{"id":3203,"date":"2012-08-21T15:12:51","date_gmt":"2012-08-21T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/crea-mt.org.br\/portal\/um-novo-discurso-do-setor-madeireiro\/"},"modified":"2012-08-21T15:12:51","modified_gmt":"2012-08-21T18:12:51","slug":"um-novo-discurso-do-setor-madeireiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.crea-mt.org.br\/portal\/um-novo-discurso-do-setor-madeireiro\/","title":{"rendered":"Um novo discurso do setor madeireiro"},"content":{"rendered":"<p>.<br \/>\n<b>S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Em 09\/08\/2004<\/b><\/p>\n<p>Foi com agrad\u00e1vel surpresa que ouvi o discurso de posse de Jaldes Langer, novo presidente do Sindicato das Ind\u00fastrias Madeireiras do Norte de Mato Grosso (Sindusmad), com sede em Sinop, no final de julho. Logo no in\u00edcio do seu pronunciamento, Langer ressaltou:<\/p>\n<p><i>\u0093Aos empres\u00e1rios, j\u00e1 n\u00e3o basta apenas empreender e produzir: h\u00e1 que se analisar o impacto de sua atividade. A sociedade exige cada vez mais o respeito na prote\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o dos recursos naturais\u0094.<\/i><\/p>\n<p>O setor madeireiro no Estado \u00e9 inegavelmente de grande import\u00e2ncia social e econ\u00f4mica. Por\u00e9m, sempre sofreu acusa\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o irracional dos recursos naturais. Hoje, o setor madeireiro enfrenta a perspectiva de um futuro dif\u00edcil, j\u00e1 que a mat\u00e9ria-prima, outrora abundante, est\u00e1 escassa. H\u00e1 necessidade de investimento no manejo florestal, com a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais que relacionam o aproveitamento da madeira com a manuten\u00e7\u00e3o ambiental. O pr\u00f3prio Langer destaca:<\/p>\n<p><i>\u0093\u00c9 claro que temos um longo e \u00e1rduo caminho de reconhecimento e humildade para com nossos pr\u00f3prios defeitos, erros e falhas. E tamb\u00e9m de aud\u00e1cia e coragem para corrigi-los, bem revisando nossas antigas estruturas, crit\u00e9rios e m\u00e9todos\u0094. <\/i><\/p>\n<p>Se Langer cortou na pr\u00f3pria carne, tamb\u00e9m fez, em seu discurso de posse, uma defesa s\u00f3bria do setor madeireiro contra o denuncismo. Se h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o irracional da madeira, tamb\u00e9m h\u00e1 um discurso equivocado sobre como deva ser a preserva\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica. O que Langer aponta \u00e9 que a discuss\u00e3o sobre a floresta amaz\u00f4nica n\u00e3o deve ser desassociada da realidade mundial. Veja:<\/p>\n<p><i>\u0093Enquanto alguns organismos internacionais exercem forte press\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, alguns governos de pa\u00edses tidos como desenvolvidos se recusam a assinar o Protocolo de Kyoto, que de forma branda procura disciplinar as emiss\u00f5es de gases poluentes que geram o efeito estufa e que, comprovadamente, est\u00e3o afetando o clima do planeta. O efeito estufa \u00e9 fruto do desenvolvimento econ\u00f4mico dos pa\u00edses do primeiro mundo e, neste caso, o efeito estufa acumulado nos \u00faltimos dois s\u00e9culos foi majoritariamente provocado por Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o\u0094. <\/i><\/p>\n<p>Mais \u00e0 frente, o novo presidente do Sindusmad complementa:<\/p>\n<p><i>\u0093Os 5% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o mundial consomem 58% da energia dispon\u00edvel, enquanto os 50% mais pobres, menos de 4%\u0094.<\/i><\/p>\n<p>Langer enfatiza o entendimento de import\u00e2ncia do setor madeireiro para a sociedade brasileira, o que \u00e9 fato. E discursa:<\/p>\n<p><i>\u0093O mundo hoje se pergunta: ter\u00e3o o Brasil e os brasileiros condi\u00e7\u00f5es de responder \u00e0 altura ao desafio de implementar uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento sustent\u00e1vel no bioma amaz\u00f4nico? De minha parte, posso lhes assegurar a plena confian\u00e7a que sim. Mas, sobretudo, o Brasil tem o direito e a soberania de utilizar o pleno potencial de seus recursos naturais para o seu desenvolvimento econ\u00f4mico e social na busca de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda para a melhoria da qualidade de vida de sua sociedade\u0094.<\/i><\/p>\n<p>Ele continua:<\/p>\n<p><i>\u0093Neste contexto, o Brasil tem plenas condi\u00e7\u00f5es de, no correto alinhamento estrat\u00e9gico dos esfor\u00e7os p\u00fablicos, privados, governamentais, n\u00e3o governamentais e comunidade cient\u00edfica, integrada ao bom empreendedorismo do setor de base florestal e suas experi\u00eancias acumuladas, de desenvolver tecnologias a partir de uma linha de pesquisa aplicada aos neg\u00f3cios, com respeito ao meio ambiente, mas &#8211; sobretudo &#8211; respeito ao seu povo e a sua sociedade\u0094.<\/i><\/p>\n<p>\u00c9, em suma, um discurso que prega a parceria entre os diversos setores ligados ao tema florestal, o que inclui o Crea-MT e suas profiss\u00f5es afins, notadamente a Engenharia Florestal. \u00c9 um discurso que defende uma <i>\u0093agenda positiva, otimizando os recursos e evitando sobreposi\u00e7\u00f5es, em benef\u00edcio de todos os envolvidos\u0094 <\/i>. \u00c9 um discurso desafiador, um desafio necess\u00e1rio para que todos os atores desse processo repensem atitudes e verifiquem se est\u00e3o \u00e0 altura do debate. Setor p\u00fablico, incluindo o Crea, profissionais da \u00e1rea, empres\u00e1rios, ONGs devem olhar para o pr\u00f3prio umbigo e analisar as posi\u00e7\u00f5es que t\u00eam sobre o tema e question\u00e1-lsa, cortando na carne como fez o Sindusmad. Haver\u00e1 diferen\u00e7as, muitas diferen\u00e7as, a serem solucionadas nesse debate, o que \u00e9 natural, Por\u00e9m, o setor madeireiro jogou a proposta de p\u00fablico para a parceria. Resta aos demais seguimentos abra\u00e7ar esse projeto de avan\u00e7o conjunto.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio lembrar que o Sindusmad \u00e9, certamente, um dos mais fortes sindicatos patronais de Mato Grosso, com grande peso pol\u00edtico na regi\u00e3o Norte, exercendo influ\u00eancia sobre demais sindicatos madeireiros. Da mesma forma, o Sindusmad tem cadeira de express\u00e3o na Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt) e, atrav\u00e9s da Fiemt, pode alcan\u00e7ar a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias (CNI). \u00c9 sem d\u00favida um caminho que pode ser percorrido pelos atores em conjunto. Vamos ao debate saud\u00e1vel, portanto.<br \/>\n_________________<br \/>\n<i>Este espa\u00e7o \u00e9 atualizado toda segunda-feira.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. S\u00e1tyro Pohl Moreira de Castilho, engenheiro civil, presidente do Crea-MT. Em 09\/08\/2004 Foi com agrad\u00e1vel surpresa que ouvi o discurso de posse de Jaldes Langer, novo presidente do Sindicato das Ind\u00fastrias Madeireiras do Norte de Mato Grosso (Sindusmad), com sede em Sinop, no final de julho. 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