{"id":3205,"date":"2012-08-21T15:12:51","date_gmt":"2012-08-21T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/a-cidade-como-um-corpo\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:51","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:51","slug":"a-cidade-como-um-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/a-cidade-como-um-corpo\/","title":{"rendered":"A cidade como um corpo"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Em 26\/07\/2004<\/b><\/p>\n<p>Os problemas de uma cidade n\u00e3o podem ser vistos de forma isolada. Embora tal entendimento seja b\u00e1sico nas rodas de Engenharia e Arquitetura, o debate pol\u00edtico normalmente n\u00e3o aborda as defici\u00eancias de uma cidade contextualmente. Alguns exemplos s\u00e3o cl\u00e1ssicos. Podemos citar, por exemplo, a influ\u00eancia que a falta de saneamento b\u00e1sico provoca no atendimento m\u00e9dico em centros de sa\u00fade. O gasto fragilizado em rede e tratamento de esgoto vai gerar maior necessidade de recursos para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outros exemplos. Quando n\u00e3o se planeja o per\u00edmetro urbano de uma cidade, o reflexo em servi\u00e7os para a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 dr\u00e1stico. Podemos tomar como exemplo a tarifa de \u00f4nibus. Se o per\u00edmetro de uma cidade \u00e9 contemplado com grandes dist\u00e2ncias e vazios urbanos comuns, a tend\u00eancia \u00e9 que o custo maior de combust\u00edvel e manuten\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo empurrem o c\u00e1lculo tarif\u00e1rio para o alto.<\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 discuss\u00e3o da tarifa de \u00f4nibus, a aus\u00eancia de pavimenta\u00e7\u00e3o nas ruas ou a pavimenta\u00e7\u00e3o inadequada ou, ainda, a pr\u00e1tica de apenas \u0093remediar\u0094 com ef\u00eameros tapa-buracos as crateras que surgem nas ruas e avenidas ir\u00e3o influenciar tamb\u00e9m no pre\u00e7o da passagem. E quem paga a conta (e o pato) \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o. Apenas recentemente, Cuiab\u00e1 \u0096 uma capital de Estado \u0096 conseguiu ampliar o \u00edndice de pavimenta\u00e7\u00e3o das rotas de \u00f4nibus na cidade.<\/p>\n<p>Um fato comum ainda no pa\u00eds \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o de projetos por fragmentos. Explico: Determinada obra p\u00fablica de maior porte, para ser executada, deveria ser contemplada inicialmente com amplos projetos, incluindo aparelhos que n\u00e3o ser\u00e3o implantados naquele momento, por\u00e9m o ser\u00e3o posteriormente. Essa id\u00e9ia, que parece \u00f3bvia e que condiz com os ensinamentos do que deva ser o planejamento urbano, n\u00e3o acontece na pr\u00e1tica. Os projetos s\u00e3o dissociados de uma realidade contextualizada. Ao se planejar uma avenida, deveria estar ali \u0096 no projeto \u0096 o local da pra\u00e7a, a estrutura para o ponto de \u00f4nibus (mesmo que n\u00e3o haja ainda previs\u00e3o de linha de transporte urbano para a regi\u00e3o), o acesso a um posto de sa\u00fade, a demarca\u00e7\u00e3o para uma rotat\u00f3ria futura etc. Aos poucos, e durante os anos, ser\u00e3o liberados os recursos para a implanta\u00e7\u00e3o do projeto completo e o \u00edndice de retrabalho ser\u00e1 menor. Portanto, a economia do er\u00e1rio p\u00fablico ser\u00e1 maior.<\/p>\n<p>Acontece que o administrador p\u00fablico \u0096 e a imensa maioria de candidatos \u00e0s prefeituras deste pa\u00eds \u0096 n\u00e3o t\u00eam a menor no\u00e7\u00e3o do quanto uma cidade precisa de projetos, antes de mais nada. O projeto antecede a obra, parece \u00f3bvio. Mas n\u00e3o se fala dele nas campanhas. As prefeituras, n\u00e3o raro, s\u00e3o ac\u00e9falas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas estruturas para pensar e implantar planejamentos urbanos. Procurem saber quantos arquitetos urbanistas h\u00e1 na estrutura administrativa de Cuiab\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Mato Grosso \u00e9 um Estado onde muitas cidades foram constru\u00eddas atrav\u00e9s de projetos de assentamentos e de coloniza\u00e7\u00e3o nos anos 60, 70 e 80. S\u00e3o cidades que n\u00e3o surgiram do processo de aglomera\u00e7\u00e3o espont\u00e2neo. Quando uma cidade surge espontaneamente, pode ocorrer de se localizar em local impr\u00f3prio e o jeito \u00e9 se pensar alternativas para os reflexos negativos. Mas tal hip\u00f3tese n\u00e3o deveria ocorrer em casos como os de cidades pensadas e implantadas. Mas ocorre. E h\u00e1 casos em Mato Grosso de cidades que hoje enfrentam problemas s\u00e9rios de eros\u00e3o ou de implanta\u00e7\u00e3o de redes de \u00e1gua e esgoto porque foram constru\u00eddas em locais inadequados. E, \u00e0s vezes, a altera\u00e7\u00e3o de local para que tais problemas n\u00e3o ocorressem seria m\u00ednima, coisa de 20 Km, \u0093um passinho\u0094 para o lado.<\/p>\n<p>Alguns desses casos ocorreram pela id\u00e9ia equivocada da cidade plana. Cidades planas, sem desn\u00edveis, encarecem a implanta\u00e7\u00e3o de redes de saneamento. Mas \u00e9 s\u00f3 um exemplo.<\/p>\n<p>O assunto desta semana \u00e9 amplo e estou apenas dando pinceladas. Mas a id\u00e9ia \u00e9 lembrar o quanto uma cidade deve ser vista como um conjunto, um todo, um corpo vivo que, se apresentar problemas, sentir\u00e1 reflexos em praticamente todas as suas \u00e1reas. S\u00f3 para finalizar, vamos citar o tema \u0093lixo\u0094. Uma cidade que n\u00e3o pense a coleta e destina\u00e7\u00e3o do seu lixo sentir\u00e1, na pele, problemas ambientais que poder\u00e3o, inclusive, dificultar o investimento de empresas de outras regi\u00f5es naquela localidade. E quantas cidades de Mato Grosso podem ser consideradas como exemplo em rela\u00e7\u00e3o ao tema \u0093lixo\u0094?<\/p>\n<p>Ora, h\u00e1 falta de dinheiro, sim. Claro que h\u00e1. Mas h\u00e1, tamb\u00e9m, falta de compet\u00eancia administrativa para a capta\u00e7\u00e3o do pouco dinheiro que h\u00e1. E grande parte desse dinheiro parco se perde pela aus\u00eancia de projetos que pensem a cidade de forma global. Grande parte desse dinheiro \u00e9 engolido pelo ralo da desvaloriza\u00e7\u00e3o profissional e t\u00e9cnica que uma gama enorme dos administradores p\u00fablicos incentiva.<br \/>\n________<br \/>\n<i>Este espa\u00e7o \u00e9 atualizado toda segunda-feira.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Em 26\/07\/2004 Os problemas de uma cidade n\u00e3o podem ser vistos de forma isolada. 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