{"id":3204,"date":"2012-08-21T15:12:51","date_gmt":"2012-08-21T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/o-meio-ambiente-segmentado\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:51","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:51","slug":"o-meio-ambiente-segmentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/o-meio-ambiente-segmentado\/","title":{"rendered":"O meio ambiente segmentado"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Em 02\/08\/2004.<\/b><\/p>\n<p>Assistimos, nas \u00faltimas semanas, uma rea\u00e7\u00e3o ecologista ao desenvolvimento desenfreado em Mato Grosso. Nota-se que tal rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 contra o desenvolvimento em si, mas contra a forma que tal desenvolvimento est\u00e1 ocorrendo. O Estado, sem sombra de d\u00favida, deteriorou-se ambientalmente nos \u00faltimos 20 anos. Houve progresso econ\u00f4mico, mas h\u00e1 um pre\u00e7o a ser pago. E, em grande parte, tal passivo \u00e9 responsabilidade do poder p\u00fablico, em diferentes esferas.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil culpar o produtor rural ou o setor madeireiro pelos danos ambientais no Estado. Mas penso que a m\u00e1quina de radiografia precisa ser ajustada para alcan\u00e7ar outras \u00e1reas tamb\u00e9m respons\u00e1veis. Mato Grosso ainda hoje possui um mapeamento rural prec\u00e1rio. Nos anos 70, produtores rurais foram trazidos para o Estado sob amplas promessas. E, aqui, foram praticamente abandonados. Muitos perderam tudo. Tal pr\u00e1tica, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, continua. Sabemos de assentamentos rurais que s\u00e3o criados em Mato Grosso sem qualquer condi\u00e7\u00e3o de fixa\u00e7\u00e3o do homem na terra. Os colonos s\u00e3o largados em lugares sem a m\u00ednima assist\u00eancia. Certamente, haver\u00e1 efeitos ambientais.<\/p>\n<p>Qualquer leigo que ler a legisla\u00e7\u00e3o ambiental perceber\u00e1 o quanto ela \u00e9 avan\u00e7ada, embora tenha ainda lacunas a serem preenchidas. Mas o aparato administrativo est\u00e1 aqu\u00e9m, muito aqu\u00e9m, da lei. Os \u00f3rg\u00e3os ambientais n\u00e3o possuem condi\u00e7\u00f5es suficientes para implantar a legisla\u00e7\u00e3o. Os administradores municipais, em grande parte, sequer informa\u00e7\u00f5es t\u00eam sobre o que precisam fazer quanto ao meio ambiente. E distor\u00e7\u00f5es permanecem: Uma delas \u00e9 o pagamento do ITR para a Uni\u00e3o, sendo que cai nas costas dos munic\u00edpios a realiza\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo de infra-estrutura rural, como estradas vicinais por exemplo. A reforma tribut\u00e1ria pouco contempla o aspecto ambiental.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o ambiental em Mato Grosso precisa ser feita sem radicalismos. Os pecados atingem tamb\u00e9m a Universidade, n\u00e3o especificamente alguma institui\u00e7\u00e3o de Mato Grosso, mas o conceito de ensino universit\u00e1rio. Os setores docentes diversos pouco se comunicam. A interdisciplinaridade, t\u00e3o abordada a partir dos anos 90, ainda engatinha. A crise universit\u00e1ria tem efeitos outros que s\u00e3o vistos muito al\u00e9m dos muros dos campi.<\/p>\n<p>Se o ensino universit\u00e1rio peca pela falta de interdisciplinaridade, o profissional tamb\u00e9m possui dificuldades de atuar de tal forma. E, n\u00e3o raro, \u00e9 limitado na compreens\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o de outras engenharias ou de profiss\u00f5es afins. A elabora\u00e7\u00e3o de EIA-Rima, por exemplo, depende fundamentalmente de \u00f3ticas diversificadas sobre um mesmo tema.<\/p>\n<p>Esse passado ambiental confuso em nosso pa\u00eds e, particularmente, em Mato Grosso gera desconfian\u00e7a sobre qualquer investimento, n\u00e3o pelo investimento em si, mas pelo processo burocr\u00e1tico de sua libera\u00e7\u00e3o. Tanto \u00e9 assim que as discuss\u00f5es pela pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-163, que pareciam estar em finaliza\u00e7\u00e3o, se radicalizaram na semana passada, com uma ofensiva de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais. Se por um lado penso que a BR-163 \u00e9 essencial para o pa\u00eds, por outro temo que sua implanta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorra de forma sustent\u00e1vel, com projetos adequados a um processo de ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia que se seguir\u00e1 fatalmente nos pr\u00f3ximos 20 anos \u00e0s margens do asfalto.<\/p>\n<p>Enfim, essa discuss\u00e3o \u00e9 f\u00e9rtil e imprescind\u00edvel, m\u00e9rito em parte da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ci\u00eancia (SBPC), que se manifestou de forma contundente em Cuiab\u00e1 durante sua reuni\u00e3o anual, e tamb\u00e9m resultado da repercuss\u00e3o de obras de grande vulto que est\u00e3o na pauta do governo. Al\u00e9m da BR-163, pavimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 Santar\u00e9m, ainda h\u00e1 \u0096 para o pa\u00eds &#8211; o desvio de \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco para irrigar o Nordeste brasileiro, a constru\u00e7\u00e3o de gasodutos etc. Mas a discuss\u00e3o tem que ser democr\u00e1tica e incluir, em seu bojo, a vis\u00e3o do ecologista, do produtor rural, do t\u00e9cnico e do cidad\u00e3o comum, tanto da cidade quanto do campo. Afinal, o Brasil \u00e9 uno e cada setor econ\u00f4mico e social \u00e9 parte de um todo, infinitamente mais importante do que uma vis\u00e3o segmentada e radical, venha de onde vier.<br \/>\n_________<br \/>\n<i>Este espa\u00e7o \u00e9 atualizado toda segunda-feira<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Em 02\/08\/2004. Assistimos, nas \u00faltimas semanas, uma rea\u00e7\u00e3o ecologista ao desenvolvimento desenfreado em Mato Grosso. 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