petr\u00f3leo. A pesquisa sobre energia solar merece maior destaque. No site do Crea, por exemplo, h\u00e1 interessante mat\u00e9ria que mostra o esfor\u00e7o de pesquisadores em prol do carro solar. No texto, do jornal O Globo, pesquisador  ressalta vantagens ambientais do ve\u00edculo, pois n\u00e3o emite gases poluentes, n\u00e3o produz ru\u00eddos e n\u00e3o degrada o ambiente para obter energia. &#8220;A luz solar, absorvida por um painel, \u00e9 convertida em energia el\u00e9trica, que carrega baterias e aciona o motor el\u00e9trico. N\u00e3o h\u00e1 combust\u00edvel&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Dados do Procobre, importante instituto de pesquisa do pa\u00eds, ressaltam que, em um ano, a energia solar que incide no Brasil \u00e9 de 15 trilh\u00f5es de MWh, o que corresponde a 50 mil vezes o consumo nacional de energia el\u00e9trica registrado em 1999. \u0093Al\u00e9m disso, cada m\u00b2 de coletor solar instalado gera anualmente a energia equivalente a 215 kg de lenha, 55 kg de g\u00e1s de cozinha, 66 litros de diesel ou 73 litros de gasolina ou tamb\u00e9m pode evitar a inunda\u00e7\u00e3o de 56m\u00b2 de \u00e1reas f\u00e9rteis na constru\u00e7\u00e3o de novas usinas hidrel\u00e9tricas\u0094, dizem t\u00e9cnicos do Procobre. <\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, \u00e9 claro, de substituir completamente o petr\u00f3leo ou de reduzir drasticamente o seu uso, o que somente \u00e9 poss\u00edvel em quest\u00f5es de d\u00e9cadas. Por\u00e9m, qualquer porcentagem de redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de barris significa um ganho econ\u00f4mico e ambiental. O petr\u00f3leo n\u00e3o veio para ficar. Certamente, \u00e9 insumo que, no futuro, ser\u00e1 estudado nos livros de hist\u00f3ria, mas que \u0096 quando esse futuro chegar \u0096 existir\u00e1 apenas para matar a curiosidade. Mal comparando, ser\u00e1 como o pau-brasil, hoje praticamente desconhecido de qualquer cidad\u00e3o brasileiro, embora tenha dado nome ao pa\u00eds e colorido, abundantemente, as roupas europ\u00e9ias.<\/p>\n<p>___________________<\/p>\n<p><i>Este espa\u00e7o \u00e9 renovado toda segunda-feira<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. 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